Noutro dia, peguei lá na locadora o filme MILK, do diretor Gus van Sant sobre o primeiro político assumidamente gay dos EUA a ser eleito por voto direto. Não foi a temática gay que chamou a minha atenção, mas o fato de ter Sean Penn no papel título. Nunca imaginei Sean Penn gay, nem em filme. Acho que o ex da Madonna tem cara de homem, jeito de homem, maneira de falar nas entrevistas, de homem, e achei que seria bem interessante ver sua leitura para um personagem real gay.
Há muitos anos atrás, fiz escola de teatro e eu era bem ruim. Não sei se por uma incapacidade absoluta de decorar mais de duas frases ou pela deficiência em buscar dentro de mim o tom das tintas dos personagens que eu deveria interpretar. Mas lembro bem que o professor dizia que tinhamos de achar dentro de nós a nossa maneira de sermos outra pessoa e para isso, tinhamos que nos tornar craques na arte de observar as pessoas. As outras pessoas seriam nossa fonte de inspiração para compôr os maneirismos de personagens diversos. Complicado, eu pensava…ou me baseava nos outros ou na minha intuição, na minha leitura. Não importa. Não se pode acertar em todas as escolhas, certo?
Não sei se existe algum filme com o personagem original que pudesse servir de fonte de observação para o ator ou se este teve que basear-se em seus amigos ou conhecidos gays para poder descobrir em si mesmo, o “gay exato”, da textura de Harvey Milk. Mas com certeza, MILK é o filme de Sean Penn e seu Oscar foi merecido.
Apesar de ter um rosto másculo, acho que Sean Penn poderia passar a idéia de ser um ator americanóide estúpido e grosso, mas não tem-se mostrado assim e nem ignorante e reacionário como o americano mediano; na verdade, ele sempre está mais para oposição das coisas americanas do que a favor. Quase um comuna.
Não adorei o filme e não sei se é por causa da direção de Gus van Sant ou porque a história em si parece rasa para os dias de hoje, mas vale à pena ver a atuação deste ator de fibra que é Sean Penn.
Lembro do primeiro filme que vi dele, anos atrás: um surfista magrelinho, com cabelos cheio de parafina e que vivia falando idiotices, meio leso, porque não parava de fumar maconha. Típico.
Enfim, o cara já tinha talento desde o começo e, de lá pra cá, só foi lapidando seu talento. Quem viu Os últimos Passos de um Homem, com ele e Susan Sarandon vai concordar comigo. Impagáveis as atuações de ambos.
Abaixo, uma foto de Sean Penn e do Harvey Milk, para comparar a “essência e a representação”.


Não faz muito tempo, assisti no cinema o filme Paris, do diretor Cédric Klapisch, com Juliette Binoche e Fabrice Luchini – este último, está em cartaz atualmente com o filme “A garota de Mônaco” e eu o achei muito bom ator. Este ator foi o que fez a dança engraçada e patética numa cena hilária entre ele e sua namorada ninfeta no filme Paris. Eu falei aqui no blog deste filme, mas não havia comentado a trilha sonora.




