Estava lendo que na sexta-feira vão lançar um filme-documentário sobre o Wilson Simonal. Caramba! ainda lembro da vez em que subi correndo quatro andares de escada para chegar em casa e ligar o rádio porque estava tocando a música “Mustang Cor de Sangue”, do Marcos Valle, na voz do Simonal e eu amava de paixão louca tanto a voz e o jeito de cantar do Simonal, quanto as músicas do Marcos Valle. Só não sabia que a maioria das músicas brasileiras que eu gostava na época eram do Marcos Valle. Vim a saber muitos anos depois.
Eu tinha uns cinco ou seis anos e tenho memória pra música que chega a assustar. Não é que eu seja uma matusalém não, viu gente? ehehe
Mas também, é que lá pelos anos 60, o mundo estava cheio de gente fazendo e cantando e tocando músicas sensacionais. Como não lembrar? E ainda sempre tem umas ondas retrôs, reparou?
Já em meados dos anos 70, Simonal desapareceu. Nunca mais ouvi e também não saí perguntando por ele, mas com surpresa, muitos anos depois, fiquei sabendo que ele e sua carreira haviam caído em desgraça por ter sido acusado de ser informante da polícia da ditadura. Dizem que tudo começou por ele ter desconfiado de que estava sendo roubado pelo contador dele (poderia ter sido mesmo…) e teria se queixado para amigos da polícia darem um susto no suposto amigo-gatuno. Essa “meia espertice” dele custou sua carreira porque seus inimigos teriam feito deste fato, um pretexto para lançar sobre ele todo tipo de calúnia e difamação até detonar sua, até então, brilhante carreira.
Ninguém vai saber de verdade o que aconteceu, mas sou da opinião de que um negro, nos anos 60, que paralizava as multidões e tinha a voz zilhões de vezes mais bonita e com mais swing do que o Roberto Carlos e seus amigos de Jovem Guarda, que eram alienados e só queriam dinheiro para sair com mulher, comprar carros de luxo e roupas - ideais da classe média tijucana de onde todos saíram- Esses ideiais, não inventei: Erasmo afirmou que eles não pensavam em ideologia política…nem contra nem a favor da ditadura e só queriam sucesso, carro, mulher e dinheiro.
Simonal também não iria, com certeza, querer saber de ideologia se ele ganhava dinheiro à granel. Era um negro poderoso, de voz deliciosa, numa terra em que até o Pasquim, jornal baluarte da esquerda, chegou a acreditar no que diziam contra Simonal e vemos no trailer o Ziraldo escorregar e dizer que o Simonal se achava “o rei da cocada preta”. mas ELE ERA o rei da cocada branca, da cocada preta e da cocada colorida da MPB naquela época!!! Simonal tinha carisma e balanço na voz como nunca houve nenhum cantor igual. Ele era a Elis Regina de calças compridas.
Hoje em dia ele ainda suscitaria invejas mil nesse nosso país ainda tão preconceituoso sobre tantas coisas…imagina naquela época? um negro fazendo um sucesso tão grandioso a ponto de cantar com Sarah Vaughan, que estava no auge.
Tom Jobim disse numa entrevista que fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal. Isso, o Tom, cabelo liso, pele branca e oriundo da zona sul do Rio. Imagina ser Wilson Simonal.
Aliás, nenhum membro da classe artística , que hoje diz ter sido amigo dele foi em sua defesa . Todos tiraram o seu da reta. Será medo dos “homi” da farda verde?
Estou curiosa para ver esse documentário. E que a alma de Simonal esteja em paz aonde quer que esteja.
Abaixo, o trailer do documentário.
Hoje estive trabalhando a maior parte do tempo sob o som de um disco do Rick Wakeman que eu não escutava há mais de um ano e que adoro: The Myths and Legends of King Arthur and the Knights of the Round Table. Como o próprio título já diz, é sobre a lenda do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda e foi lançado em 1975. Na época, escutei logo assim que foi lançado porque o namorado da minha irmã comprou e levou pra minha casa. Eu tinha 11 anos e fiquei absolutamente viciada no som e nunca mais deixei de gostar. especialmente a faixa Guinevere que é um esculacho. Eu virei a garotinha chata que aluga o futuro cunhado perguntando pelo disco a toda hora…ehehe


