Numa dessas madrugadas de calorão, estava aqui em casa procurando alguma coisa boa pra ver na TV já que o sono tinha ido para as cucuias e calhou de passar um filme estranhamente bacana com o Jeff Bridges: O Grande Lebowski. O sujeito é largadão, parece que vive à margem e sempre liga o “dane-se” quando a coisa fica pior do que deveria. Não é um completo irresponsável, mas sai totalmente daquele clichê de personagem americano que não pode ser um “looser”, que necessariamente deve ser um “winner” em todos os sentidos. Filmes americanos só falam em “loosers e winners”, se você reparar bem.
O personagem, muito bem intrepretado pelo Jeffe Bridges , lembrou-me do escritor americano Charles Bukowski e seu alter-ego Henry Chinaski (até na aparência). E como adoro Bukowski, não podia deixar de adorar Lebowski.
O que há de legal no Chinaski e no Lebowski (consequentemente em Bukowski) é que o todos eles parecem à margem da sociedade americana ou de qualquer rótulo de classe média de qualquer lugar: é um sujeito que vai vivendo, tem momentos risíveis na vida, como todos temos, e tudo passa e não tem graça embora não seja deprimente, nem existe razão para conflitos existenciais, nem gere tristezas analisadas, tipo “onde errei”. É como se ele soubesse e vivesse dentro dele uma verdade simples para todos: a vida é dura e pronto: tenho que sair dessa “fucking situation…” Como Raul Seixas escreveu numa música: ”não pense que a cabeça aguenta se você parar”. E Lebowski vai vivendo situações esdrúxulas, surreais, com tipos esquisitos ( até mais do que ele ) e, no entanto, continua dia após dia tentando resolver o caso que ele tem que resolver, pois confundiram sua pessoa desocupada – e em paz com isso – com um milionário do mesmo sobrenome que vive envolvido com gente barra pesada. Nada poderia ser pior para um sujeito que só quer passar seus dias em paz, jogando boliche e ouvindo rock dos anos 60.
Lebowski não tem essa de “vida interior profunda”. É um sujeito que quer sossego e eu o colocaria numa sala com Tim Maia, um autêntico “Lebowski” brasileiro. Ou, pelo menos, é a única figura brasileira que consigo pensar como uma espécie de ”anjo escrachado”, da categoria do trio Bukowski, Chinaski & Lebowski”.
Jeff Bridges está ótimo no filme e John Goodman perfeito como seu amigo que foi ao Vietnam e voltou seqüelado total. Julianne Moore, diferente como uma artista de vanguarda e John Turturro, excelente, como um sujeito muito escroto (perdoem o termo, mas não tem outra palavra…quem assistir, vai me dar razão). Uma comédia nonsense, com ótima trilha sonora e risos garantidos. Tomara que passem mais filmes legais assim nas noites insones, cheias de calorão.
Abaixo, o trailer do filme.
Música no trailer: Kenny Rogers & The First Edition – Just Dropped In (to see what condition my condition was in)




Ontem , 20 de Outubro, fez um ano que parei de fumar. Que vou dizer? que me sinto bem? bom, isso é verdade. Me sinto mais animada, com a aparência melhor, meu rosto parece que clareou e as pessoas perceberam logo que parei de fumar, que a pele ficou melhor. O perfuminho, parece que dura mais tempo e os cabelos não ficam mais com cheiro de cigarro. É fato. Mas também é fato que ainda me sinto vulnerável em relação a este vicio e tenho que recorrer ao meu horror de ser dependente de substâncias para poder resistir à tentação de acender um cigarrinho.

David Bowie teve uma fase gay e de aparência andrógina, entre 1969/1973 e, em 1972, ele lançou um disco chamado The Rise and Fall of Ziggy Stardust and Spiders from Mars (disco que adoro).
