Hoje, dei uma passadinha lá no Museu da República / Palácio do Catete (onde o ex-presidente Getúlio Vargas cometeu suicídio) e dei umas voltinhas entre os patinhos e banquinhos. É um lugar muito sossegado que tem aqui na cidade e gosto de ir lá de tempos em tempos, mas não gosto dessa estátua – que só fotografei pra mostrar aqui no blog. Deve ter algo a ver com estilo de época, Indianismo, sei lá o quê, mas acho violentíssima essa obra: Um curuminzinho matando uma pantera negra ou onça…tudo errado. Criança não tinha que aprender a caçar e felinos não são comestíveis, portanto, pra que matá-los? Além do que, por que retratar coisa tão violenta ? eu preferia ver uma Yara, mãe-d`água sentada numa pedra perto do lago, com uma onça ou pantera negra sentada ao lado, como sua protetora. Teria a ver com Brasil e Amazonas, folclore e tal e não é uma imagem violenta.
Na época, devia ser bacana falar de matar espécies da nossa fauna e flora, que era coisa de homem valente e viril. Ainda bem que o tempo urge, a fila anda e os costumes se modificam um pouquinho a cada década, que seja…
Lá pelo ano de 98/99, eu estava morando no interior, num sítio perto de uma montanha que, teoricamente, era protegida pelo IBAMA . Uns vizinhos iam lá na mata matar tatu e quando eu ouvia um tiro, meu coração já se entristecia e tinha dias, que mais sensível, eu chorava ou dias, mais atarantada, eu ficava injuriada. cheia de raiva. Um dia, numa conversa à toa, surgiu o papo de caça e perguntei pra um dos meus vizinhos, o que mais matava tatus e bichinhos pequenos da mata, o porquê dele fazer aquilo se ele dava para as pessoas e não comia, já que ganhava dinheiro tirando terra de alguns morros para vender em seu caminhão (vendia material de construção também). A resposta do moço foi essa: — ” Olha Norma, não fumo, não bebo, não uso droga , não gosto de futebol e nem traio minha mulher. Então, caço uns “tatuzim” de vez em quando e nem como…dou pros vizinhos que comem…”
Fiquei com cara de paisagem um tempo, sem acreditar no que eu ouvia e por fim falei pra ele: e o que que o tatu tem a ver com isso ?
Ficou um clima estranho e tenho medo de “coronezinho bonzinho” e deixei pra lá. Saí pra casa chateada por saber que não ia mudar a mentalidade dele, não importa o que eu falasse, e ainda ia arrumar um inimigo.
Mas dentro daquela mentalidade predadora, o fato dele não fazer coisas que ele atribui a um sujeito “do mal” (beber, fumar, trair a mulher e ver futebol,) o credenciaria a matar um bichinho (ou centenas de bichinhos), que vivem em paz na mata.
Essa é uma das razões de eu não ter gostado de viver no interior. Se você fôr algo diferente de macho, adulto, branco e católico e que fale grosso, já era. Basta ser homem correto (no sentido de não gostar de ser predador) , que não goste de violência, mulher, bicho ou planta e você está sujeita (o) a sofrer algum tipo de agressão, mais cedo ou mais tarde, por esse tipo predador e que se acha cheio de razão para ser assim.
Prefiro morrer de fumaça de monóxido de carbono na cidade.
Mas enfim…quem quiser ver mais fotos, é só ir lá no meu flicker. O endereço está aqui do lado direito.