909 Noites Insones

Agosto 18, 2009

Fora do Olimpo dos Perfeitos

Arquivado em: Ilustrações, Poesia — Norma Spagnuolo @ 6:07 am
Horizonte Liberado

Horizonte Liberado - Norma Spagnuolo

Sonhos abortados
e realidade travestida
 de vida sossegada,  de vida bem sucedida
A vida sem paixão,
com lua de cenário teatral
e o calor que nos sufoca não é o mesmo que vem do sol.

Nenhum risco a correr
também quer dizer nada a ganhar:
seu medo de perder
meu medo de vacilar

(mas) Quanto se erra achando que não?
Quanto se acerta sem saber?
Eu queria tanto poder te mostrar…

O fato é que a gente está do lado de fora
 do olimpo dos perfeitos
e não há nada que a gente faça, baby,
que vá mudar isso.

Eu erro porque quero,
porque vou pro “céu”,
erro por fragilidade,
erro porque vi de perto o inferno
 da nossa humanidade.

Não sabe que a  gente sempre vai ficar abaixo de Deus ?

Quanto se erra achando que não?
Quanto se acerta sem saber?
Eu queria tanto poder te mostrar…
Melhor seguir adiante

Norma Spagnuolo

Abril 5, 2009

Postal: Um Som

Arquivado em: Ilustrações, Poesia, reflexões — Norma Spagnuolo @ 10:27 am

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Um som pra relaxar

Um som pra lembrar

Um som pra esquecer

Um som pra esfriar

Um som pra ferver

Um som pra mim

Um som pra você

Viver é simples assim. Eu é que esqueço disso.

Bossa
Papel Montval - 300 g/m²
10 cm x 15 cm
pastel oleoso e nanquim
Norma Spagnuolo
Março/2009

SIM

Arquivado em: Ilustrações, Poesia, reflexões — Norma Spagnuolo @ 7:47 am

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No fundo de tudo tem um “sim”

com endereço certo para alguém.

Um “sim” pra si mesmo  não é egoísmo.

Um “sim” para alguém nem sempre é generosidade.

Um “sim”  não é sempre positivo.

Einstein venceu novamente:

Tudo é relativo.

Norma Spagnuolo

 

brincadeiras de vetor:2003 / brincadeiras digitalização 2009

Monotonia

Arquivado em: Ilustrações, Poesia, reflexões — Norma Spagnuolo @ 7:00 am

web_monotonia1Monotonia é quando o caos se instala e você não se mexe e nem se remexe. É quando a chuva cái e você se protege.
É quando o horizonte se alarga e você dorme na santa paz e nada te satisfaz e você nunca sabe o porquê.

É quando você vai ao jogo e não torce, vai ao cinema e dorme e na rua nunca vê ninguém;
vai pra cama e não faz amor sem antes conferir mil detalhes e odeia o vento que desmancha cabelos.
Monotonia é quando você não vê as cores da vida e sonha um sonho daltônico.
                            

Norma Spagnuolo
 

 

brincadeiras de vetor:2003 / brincadeiras de digitalização: 2009

Fevereiro 4, 2009

Necessário

Arquivado em: Poesia — Norma Spagnuolo @ 8:53 am

Um canto por vez
Tudo a seu tempo
Tempo iluminado de me envolver
suavemente;
me fazendo ver atrás do véu
a alegria de viver para aprender
o desconhecido
e  torná-lo tão necessário.

Poesia: Norma Spagnuolo
Canção:Spend a Lifetime” – Jamiroquai
CD: Travelling Without Moving

Os Mundos, Eu e Você

Arquivado em: Poesia — Norma Spagnuolo @ 8:07 am

Com você,  as letras saltaram dos livros
expandindo o pensamento para  fora do corpo,
despertando o fogo da criação lentamente
como uma surpresa iminente,
Libertando a alma do corpo.
A mente em gotas e depois em enxurradas.
Seremos os mundos, eu e você e mais nada.

Poesia:  Norma Spagnuolo
Canção:  ” This Never Happened Before” – Paul McCartney
CD: Chaos and Creation In The Backyard

Outubro 27, 2008

Blogagem Coletiva Abre Aspas II

Arquivado em: Poesia — Norma Spagnuolo @ 5:59 pm

HILDA HILST nasceu em Jaú (SP), no dia 21 de Abril de 1930. Radicada no município de Campinas (SP) desde 1965, vivia na chácara Casa do Sol
Formada em Direito pela USP, desde 1954 dedicava-se integralmente à criação literária. É reconhecida hoje como um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea. Faleceu no dia 4 de Fevereiro de 2004.

Tenho a maior admiração pela poesia da Hilda Hilst e escolhi o poema II do livro Via Espessa  (livro este enxertado  no livro Do Desejo, publicado pela Editora Globo).

Se te pertenço, separo-me de mim.
Perco meu passo nos caminhos de terra
E de Dionísio sigo a carne, a ebriedade.
Se te pertenço, perco a luz e o nome
e a nitidez do olhar de todos os começos;
O que me parecia um desenho no eterno,
se te pertenço, é um acorde ilusório no silêncio.

E por isso, por perder o mundo,
separo-me de mim. Pelo absurdo.

Hilda Hilst

Abril 14, 2008

de Brecht

Arquivado em: Poesia — Norma Spagnuolo @ 12:51 pm
Quem construiu a Tebas das sete portas?
Nos livros constam os nomes dos reis.
Os reis arrastaram os blocos de pedra?
E a Babilônia tantas vezes destruída,
quem ergueu outras tantas?
Em que casas da Lima radiante de ouro
moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros
na noite em que ficou pronta a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio só tinha palácios
para seus habitantes?
Mesmo na legendária Atlântida,
na noite em que o mar a engoliu,
os que se afogavam gritaram por seus escravos.
O jovem Alexandre consquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses,
não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?
Felipe de Espanha chorou quando sua armada naufragou.
Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Uma vitória a cada página.
Quem cozinhava os banquetes da vitória?
Um grande homem a cada dez anos.
Quem pagava as despesas?
Tantos relatos.
Tantas perguntas.

Bertolt Brecht
(1898-1956)

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