Faz tempo que estava querendo postar e não tenho tido muito tempo, mas tenho que dizer alguma coisa sobre a vinda do Paul McCartney no Brasil. Não é novidade para meus amigos que o Paul é meu ex-Beatle favorito não só porque sempre foi lindo de ver e ouvir, mas também porque é um trabalhador compulsivo que se negou a dormir sobre os louros da fama quando bem poderia ter se aposentado com o fim dos fab-four. Recomeçou do zero e colocou Linda, sua então odiada esposa, no show biz quando o rock`n`roll era um reduto machista. Paul foi o último beatle a casar e fez com a Linda vários discos e não foi à toa que, nesta semana, ele dedicou a Linda o prêmio que recebeu pelo disco Band on the Run, de 1973, seu disco mais aclamado pela crítica até hoje. Linda foi amiga, companheira e apoio emocional no início de sua carreira solo (e até morrer de câncer nos seios em 1998).
Em 1990, fui ao Maracanã assistí-lo e foi um show absolutamente perfeito apesar das chuvas que desabaram feio no Rio naquela semana. Não esperava menos de Paul e ele ainda deu mais: som, organização, repertório…tudo valeu o preço do ingresso (e paguei caro para ir pro gramado, onde me acabei de dançar e cantar !! )
Paul é a única coisa dos meus delírios infanto-juvenis que permaneceu e acho que isso se deve ao fato dele evoluir sempre como músico, compositor e show man. Paul nunca vai envelhecer de espírito porque é um trabalhador da música e ama ser isso.
Os outros três Beatles se irritavam com ele por este lado work-a-holic e John Lennon dizia que, Paul, quando não estava fazendo filhos, estava trabalhando. Parece que é verdade até hoje….sua nova herdeira tem hoje uns 6 anos, fruto de seu casamento atribulado com Heather Mills.
Bom, mas ele chega em Novembro e, infelizmente, não poderei ir a SP porque minha irmã, que também vem da terra da rainha, chega para passar as férias (dela) comigo após nove anos sem vê-la ao vivo e em cores. Nos dias do show estaremos em viagem que foi previamente marcada e não vou cancelar os planos. Mas são aquelas ironias da vida…tanto tempo esperando por uma volta de Paul ao Brasil e não estarei lá. Paciência. Acompanharei pela TV, se passar. Quem sabe no ano que vem não vou lá na ilha real vê-lo, né ?
Para aqueles que irão aos shows, posso dizer que vale muito à pena. O homem é especialista no seu ofício de entreter, sabe tudo o que seus fãs querem e esperam dele. Vi a lista das músicas que ele vai tocar e vai ser uma pedreira. Até Helter Skelter ele vai mandar apesar de sua voz não ter mais tanta extensão como antes – mas ele tá com 67 anos e isso tem que ser levado em conta, certo ? Porém, se ele colocou no sound list, é porque deve estar se preparando. Como bom baixista, podem esperar que seu baixo Hoffner modelo violino estará ligado alto ( sem um pingo de reverberação no estádio). O chão treme literalmente. Ele fez o gramado do Maracanã arrepiar ! não é exagero.
Paul também vai tocar Nineteen Hundred Eighty Five, faixa do cd Band on The Run e que só de uns tempos pra cá ele tem tocado ao vivo. Particularmente, é uma de minhas 10 mais prediletas de Paul.
Provavelmente, voltarei a falar desse assunto posteriormente, mas desde já quero dizer ao povo que vai aos shows de Paul em POA e SP, que vale muito à pena as viagens e dinheiro de ingresso. Vale cada centavo. Assistir Paul ao vivo é como se colocar numa cena histórica para depois contar aos netos porque, com certeza, um artista da envergadura de Paul não aparece de década em década. Bom show !
Abaixo, Paul tocando Nineteen Hundred Eighty Five versão de estúdio.




Se tem uma coisa na vida que, se comi duas vezes, foi muito, essa coisa é pimenta. É que me dá a sensação de que tudo ao redor perde o sabor e só ela reina absoluta no prato. Deve ser
Para quem vive parado no trânsito e não tem muito tempo para ler um livro, a vida ficou mais fácil com o surgimento dos audio-books.
