909 Noites Insones

Setembro 12, 2009

Sean Penn e Harvey Milk

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 6:13 am

claquete909Noutro dia, peguei lá na locadora o filme MILK, do diretor Gus van Sant sobre o primeiro político assumidamente gay dos EUA a ser eleito por voto direto. Não foi a temática gay que chamou a  minha atenção, mas o fato de ter Sean Penn no papel título. Nunca imaginei Sean Penn gay, nem em filme. Acho que o ex da Madonna tem cara de homem, jeito de homem, maneira de falar nas entrevistas, de homem, e achei que seria bem interessante ver sua leitura para um personagem real gay.
Há muitos anos atrás, fiz escola de teatro e eu era bem ruim. Não sei se por uma incapacidade absoluta de decorar mais de duas frases ou pela deficiência em buscar dentro de mim o tom das tintas dos personagens que eu deveria interpretar. Mas lembro bem que o professor dizia que tinhamos de achar dentro de nós a nossa maneira de sermos outra pessoa e para isso, tinhamos que nos tornar craques na arte de observar as pessoas. As outras pessoas seriam nossa fonte de inspiração para compôr os maneirismos de personagens diversos. Complicado, eu pensava…ou me baseava nos outros ou na minha intuição, na minha leitura. Não importa. Não se pode acertar em  todas as escolhas, certo?
 Não sei se existe algum filme com o personagem original que pudesse servir de fonte de observação para o ator ou se este teve que basear-se em seus amigos ou conhecidos gays para poder descobrir em si mesmo, o “gay exato”, da textura de Harvey Milk. Mas com certeza, MILK é o filme de Sean Penn e seu Oscar foi merecido. 
Apesar de ter um rosto másculo, acho que Sean Penn poderia passar a idéia de ser um ator americanóide estúpido e grosso, mas não tem-se mostrado assim e nem ignorante e reacionário como o americano mediano; na verdade, ele sempre está mais para oposição das coisas americanas do que a favor. Quase um comuna.
Não adorei o filme e não sei se é por causa da direção de Gus van Sant ou porque a história em si parece rasa para os dias de hoje, mas vale à pena ver a atuação deste ator de fibra que é Sean Penn.
Lembro do primeiro filme que vi dele, anos atrás: um surfista magrelinho, com cabelos cheio de parafina e que vivia falando idiotices, meio leso, porque não parava de fumar maconha. Típico.
Enfim, o cara já tinha talento desde o começo e, de lá pra cá, só foi  lapidando seu talento. Quem viu  Os últimos Passos de um Homem, com ele e Susan Sarandon vai concordar comigo. Impagáveis as atuações de ambos.
Abaixo, uma foto de Sean Penn e do Harvey Milk, para comparar a “essência e a representação”.

Harvey_Milk

Agosto 10, 2009

Filminho: A Proposta

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 6:34 am

FirstMoviola

Falando em filminho, ontem (dia dos pais) assisti uma comediazinha com a Sandra Bullock. Sabe qual? A Proposta, da diretora Anne Fletcher (diretora de Ela Dança, Eu Danço).
Lá fomos nós, eu, Caloã e a Lili para o shopping mais próximo fazer um lanchinho e  assistir um filminho, qualquer um que nos distraísse, já que nossos papais estão bastante  distantes. 

Não vou fazer crítica filosófica, política , sociológica  ou qualquer coisa assim sobre este filme,  que fala de uma mulher muito competente que trabalha para uma editora, sendo editora-chefe, que tem um assistente (homem) competente e que com ela vai casar para manter  os empregos (emprego dela e o dele também, pois se ela cair, ele cái junto).
Ela é uma mulher detestada  e temida no emprego, meio como a personagem de Meryl Streep em O Diabo Veste Prada. Ou seja, é uma chefe durona que vai amolecer de amor pelo seu assistente bacaninha e competente. É Hollywood, certo? certo. Tem problema? Não acho…existem piores.

Estou comentando o filme, pelo simples fato de que  ele distrai em dias ruins para ficar em casa, pois a Sandra Bullock  sabe ser convincente no papel de moça firme, bonita, sensível e engraçada.
Para mim, de um modo geral, cinema é entretenimento e, de preferência, tem que passar uma mensagem de paz, amor e vida boa, com final feliz, porque mundo-cão já vejo todos os dias ao pisar na calçada do meu bairro,  infestado de pedintes e ladrões. Ou quando saio pela cidade e sinto medo de bandido na falsa blitz (se eu estiver de carro) ou bandido armado, em dupla ou trio, se eu estiver  num ônibus.  Não sou do tipo de pessoa que paga  para assistir algo como ” Duro de Matar 1, 2,3,4,5,6,7…987″ ,  “Tropa de Elite”, “Cidade de Deus”, “Irreversível (medonho), “Cães de Aluguel” e coisas assim.

Também não é por causa de ideais e valores médio-burgueses que não assisto tais filmes. Apenas odeio violência de qualquer tipo e estou rodeada de violência na vida real. Ou será que pobreza, ladroagem, corrupção, senado federal podre de cair, milicianos, traficantes, maus policiais, poder público omisso e mulheres-frutas desfrutáveis por tão pouco, direto na mídia, não são coisas violentas? violência contra o trabalhador, contra o honesto, contra quem é ético, contra o respeitável, contra a mulher, contra o estudioso…enfim, nessa época medíocre de talentos e de valores duvidosos, onde bandidos são imitados pelas crianças, como exemplos de poder e autoridade e são desejados por meninas desorientadas (ou não…vai saber…) de classe-média , como amantes e provedores futuros.

Então, em dias assim, prefiro um filminho americanóide onde a chefe bonita e durona amolece o coração por causa do amor de um assistente competente, bonzinho e de família rica ( não é um alpinista social !!).
O que pode haver de errado nisso?

Minha Vitrolinha: Seize The Day

Arquivado em: Filminhos, Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 4:55 am

vvitNão faz muito tempo, assisti no cinema o filme Paris, do diretor Cédric Klapisch, com Juliette Binoche e Fabrice Luchini – este último, está em cartaz atualmente com o filme “A  garota de Mônaco” e eu o achei muito bom ator. Este ator foi o que  fez a dança engraçada e patética numa cena hilária entre ele e sua namorada ninfeta no filme Paris. Eu falei aqui no blog deste filme, mas não havia comentado a trilha sonora.

Não acho que seja  uma trilha sensacional, mas funcionou bem no filme, enquanto a câmera passava pela cidade ou quando interagia com os personagens e seus humores. Mas uma canção em especial chamou-me a atenção logo que o filme começou, se não me falha a memória, durante uma panorâmica sobre a cidade-luz: Seize the Day, de Wax Taylor, com participação especial de Charlotte Savary (não confundir com a Charlotte Gainsbourgh).

Eu só fui descobrir quem canta e quem compôs depois que fui ver o site comercial Amazon.com, pois a trilha sonora não saiu aqui no Brasil ainda (se é que vai sair um dia). Mas aqui na minha boa  e charmosa vitrolinha já está disponível para degustação.

Lá vai:

Seize the Day
Wax Taylor – Featuring Charlotte Savary

Hold them close
Petals of a rose
Thorns as well
Friends and foes
Have no fear

Seize the day
I don’t mind whatever happens
I don’t care whatever happens

Let them burn
Things of cotton
Admire the fire
Things undone
There’s applause
There’ll be encores
You’re sincere
That’s what we’re
Have no fear

Seize the day
I don’t mind whatever happens
I don’t care whatever happens

Julho 26, 2009

Beatles Rock Band – Game

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 5:28 pm

Este vídeo aí em cima é o promocional do game Beatles Rock Band que está previsto ser lançado em 9 de Setembro deste ano (09/09/2009). John Lennon ia amar essa data.
O jogo vai rodar em Xbox 360, Wii e PlayStation 3.

 Até onde sei, o game consiste em passar por todas as fases pelas quais os Beatles passaram, desde o início no Cavern Club, em Liverpool , passando por Hamburg – na Alemanha – onde eles adquiriram a tarimba de músicos profissionais, e vai até  o final, em 1970.

O último disco lançado pelos Beatles foi o Let It Be, mas o último gravado foi o Abbey Road, lançado antes. É que o projeto Let It be foi o auge da época de discordâncias entre eles e teve o processo do Paul contra os outros Beatles (para protegê-los de serem roubados pelo Allen Klein, empresário contratados pelos outros 3 naquela fase conturbada). Paul, sempre teve algo de empresário e avisou aos outros que o Klein era pouco confiável e os outros achavam que Paul queria “puxar a sardinha” para o pai da Linda McCartney , advogado renomado nos EUA; Paul teve que processar os outros 3 para indisponibilizar os direitos autorais e tal. Assim, os outros não seriam roubados pelo Klein, numa transação duvidosa, de quem se aproxima deles num momento emocionalmente frágil. John, George e Ringo nunca quiseram saber e nem entendiam nada  sobre os  ”números”, como eles mesmos diziam.

Detalhe: o Klein morreu neste mês em decorrência do Mal de alzheimer.

Cá entre nós: Paul foi frio pra caramba, não? no meio de uma crise com seus  ”irmãos”, ele os processou para proteger o patrimônio dos Beatles que, ironicamente, acabou nas mãos do Michael Jackson após este ter arrematou num leilão os direitos pelas canções, sem deixar Paul na época fazer um lance maior. O Paul cortou relações com Michael por isso.

Bom, mas o post é sobre o game, né?
Então: em Setembro deve sair e o objetivo será passar pelas fases dos Fab 4.  Amei os desenhos. Ninguém deu mais detalhes, mas deve ser algo sensacional como tudo que cerca lançamentos dos Beatles desde sempre.

O clima alucinado e alucinógeno da amostra grátis, na parte que tem as costas elefante que , na verdade, era um chão gramado, é bem uma coisa “Beatle”  e  dá uma idéia do nível do design, do conceito e do projeto como um todo. E as músicas serão originais e não aquele tecladinho midi “sem vergonha”.

Penso que, se houvesse tanta tecnologia  na época do Yellow Submarine, o desenho em 3D seria lindíssimo.
Eu gosto muito de um joguinho chamado SIM CITY, onde a gente constrói uma cidade desde o terreno vazio. Tem que fazer tubulação de água e esgoto, rede de eletricidade, lidar com OVNIS e tufões que surgem do nada  para destruir a cidade que construimos “à duras penas”. Distrai a gente por horas. Um vício medonho, alienante  e delicioso, como tudo que vicia.
Faz um bom tempo que não jogo e nem sei em que versão está, mas o game dos Beatles deve ser tão bacaninha e viciante quanto e estou curiosa.

Julho 13, 2009

Juliette Binoche em dose dupla

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 2:54 am

Hoje acordei com saudades do cinema e pensei em passar o dia no escurinho da sala de projeção. Isso daria uns 3 ou 4 filmes, mas não confio muito em chegar em casa depois de meia-noite num Domingo. Paciência. É a cidade que anda estranha pra dirigir de noite ou eu estou paranóica ou ambas as opções estão corretas. De qualquer forma, deu pra ver dois filmes e entre um e outro, uma paradinha pra comer alguma coisa. Interessante é que no lugar onde fomos, eu e Caloã, tinha umas 8 salas e em duas delas passavam dois filmes diferentes da Juliette Binoche: “Horas de Verão” e “Paris”. Claro que foram esses dois que escolhemos, não só porque sou fã da Juliette, mas porque gostamos de filmes europeus, suas paisagens, luzes e maneira de contar uma estória sem ser previsível o final.
O primeiro filme, “Horas de Verão”, é um tanto quanto boboca. Eu diria que é um filme com moral da história: ” sua mãe sabe que está velha e vai morrer um dia e que os filhos vão se desfazer das coisas materiais porque o tempo urge e a fila anda. Portanto, não se sinta culpado”. Simples assim. Não tem conflito no filme e a “moral da história”,  aí do lado, poderia ser também a sinopse do filme. E a Juliette Binoche está loira. É muito estranho dirigir num  Domingo de noite no Rio e ver Juliette Binoche loira. 
Já “Paris”, é um filme com uma luz linda, umas tomadas legais da cidade (não iguais a tomada da Bastilha…desculpe a piada sem graça e babaquinha, mas foi inevitável…) e  tem a cena do sujeito de meia-idade dançando para a namorada que arrumou, de 18 aninhos. Situação patética, mas a cena foi hilária. Veja aí embaixo.Adorei o ator.
É um filme leve apesar de todo mundo ter problemas e tem uma pitadinha de humor. A moral da história desse filme poderia bem ser: ” todo mundo tem problema afetivos, financeiros e de saúde mesmo na mítica e glamourosa Paris”.  Tem uma cena em que o sujeito está indo pro hospital e vê as pessoas andando nas ruas, personagens do filme resolvendo seus problemas, tocando suas vidas e reclamando das coisas e ele diz que franceses são assim: sempre insatisfeitos, mas tinham que dar valor ao fato de respirarem com saúde e andarem tranquilos pela cidade. Ahhh…mas isso vale para todo mundo e em todo lugar.
A curiosidade do filme, é que a maior parte dos personagens está na faixa dos 40 anos e a personagem da Juliette diz que aos 4o, não é tão fácil arrumar um namorado porque os homens têm medo de mulheres que sabem o quer e eles preferem as mocinhas jovenznhas que são mais desprotegidas. Eu não concordo com isso. Acho que aos 40 você escolhe e não é mais escolhida e não vejo nada de errado nisso. E aos 40, se quem você escolhe  não está a fim de você, isso não faz  de você a criatura mais infeliz do mundo como quando somos adolescentes. Pelo menos, creio eu, que não deveria sentir-se assim. Shit happens…
Enfim, foi bacana o Domingo e a semana vai começar bonita.
Ah sim..queria dizer que na livraria do Unibanco Artplex (em Botafogo)  tem uma livraria imperdível. Vale à pena ir, mesmo sem entrar no cinema,  porque tem um acervo bem bom de livros sobre cinema, história  e vídeos pra comprar e tal.
Outra coisa: a trilha sonora do filme “Paris” é bem interessante. Não fenomenal, mas interessante. Se der, tente uma degustação “de grátis” por aqui na internet.
Abaixo,  cenas do filme “Paris”.

Junho 3, 2009

Poster: A Primeira Noite de um Homem

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 2:08 am
A primeira Noite de um Homem - 1967
A Primeira Noite de um Homem – 1967

  Acho que este foi o primeiro filme do ator Dustin Hoffman e ele está ótimo. A Anne Bancroff ,absoluta em seu talento, como sempre. A trilha sonora de Simon & Garfunkel tem tudo a ver com o filme e acabou que o filme foi um mega ultra sucesso dos anos 60. Inclusive, por mostrar de modo bem explícito uma senhora americana bem casada e respeitável seduzir o filho de um casal de amigos. Coisa meio Nelson Rodrigues e impensável de se falar naquela época numa sociedade americana puritana e, até então, bastante hipócrita, segundo o filme.
É um clássico.
Houveram mais duas versões do poster, mas a que ficou mais famosa, é esta aí de cima.

Maio 29, 2009

Sherlock Holmes em 2010

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 2:58 pm

Dando uma navegada pelos sites de cinema e entretenimento em geral, fiquei sabendo que no ano que vem vai estreiar nos cinemas um filme com Jude Law e Robert Downey Jr sobre o detetive Sherlock Holmes. Direção do ex- marido da Madonna, Guy Ritchie.  Adorei saber, porque sou fã de estórias de mistério  e mesmo sendo o Sherlock Holmes o detetive mais filmado da estória de detetives, não me canso de ver de tempos em tempos o notório detetive inglês ser representado por vários atores diferentes. Nesta versão, Robert Downey Jr será o Sherlock e disse que fará o detetive melhor do que os atores ateriores a ele. Ele é um ótimo ator, então, pode ser…
Vamos aguardar…

Jude Law e Robert Downey Jr

Jude Law e Robert Downey Jr

Maio 25, 2009

O Poster e o Trailer – Alfie – 1966

Arquivado em: Filminhos, Ilustrações — Norma Spagnuolo @ 9:48 pm

Alfie - 1966 (com Michael Caine)

Conforme eu escrevi noutro dia, vou colocar aqui no blog uns posters de filmes dos anos 60. 
Este aqui acima, é o poster inglês original do filme Alfie, com o ator maravilhoso, Michael Caine; o primeiro Alfie, pois há uns poucos anos atrás, fizeram a versão com o ator Jude Law, que apesar de ser muito bom e muito bonito, não tem metade do carisma de Michael Caine.
Nesta versão de 1966, o filme tem música tema de Burt Bacharah e tem no seu elenco a Shelley Winter (do filme O destino de Poseidon, primeira versão – caramba! como tem remake! será falta de bons roteiristas??) e tem a Jane Asher, que era a namorada do Paul McCartney e que veio a ser sua noiva em 1968 (mas quem levou o bonitão pro altar foi a Linda Eastman, em Março de 69).
No canal TCM, da Sky, só passa filmes antigos, que eles chamam de Classic, e é bem capaz de reprisar este clássico do cinema inglês. E o filme é em Technicolor!  
Tem uma cena em que o Alfie está com aquele olhar “que tédio… mulher reclamando” e de repente, na mesma hora, muda para um olhar marejado de lágrimas retidas, como quem pensa:  — meu Deus, o que foi que fiz? que coisa triste” . É a cena em que ele se toca que a menina ingênua que ele seduziu acabou de fazer um aborto caseiro. Ela não era mais uma menina ingênua e sim, uma mulher amargurada e triste. Michael Caine fez essa cena sem parecer piegas e sim como um canalha irresponsável comovido.  O diretor deu close no rosto dele nesta cena e a mudança de expressão no olhar, tão rápida e tocante, foi uma das cenas mais comoventes que já vi no cinema e é esse tipo de atuação que faz parecer covardia comparar a atuação de Michael Caine com a de Jude Law.
Mas enfim, mostrei o poster e abaixo está o trailer também original, para fazer parzinho…
Se um dia passar na TV, não perca!

Maio 24, 2009

Don`t Look Back – Aniversário de Dylan e S.R.

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 12:39 pm
Poster Americano do filme - 1967
Poster Americano do filme – 1967

Hoje, 24 de maio, uma querida amiga faz aniversário e, junto com ela, o Bob Dylan.  Já falei com minha amiga, mas   com o Dylan, não dá. Então, coloco aqui, como homenagem ao poeta-músico-compositor e encrenqueiro americano, o poster original do filme que o diretor Don Alan  Pennebaker fez sobre e com ele, em 1967.
Noutro dia, falei sobre o filme “Não estou Lá” , mas este filme  é uma leitura do diretor das fases do Bob, enquanto que o outro, é um documentário com ele mesmo e Joan Baez estrelando.
Não assisti, mas também não sou nenhuma super fã de Dylan (apesar de parecer que sou). Nem tinha idade o suficiente para ver o documentário, já que tinha 3 anos na época. Mas acho incrível como ele, desde jovem, já despertava curiosidade e vontade nas pessoas de falarem e escreverem sobre ele.
É um ícone americano, falando seriamente sobre coisas americanas. Por isso não temos muita empatia com esse artista, que não prima pela “excelente” voz e harmonias fáceis. Mas enfim, um artista que faz as pessoas refletirem e fez parte dos anos da contra-cultura. Eu  sempre acho vale à pena falar desse povo todo.
Para este post, desencavei do meu baú um livro de posters de cinema dos anos 60 e, aos poucos, vou colocando aqui umas preciosidades maravilhosas para quem se  liga em posters de cinema e cartazes em geral.
Happy birthday, babies!

P.S. Só uma coisinha sobre o poster:
toda a parte em preto, ao fundo, onde está escrito BOB DYLAN e o título do filme,  tá muito ruim. Pois embaixo, o rosto de Dylan, granulado, mostra o cabelinho dele e não dá pra continuar em negrume poster acima sem ficar parecendo que colocaram na cabeça do Dylan um daqueles chapéus de guarda-da-rainha da Inglaterra. Se o artista tivesse cabelo black-power, dava pra harmonizar e justificar  a coisa, mas do jeito que fizeram, ficou muito estranho… 
Se tirar o nome dele e o título, fica a imagem menor granulada e, de repente, um super volume de preto em cima, que se alarga.

Maio 15, 2009

Lá vem Simonal !

Arquivado em: Filminhos, sobre sons, vídeo — Norma Spagnuolo @ 4:26 am

Estava lendo que na sexta-feira vão lançar um filme-documentário sobre o Wilson Simonal. Caramba!  ainda lembro da vez em que subi correndo quatro andares de escada para chegar em casa e ligar o rádio porque estava tocando a música “Mustang Cor de Sangue”, do Marcos Valle, na voz do Simonal e eu amava de paixão louca tanto a voz e o jeito de cantar do Simonal,  quanto as músicas do Marcos Valle. Só não sabia que a maioria das músicas brasileiras que eu gostava na época  eram do Marcos Valle. Vim a saber muitos anos depois.
Eu tinha uns cinco ou seis anos e tenho memória pra música que chega a assustar. Não é que eu seja uma matusalém não, viu gente? ehehe
Mas também, é que lá pelos anos 60, o mundo estava cheio de gente fazendo e cantando e tocando músicas sensacionais. Como não lembrar? E ainda sempre tem umas ondas retrôs, reparou?

Já em meados dos anos 70, Simonal desapareceu. Nunca mais ouvi e também não saí perguntando por ele, mas com surpresa, muitos anos depois, fiquei sabendo que ele e sua carreira haviam caído em desgraça por ter sido acusado de ser informante da polícia da ditadura. Dizem que tudo começou por ele ter desconfiado de que estava sendo roubado pelo contador dele  (poderia ter sido mesmo…) e teria se queixado para amigos da polícia darem um susto no suposto amigo-gatuno. Essa “meia espertice” dele custou sua carreira porque seus inimigos teriam feito deste fato, um pretexto para lançar sobre ele todo tipo de calúnia e difamação até detonar sua, até então, brilhante carreira.
Ninguém vai saber de verdade o que aconteceu, mas sou da opinião de que um negro, nos anos 60, que paralizava as multidões e tinha a voz zilhões de vezes mais bonita e com mais swing do que o Roberto Carlos e seus amigos de Jovem Guarda, que eram alienados e só queriam dinheiro para sair com mulher, comprar carros de luxo e roupas - ideais da classe média tijucana de onde todos saíram-  Esses ideiais, não inventei: Erasmo afirmou que eles não pensavam em ideologia política…nem contra nem a favor da ditadura e só queriam sucesso, carro, mulher e dinheiro.
Simonal também não iria, com certeza, querer saber de ideologia se ele ganhava dinheiro à granel. Era um negro poderoso, de voz deliciosa, numa terra em que até o Pasquim, jornal baluarte da esquerda, chegou a acreditar no que diziam contra Simonal e vemos no trailer o Ziraldo escorregar e dizer que o Simonal se achava “o rei da cocada preta”. mas ELE ERA o rei da cocada branca, da cocada preta e da cocada colorida da MPB naquela época!!! Simonal tinha carisma  e balanço na voz como nunca houve nenhum cantor igual.   Ele era a Elis Regina de calças compridas.
Hoje em dia ele ainda suscitaria invejas mil nesse nosso país ainda tão preconceituoso sobre tantas coisas…imagina naquela época? um negro fazendo um sucesso tão grandioso a ponto de cantar com Sarah Vaughan, que estava no auge.
Tom Jobim disse numa entrevista que fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal. Isso, o Tom, cabelo liso, pele branca e oriundo da zona sul do Rio. Imagina ser Wilson Simonal.

Aliás, nenhum membro da classe artística , que hoje diz ter sido amigo dele foi em sua defesa . Todos tiraram o seu da reta. Será medo dos “homi” da farda verde?

Estou curiosa para ver esse documentário. E que a alma de Simonal esteja em paz aonde quer que esteja.

Abaixo, o trailer do documentário.

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