909 Noites Insones

Outubro 23, 2009

Minha Vitrolinha: Cachaça Mecânica

Arquivado em: Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 6:12 am

vvit Já que no post anterior falei do roqueiro Erasmo, resolvi tocar na vitrolinha um popsambalanço dele, dos anos 70.  Poderia colocar um rock, mas achei bacana mostrar o outro lado deste compositor que poderia embrenhar- se  em qualquer tipo de som que resolvesse fazer.
Um bom geminiano eclético, que navega bem pelos ritmos.

 

 

 

 

Cachaça Mecânica
(Erasmo Carlos)

Vendeu seu terno
seu relógio e sua alma
E até o santo
ele vendeu com muita fé
Comprou fiado
pra fazer sua mortalha
Tomou um gole de cachaça
e deu no pé…

Mariazinha
ainda viu João no mato
matando um gato
pra vestir seu tamborim
E aquela tarde
já bem tarde, comentava:
Lá vai um homem
se acabar até o fim…

João bebeu
toda cachaça da cidade
Bateu com força
em todo bumbo que ele via
Gastou seu bolso
mas sambou desesperado
Comeu confete
serpentina e a fantasia…

Levou um tombo
bem no meio da avenida
Desconfiado
que outro gole não bebia
Dormiu no tombo
e foi pisado pela escola
Morreu de samba
de cachaça e de folia…

Tanto ele investiu na brincadeira
pra tudo, tudo se acabar na terça-feira…

Vendeu seu terno
E até o santo
Comprou fiado
Tomou um gole
João no mato
Matando um gato
Naquela tarde
Lá vai o homem…

João bebeu
toda cachaça da cidade
Bateu com força
em todo bumbo que ele via
Gastou seu bolso
mas sambou desesperado
Comeu confete
serpentina e a fantasia…

Levou um tombo
bem no meio da avenida
Desconfiado
que outro gole não bebia
Dormiu no tombo
e foi pisado pela escola
Morreu de samba
de cachaça e de folia…

Tanto ele investiu na brincadeira
Pra tudo, tudo se acabar na terça-feira…

Outubro 7, 2009

Minha Vitrolinha: Love

Arquivado em: Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 6:31 am

vvit

No dia 9 de Outubro, caso estivesse aqui “no andar de baixo”, John Lennon faria 59 anos. Ele não está mais, mas sua música está e ainda gosto de ouvir umas canções suas apesar de Paul McCartney ser meu Beatle favorito (alguém desconhecia esse fato?). Acontece que John Lennon quando acertava a mão e deixava a preguiça ou a insegurança  de lado, fazia coisas maravilhosas, músicas que sempre me soaram como música clássica apesar da aparente simplicidade.
Na época dos Beatles ele fez coisas de gênio, harmonias esquisitíssimas e que mesmo assim soavam (e soam ainda)  bem nos ouvidos.
A música que escolhi tocar na vitrolinha de hoje é uma daquelas canções que acho complicadamente simples. Não precisa de firulas harmônicas e letra enorme. Diz tudo em letra e harmonia e soa, pelo menos pra mim, absolutamente completa.
Trata-se de LOVE.

Certa vez, perguntaram para ele e Yoko, numa entrevista para a TV, o que os mantinham tão apaixonados, o que os havia unido tão fortemente. A Yoko respondeu que eles se sentiam à vontade um com o outro mesmo quando mostravam seus lados “feios”. Eles não faziam pose um para o outro e gostavam um do outro justamente por se darem tão bem em todos os lados. O John disse que já havia vivido relacionamentos de amor sem sexo e de sexo sem amor e com a Yoko ele viveu as duas coisas ao mesmo tempo.
Para ela, ele compôs muitas canções, mas acho que foi em LOVE que ele conseguiu colocar esse seu sentimento de plenitude de maneira mais exata.  É minha opinião, mas o melhor mesmo é cada um ouvir e concluir por si mesmo  (a).

Eis a letra:

LOVE
(John Lennon)

Love is real,
real is love,
Love is feeling,
feeling love,
Love is wanting to be loved.
Love is touch,
touch is love,
Love is reaching,
reaching love,
Love is asking to be loved.
Love is you,
You and me,
Love is knowing we can be.
Love is free,
free is love,
Love is living,
living love,
Love is needing to be loved.

Setembro 22, 2009

Minha Vitrolinha: Year of The Cat

Arquivado em: Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 4:01 am

vvit

Depois de longo silêncio, me deu vontade de tocar na vitrolinha “Year of the Cat”, do Al Stewart. Musiquinha que está nas rádios até hoje e que foi lançada lá pelos anos 70 e eu era uma pré-adolescente.  Não sei ao certo o que me faz gostar tanto da canção, já que não sou movida por nenhuma razão sentimental, nem nostalgia. Simplesmente foi paixão à primeira audição.
Não sei se é a harmonia redondinha ou a voz suave ou mesmo o arranjo, que acho que valoriza cada solista de cada instrumento e cada um me parece entrar na hora certa, sem exageros nem firulas desnecessárias. Mas gosto da canção até hoje.
O fato é que a canção rodou e ainda roda o mundo todo e deve ter garantido a aposentadoria do Al Stewart apesar dele ter músicas dignas de um gênio.
Suas letras costumam ser longas e muitas vezes contam estórias ou falam de fatos históricos. Sou fã do moço, que já não é tão jovem, magrelinho e cabeludo, mas ainda está musicalmente em forma pelo que andei pesquisando na  internet e no site da amazon.com.

Hoje vou colocar, além da letra, os acordes para  aquelas pessoas que gostam de tocar um violãozinho. É molinho de tocar  e está certinho. Pega o violão lá e vê só.

Se você não toca um violãozinho, dá um play e ouve um pouquinho. É bem bom.
Versão completa.
Qualidade de gravação: tinindo.

Year of The Cat
Por: Al Stewart

Tom: C
Intro:  C7+    D  Em  ( 3x )      Am7    D7
     C7+            Bm       Em
On a morning from a Bogart movie
     C7+                Bm             Em
in a country where they turned back time
       C7+                   Bm        Em
you go strolling through the crowd like
                  Am7            D7
Peter Lorre  contemplating a crime.
          C7+         Bm          Em
She comes out of the sun in a silk dress
               B                  C
running like a water color in the rain.
             B         Em
Don’t bother asking for explanations.
            Am7                    D
She’ll just tell you that she came  in the Year of the Cat.

 

INSTRUMENTAL (INTRO)

    C7+              Bm           Em
She doesn’t give you time for questions
       C7+          Bm          Em
as she locks up your  arm  in hers.
        C7+              Bm       Em
And you follow  ’til your sense of
                   Am7                 D7
which direction completely disappears.
       C7+         Bm            Em
By the blue-tiled walls near the market stalls
          B                         C
there’s a hidden door she leads you to.
                  B       Em        
“These days,” she says, “I feel my life just
       Am7                   D
like a river running through  the Year of the Cat.”

INSTRUMENTAL (INTRO)

         B                 C
Well she looks at you so cooly
        G                   D
and her eyes shine like the moon  in the sea.
             B                 C
She comes in incense and pathchouli
       G           F
so you take her to find what’s
C/E            D
waiting inside…  the Year of the Cat.

INSTRUMENTAL

     C7+              Bm                Em
While morning comes and you’re still with her
        C7+            Bm        Em
and the bus and the tourists are gone.
            C7+               Bm        Em
And you’ve thrown away your choice and
                        Am7              D7
lost your ticket so you have to stay on.
         C7+           Bm             Em
But the drumbeat strains of the night
              B                     C
remain in the rhythm of the newborn day.
              B         Em       
You know sometime you’re bound to leave her
        Am7                   D
but tonight you’re gonna stay  in the Year of the Cat…

Uhmmmm Year of the Cat

Agosto 24, 2009

Minha Vitrolinha: In a Manner of Speaking

Arquivado em: Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 8:07 am

vvitNoutro dia, passeando pelas ruas musicais da internet, deparei-me com essa canção. Cada dia me convenço mais de que a nossa energia atrai as coisas todas: os problemas, as soluções, as canções, as imagens, os amigos, os desafetos e tudo o mais que existe e que precisa ser encontrado para que um pequeno foco de luz se esparrame humilde e certeiro em cima da nossa cabeça. Sooner or later.

Então, achei essa canção suavezinha que vai e diz:  ”give me the words that tell me nothing / everything”  – ou seja, traduz o tudo que o silêncio tem dito, o nada que tudo diz sem falar. Só que tem horas em que a palavra está pronta, a frase tem que ser dita porque senão passa do ponto. É quando a palavra certa liberta.
A partir daí, um capítulo do livro encontra o fim para que um novo se inicie.

Espero que gostem.

In A Manner Of Speaking
Nouvelle Vague
(featuring Camille)

In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
you told me everything
by saying nothing

In a manner of speaking
I don’t understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that I feel about you
is beyond words

Oh give me the words
Give me the words
that tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
that tell me everything

In a manner of speaking
semantics won’t do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
might have to be sacrificed

So in a manner of speaking
I just want to say
that just like you I should find a way
to tell you everything
by saying nothing.

Oh give me the words
Give me the words
that tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
that tell me everything

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

Agosto 18, 2009

Minha Vitrolinha

Arquivado em: Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 5:42 am

vvitPra quem um dia sentiu sua alma longe e depois de muito tempo começou a resgatá-la. Para quem se viu extraviado por susto, imposição ou vontade e resolveu que era hora de voltar…

Taí uma musiquinha que pode ser a trilha sonora do impulso da volta,  apesar de ter uma canção brasileira que não consegui colocar  aqui, mas que merece algumas audições e que falam algo sobre isso : “O que foi feito de Vera”  (…” alertem todos alarmas que o homem que eu era voltou…”)- Milton Nascimento /  Fernando Brant.

Como não tem (ainda), vamos de Stereophonics por enquanto.

Maybe Tomorrow
por : Stereophonics

I’ve been down and
I’m wondering why
These little black clouds
Keep walking around
With me
With me

 It wastes time
And I’d rather be high
Think I’ll walk me outside
And buy a rainbow smile
But be free
They’re all free

So maybe tomorrow
I’ll find my way home
So maybe tomorrow
I’ll find my way home

I look around at a beautiful life
Been the upperside of down
Been the inside of out
But we breathe
We breathe

I wanna breeze and an open mind
I wanna swim in the ocean
Wanna take my time for me
All me

So maybe tomorrow
I’ll find my way home
So maybe tomorrow
I’ll find my way home

So maybe tomorrow
I’ll find my way home
So maybe tomorrow
I’ll find my way home

So maybe tomorrow
I’ll find my way home
So maybe tomorrow
I’ll find my way home

Agosto 10, 2009

Minha Vitrolinha: Seize The Day

Arquivado em: Filminhos, Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 4:55 am

vvitNão faz muito tempo, assisti no cinema o filme Paris, do diretor Cédric Klapisch, com Juliette Binoche e Fabrice Luchini – este último, está em cartaz atualmente com o filme “A  garota de Mônaco” e eu o achei muito bom ator. Este ator foi o que  fez a dança engraçada e patética numa cena hilária entre ele e sua namorada ninfeta no filme Paris. Eu falei aqui no blog deste filme, mas não havia comentado a trilha sonora.

Não acho que seja  uma trilha sensacional, mas funcionou bem no filme, enquanto a câmera passava pela cidade ou quando interagia com os personagens e seus humores. Mas uma canção em especial chamou-me a atenção logo que o filme começou, se não me falha a memória, durante uma panorâmica sobre a cidade-luz: Seize the Day, de Wax Taylor, com participação especial de Charlotte Savary (não confundir com a Charlotte Gainsbourgh).

Eu só fui descobrir quem canta e quem compôs depois que fui ver o site comercial Amazon.com, pois a trilha sonora não saiu aqui no Brasil ainda (se é que vai sair um dia). Mas aqui na minha boa  e charmosa vitrolinha já está disponível para degustação.

Lá vai:

Seize the Day
Wax Taylor – Featuring Charlotte Savary

Hold them close
Petals of a rose
Thorns as well
Friends and foes
Have no fear

Seize the day
I don’t mind whatever happens
I don’t care whatever happens

Let them burn
Things of cotton
Admire the fire
Things undone
There’s applause
There’ll be encores
You’re sincere
That’s what we’re
Have no fear

Seize the day
I don’t mind whatever happens
I don’t care whatever happens

Julho 28, 2009

Faz Parte do Meu Show – O Livro

Arquivado em: Biblioteca, Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 5:31 am

vvitDesde semana passada que não toquei nenhum som, mas isso se deu por causa das preocupações e cuidados com meu cachorro Pepe, amigão de 13 anos, que tá tão doentinho.  Mas tenho lido e enquanto não durmo, observando-o,  estou lendo um livro psicografado de um artista que não assina, mas é tão óbvio de quem se trata que ele nem precisa assinar mesmo. O medium que psicografou se chama Robson Pinheiro, medium para autores espirituais de  muitos livros ótimos e autor de uns outros bem bacanas também. No meu singelo blog de livros universalistas – http://livrosuniversalistas.wordpress.com –  falo de duas de suas obras mais conhecidas e falarei de outros livros seus, mas o post aqui é sobre o livro interessante: Faz Parte do Meu Show e o espírito que passou o livro pro Robson, é o “exagerado”.  Alguém desconhece quem é? sim, o Cazuza.

Está creditado como organizador do livro, o espírito Angelo Inácio, que o Robson psicografa com certa frequência.  Fui ler por curiosidade e até com certa incredulidade, para ser sincera (mesmo sendo espírita convicta e sendo leitora das obras psicografadas pelo Robson Pinheiro). Pensei que alguém poderia estar usando o nome do Cazuza, ou mesmo que o Robson pudesse ter-se enganado…sei lá…só sei que tentei ignorar o apelo de ler um livro supostamente psicografado por uma dos poetas-músicos que mais influenciou minha geração. Pensei também que era muito cedo pra Cazuza escrever e, como a imensa maioria dos espíritas, também imaginei que seria bem provável ele estar no umbral, devido a forma como ele abusou de seu corpo físico por causa do excesso de sexo, drogas e roquenrou. Não por moralismo. Não é isso. Apenas porque, segundo estudamos, se fazemos mau para nosso corpo, ele fica debilitado e o perispírito comprometido e, sem estarmos bem, é difícil a locomoção, lucidez e também permissão para comunicar-se com amigos, parentes e etc, aqui na Terra.

Naturalmente eu, que estava na faixa dos 20 anos nos anos 80, época em que dizíamos que “era melhor viver 10 anos a mil do que mil anos à 10″ (frase do Lobão seguida à risca pela minha geração), não posso jogar pedra no telhado de ninguém, encarnado ou desencarnado e desconfio que é muito provável que, ao sair daqui, eu passe por um certo estágio lá na região umbralina.  Não me iludo. Mas vou pro umbral pelos meu erros assumidos e não por querer mostrar ser melhor do que sou. Hipocrisia não tem argumento. Sempre fui espírita, mas espírita não é querubim e pisa na bola (e no meu caso, ainda falo palavrão).

De qualquer forma, o livro é surpreendente e me deixou de queixo caído, como só havia ficado ao ler “Nosso Lar”, do André Luis, psicografado pelo Chico Xavier. 
Mas eu não deveria ficar tão surpresa com as coisas que Cazuza diz no livro sobre, por exemplo, durante um show no umbral, para os samaritanos ajudarem os espíritos necessitados, ele ter visto no telão uma paisagem linda de praia, que quem assistia, sentia o cheiro da maresia, o calorzinho da praia e a brisa do mar. Ele disse que é uma tecnologia que ainda não chegou na Terra. Mas lembrei da reportagem do Fantástico, no Domingo, em que uma moça sente cheiro e gosto da música e ainda vê a forma da música… e ela é a única pessoa no mundo com essa faculdade.Os neurocirurgiões dizem que as  partes do cérebro responsáveis pelos sentidos, no caso da moça, essas partes interagem entre si provocando esse efeito. Deve ser o mesmo princípio usado pelos engenheiros espíritas para produzirem filmes que provoquem interação entre os sentidos dos seres espirituais, que não têm o obstáculo de uma caixa craniana e um cérebro material. 

Enfim, achei o livro verossímil. E acho que tem muita lógica  o fato de  ídolos aqui do planeta, como Cazuza, Renato Russo, John Lennon, etc, ao chegarem noutro lado sejam artistas, mas não celebridades, que é vaidade desnecessária aqui do planeta, em que bajular e manipular geram recompensas financeiras ou algum tipo de poder, que num mundo espiritual superior nao são necessários  nem almejados.

Faz Parte do Meu Show, o livro, vale à pena ler. Mesmo quem não é espírita, vai gostar da narrativa fácil e se surpreender com as coisas que ele conta.

Na minha vitrolinha de hoje  vou tocar “Eu Queria Ter uma Bomba”, de Cazuza, em homenagem a esse sujeito tão carismático, sensível e inteligente.
Uma letra sensacional que fala sobre solidão a dois, que é uma das formas mais mesquinhas de convívio, quando não se é feliz e nem deixa o outro livre para ser. E ninguém tem coragemde ser o primeiro a dizer adeus.

Música : “Eu Queria Ter Uma Bomba”
Cazuza

Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz “já foi” e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio, mas no fundo eu nem ligo

Você sempre volta com as mesmas notícias…
Eu queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer
pra poder me livrar do prático efeito
das tuas frases feitas,
das tuas noites perfeitas

Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz “já foi” e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em homicídio, mas no fundo eu nem ligo

Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba,
um flit paralisante qualquer pra poder te negar
bem no último instante.
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê

Julho 13, 2009

13 de Julho: Dia do Rock

Arquivado em: Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 11:31 pm

Hoje é dia do rock e eu acho estranho que o rock tenha um dia pra comemorar porque rock  é um ritmo que  começou como uma atitude de contestação. Nunca quis ser instituído, mas vamos lá. Deve ser a globalização.
Rock é um ritmo derivado do rhythm and blues que, por sua vez, veio do blues que veio do gospel (cantado pelos negros  norte americanos escravizados, assim como os escravos daqui cantavam cantigas de lamento para os santos, que levou ao jongo e que levou ao samba). Isso mesmo: o rock e o samba vieram da mesma mãe Africa. Pode pesquisar à vontade! não é papinho furado!
Esse tal de roquenrou já é um senhorzinho de 50 anos e deve ter a cara do Charles Bukowski.
Mas o Chuck  Berry acelerou o rythm and blues e tinha uma atitude inquieta ao cantar e dançar e acabou inventando o rock and roll. John Lennon dizia que se houvesse outro nome para o rock and roll, ele deveria ser Chuck Berry.
Chuck Berry não tinha e não queria ter empresário. Ele mesmo vendia seus shows e contratava a banda pra o acompanhar. Se ele ainda faz shows, com certeza ainda é assim. Chuck Berry desafiou costumes altamente arraigados da sociedade preconceituosa e puritana (e hipócrita) americana  e, sendo negro, abriu as portas para outros roqueiros negros como Little Richard, por exemplo. Para quem se recusava a ouvir rock porque era “coisa de negros”, surgiu o Bill Haley e seus Cometas  e o Elvis. Mas o Elvis tinha voz de negro e as pessoas ainda não o tinham visto; só conheciam sua voz na rádio, quando ele surgiu.  E, de repente, havia o  Elvis, que  era lindo e tinha aquele jeito de dançar que deu a ele o apelido de Elvis, the pelvis. E era branco. Apesar dele ser censurado da cintura para baixo ao aparecer na TV, ele tornou-se o fenômeno que conhecemos. Elvis virou pop e Chuck Berry, não.
Mas o rock quando é assimilado pelas massas, vira pop. Aqui no Brasil, os Titãs, por exemplo. Não tem jeito. A Rita Lee…quantos roqueiros viraram pop depois de certo tempo? por que viram pop ?  porque ficam velhos e precisam se sustentar e à família ? se vendem para o mainstream?  isso é outra discussão acalorada, por sinal.
Mas hoje ainda é dia de rock, como diria o Zé Rodrix, e a minha vitrolinha das segundas vai tocar “Roll Over Beethoven” música do próprio Chuck  com o próprio na guitarra (e hoje tem vídeo!).
It`s  only rock and roll but I like it!  Enjoy it!

Julho 7, 2009

Minha Vitrolinha: Beco do Mota

Arquivado em: Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 5:04 pm

vvitOntem o dia foi tumultuado e não deu pra tocar um som na vitrolinha, mas hoje é um novo dia e  estou quase zen. Por isso vou  tocar Milton Nascimento. Mais precisamente, o Milton dos anos 60/70, quando fazia também discos com o “Clube da Esquina” e acompanhado do ” Som Imaginário”.
A  música de hoje é do disco MILTON NASCIMENTO, de 1968.
Nessa fase, a voz do Milton era imbatível e a sonoridade da rapaziada que o acompanhava era sensacional. Quando vou à Minas, levo no mp3 player o som dele dessa época porque acho que traduz musicalmente o clima mineiro (pelo menos, como percebo Minas).
Ah, sim: além dessa, que se chama “Beco do Mota”, ele tem outras tantas maravilhosas, mas procure ouvir a instrumental “Lilia”, que ele compôs para a sua  mãe adotiva  e “Que Bom Amigo”. São de arrepiar lascas de ossos.
Em “Lilia”, ele solfeja o tempo todo. Música forte pacas. Acho que deve ser assim que ele vê sua mãe.
Em “Que Bom amigo” a harmonia é hipnotizante e aderente aos ouvidos.
Escolhi o “Beco do Mota” porque gosto de canções que crescem aos poucos e esta começa com um coro religioso, típico da história de Minas, suas igrejas, canto Gregoriano e tal. Mas a idéia da música, era fazer uma referência à passeata dos cem mil quando o pároco da igreja da Candelária, no Rio, abrigou o tanto de pessoas que deu, para protegê-los de levar porrada do exército.  Muitos religiosos abrigaram pessoas perseguidas pela ditadura naquela triste época.
A passeata dos cem mil, Junho de 1968 (o chamado “ano que não terminou” ), foi motivada pelo assassinato, pela pela repressão, do estudante Edson Luis, que protestava pelo aumento de preço do bandeijão do restaurante Calabouço,do Instituto Cooperativo de Ensino, no Rio de Janeiro.

Quer mais detalhes ?  http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=6807&Itemid=64

O “Beco do Mota” é o Brasil , como diz Milton na letra. Tava todo mundo encurralado “na noite deste meu país”. 
Foi uma noite longa e muito escura mesmo. Ainda bem que eu só tinha 4 anos.

Vamos à letra da canção

Beco do Mota
Milton Nascimento / Fernando Brant.

Clareira na noite, na noite
Procissão deserta, deserta
Nas portas da arquidiocese desse meu país
Procissão deserta, deserta
Homens e mulheres na noite
Homens e mulheres na noite desse meu país

Nessa praça não me esqueço
e onde era o novo fez-se o velho colonial vazio.
Nessas tardes não me esqueço
e onde era o vivo fez-se o morto. Aviso pedra fria

Acabaram com o beco, mas ninguém lá vai morar
Cheio de lembranças vem o povo, do fundo escuro beco,
nessa clara praça se dissolver

Pedra, padre, ponte, muro
e um som cortando a noite escura colonial, vazia.
Pelas sombras da cidade,
hino de estranha romaria
Lamento água viva

Acabaram com o beco…

Procissão deserta, deserta
Homens e mulheres na noite
Homens e mulheres na noite desse meu país
Na porta do beco estamos
Procissão deserta, deserta
Nas portas da arquidiocese desse meu país

Diamantina é o Beco do Mota
Minas é o Beco do Mota
Brasil é o Beco do Mota
Viva meu país.

Junho 29, 2009

Minha Vitrolinha: In The Mausoleum

Arquivado em: Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 1:37 am

vvit A vitrolinha vai tocar In The Mausoleum, de um grupo chamado Beirut, porque esses dias estão com muito clima de enterro; mas a música é boa e nem lembra tanto esse clima porque tem um violino muito bonito, assim como o arranjo todo que me parece bem distante da idéia de algo fúnebre.
 Abaixo, a letra:

Time travels to learn
your secret life
in your mausoleum

And Berlin
is so ugly in the morning light
but with them
I could never feel so right

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