909 Noites Insones

dezembro 28, 2010

O livro de Patti Smith: Só Garotos

Filed under: Biblioteca — Norma Spagnuolo @ 10:58 pm

  Taí a capa do ótimo livro da sacerdotiza do punk, dama do rock ou simplesmente Patti Smith. Li quase num fôlego só e não podia ser diferente porque a moça escreve muitíssimo bem. Vai contando com calma e objetivamente a estória dela e do seu amor-amigo-irmão, o fotógrafo Robert Mapplethorpe.
Começa o livro dando uma idéia de sua cidade natal, sua família e como resolveu que um dia iria se tornar artista. Depois, sua ida para New York e as agruras pelas quais passou até conhecer Robert.
Não que as agruras tenham passado ao encontrar Robert, pois ele também era um rapazinho que como ela queria ser artista mas, desde então, passaram a compartilhar as agruras de cada um.
Não é fácil ser “alguém” no mundo das artes (nem em outros mundos, eu acho), mas seja em que mundo fôr, sem ter dinheiro, formação, nome, sobrenome e padrinho, a coisa complica mais ainda e o que a gente vai confirmando  é que tendo, ao menos, um grande amigo do lado, o que era desesperador passa a ser apenas muito difícil com momentos muito bons.
A narrativa de Patti é objetiva, sem grandes sentimentalismos embora a gente vá percebendo muita doçura na sua personalidade enquanto ela nos conta a trajetória deles de muita luta, paciência e perseverança.
Curioso é que quando vemos fotos suas, a gente imagina que Patti é uma pessoa (ou teria sido quando jovem) agressiva, porra-louca, “sequelada’ e coisas desse tipo, mas não era. Sua loucura, se é que havia, consistia em perseguir seu sonho e ser espontânea ao usar as roupas e o cabelo como bem pretendia (e como o dinheiro dava).
Fiquei bem emocionada com a estória desses futuros ícones artísticos que viriam a tornar-se - ela, compositora, escritora, cantora e de vez em quando desenhista e ele, fotógrafo.
Ela ainda está aí, sobrevivendo à morte de seu amigo Robert em 89 e também do seu marido Fred “Sonic”  Smith uns anos depois.
Ela não fala da morte de Fred, por quem ela abandonou sua tão sonhada carreira de artista, mas sabe-se que ela o amava muito e após sua morte, ela teve que voltar aos palcos para sustentar seus dois filhos.
Patti Smith é discretamente doce, mas antes de tudo uma guerreira inteligente, culta e sensível que vem sobrevivendo à perdas sem deixar de conquistar reconhecimento pelo seu trabalho.
Este livro, “só garotos”, ganhou o prêmio de melhor livro editado em 2010 nos USA e não foi à toa. Apenas não gosto do título em português, pois acho que a tradução adequada para o Brasil, dentro do contexto que ela explica, seria “só crianças”. Uma bobagem, um detalhe…
Livro bonzão !!

dezembro 23, 2009

Livro: Minha Fama de Mau – Erasmo Carlos

Filed under: Biblioteca — Norma Spagnuolo @ 4:21 am

Não faz muito tempo, acabei de ler o livro do Erasmo Carlos que tá aí ao lado: “Minha Fama de Mau”.  Não chega a ser propriamente uma biografia, mas também não deixa de ser totalmente. Ele conta passagens de sua infância na Tijuca, sua amizade com o Tim Maia, que também era da Tijuca e entregava a comida que sua mãe fazia,  na casa do futuro parceiro de Roberto. Tem bastante casos divertidos e não pude deixar de rir quando li a passagem em que ele disse que estava gritando desarvorado na bicicleta por causa de um tiro que foi disparado num jogo de futebol de várzea que ele foi assistir e acabou engolindo um inseto (ele disse que era besouro, mas besouro é meio grande e então, acho que ele se enganou…).

Conta sobre a passagem dele por São Paulo, onde morou no tempo em que gravava um show da Jovem Guarda, aos Domingos. E um pouco sobre sua eterna Narinha, os filhos e sobre seu processo de criação com Roberto e sozinho. Ah, sim: e a gente tem uma idéia de como era a tal Jovem Guarda e tem-se uma idéia da força daquele movimento musical que, normalmente, associamos à alienação política.

Enfim, um livro leve para entreter em tempos de férias, quando a gente põe os pés pro alto e descansa até cansar disso.

novembro 29, 2009

Prazeres e Desprazeres no Trabalho

Filed under: Biblioteca,Papinho — Norma Spagnuolo @ 5:13 pm

Acabei de comprar este livro do escritor suiço radicado no Reino Unido, Alain de Botton. Fiquei interessada em lê-lo porque, além de eu me interessar sobre esta questão do prazer (e desprazer) no trabalho, li a matéria que o jornal o Globo fez neste mês com o autor. Na matéria em questão, Alain disse coisas interesantes, que só fizeram aguçar minha curiosidade e deu para entender porque o moço tem até fã clube e poster pregado nas paredes de quartos de uns jovens lá pela Inglaterra. Ele é atual e vai fundo nas questões sem ser chato. Sua facilidade de comunicação e de expôr ao mundo temas espinhosos, polêmicos, de maneira a clarear as idéias do leitor, assim como quem toca com dedos de veludo no inconsciente coletivo,  faz com que lê-lo seja um prazer.
Abaixo, umas declarações suas que considero instigantes e que me chamaram a atenção para este seu novo livro :

” Muitos de nós caem de paraquedas em empregos que não necessariamente requerem nossa preciosa habilidade”.

De fato, quantos de nós fazemos atividades que não têm nada a ver como nossas habilidades naturais porque desde cedo nos foi dito que precisamos ter um trabalho que nos sustente e quase sempre não havia modo de entrarmos na nossa área de habilidade na ocasião em que nossa necessidade de pagar as contas era mais forte do que a  possibilidade de achar algo na nossa área ?
Principalmente, quem nasceu no Brasil nos anos 60 e passou a adolescência sob um estado de ditadura, onde não havia incentivo nem respeito aos adolescentes e jovens em formação, as pessoas não tinham crédito educativo e estudar na faculdade era para ricos (não é muito diferente de hoje em dia, mas já existe ENEM, cotas disso e daquilo).
Era uma época de forte “quem indique” e se você não conhecia as pessoas certas na hora certa, ia ter que pegar o que aparecesse, pois havia uma inflação madrasta que colocava os jovens entre a necessidade e a vocação, ainda mais quando o jovem em questão tinha pendores artísticos, área conhecida por muito tempo como área de elite e para elite. Tava lascado: nas camadas mais simples ele  seria chamado de indolente, vagabundo ou jovem-problema.

Independente do contexto brasileiro, latino ou sul-americano, ainda tem o fato de que jovens ficam indecisos em qualquer continente e a falta de orientação familiar prejudica um bocado e isso não é incomum também.

O que se criou, foi um estado de coisas em que as pessoas entram no mercado achando que devem ser felizes fazendo o que odeiam porque se espera isso delas: a felicidade estampada no rosto por ter a dignidade de se sustentar mesmo às custas de sua frustação profissional, que leva a um vazio existencial. É cruel.

Alain de Botton menciona esse fato na frase:

” Temos grandes expectativas de que precisamos ser felizes trabalhando e que o trabalho deve estar no centro de nossas vidas e aspirações, A primeira pergunta que fazemos a novos conhecidos não é de onde vem, mas sim o que eles fazem”.

Pois é…se a pessoa têm alto cargo numa multinacional e vive à base de Prozac, tudo bem. Se  a pessoa vive em paz de espírito, com sorriso no rosto  sendo um operário numa fábrica de rolhas ou em escritor não publicado, então é um perdedor na vida, sem futuro e medíocre. Ter é mais importante do que ser e isso é grave como já dizia o psicanalista Erich Fromm * anos e anos atrás.

Quando o sujeito é feliz sem rios de dinheiro, diz-se que é um alienado, um sujeito à margem da sociedade, um sonhador ou um artista (que gera um certo status de pessoa “alternativa”).  Ao mesmo tempo, as revistas vivem dando dicas de temas holísticos sobre como viver bem, ser mais zen e toda essa coisa para a classe média assimilar e sentir-se mais culpada por não conseguir atingir a “iluminação”.
É uma merda: tenha dinheiro, uma casa na praia, um Audi na garagem  segurança e seguro de vida  e seja zen. Mas ninguém diz na revista seja o que vc quiser, faça o que você gosta, viva com o mínimo para se sutentar e seja zen.

Particularmente, acho muito complicado ser feliz num emprego onde cada vitória sua, cada idéia bacana, cada atitude positiva na empresa e bem aceita seja alvo de inveja, de “bola nas costas”, de olhares de desdém. Não me adaptaria a isso nunca porque me enche mortalmente a paciência disputar cargos ou atenção de diretorias. Sou da praia dos sonhadores, que preferem dormir em paz sem a ajuda de um Rivotril.

Acredito que tudo tem um preço e cada um sabe seu limite e o quanto custa chegar até o tal limite.
Aceitar desafios faz parte em qualquer atividade e é saudável, mas vender a alma fazendo algo que odeia por dinheiro e status, só gera problemas e torna as pessoas exigentemente insuportáveis com quem é feliz sendo simples.

O livro de Alain de Botton aponta para essa questão do trabalho numa época em que o planeta passa por modificações energéticas, espirituais, e nada mais adequado do que refletir sobre o que nos fazem felizes e o quanto podemos fazer pela nossa felicidade sem nos violentarmos por ela, pois seria um conta-senso, como é o caso de ter trabalho de altos salários às custas de uma existencia miserável que nos torna seres doentes que adoeceriam aqueles que convivem conosco.

Não creio que importa se você ganha muito dinheiro ou pouco, mas sim se você está feliz ou, ao menos, satisfeito consigo mesmo e sua atividade.  Quantos desequilíbrios são gerados pelo fato das pessoas fazerem o que odeiam em nome da necessidade de sustento e de agradar as pessoas ?

De Botton  é uma leitura imprescindível para os dias de hoje.

* Erich Fromm = Influenciado por Freud e Marx, Erich Pinchas Fromm é considerado um dos principais expoentes do movimento psicanalista do século 20. Dono de uma carreira controversa e polêmica, Fromm estudou principalmente a influência da sociedade e da cultura no indivíduo. Entre os seus muitos livros, destacam-se “O Medo e a Liberdade”, “Ter ou Ser ? ”  e “A Arte de Amar”. Para o psicanalista, a personalidade de uma pessoa era resultado de fatores culturais e biológicos, o que contrastava com a teoria de Freud, que privilegiava, principalmente, os aspectos inconscientes do psiquismo.

agosto 9, 2009

Áudio-Book: Nosso Lar

Filed under: Biblioteca,Dicas,utilidade — Norma Spagnuolo @ 2:29 pm

Nosso-LarPara quem vive parado no trânsito e não tem muito tempo para ler um livro, a vida ficou mais fácil com o surgimento dos audio-books.
Este aqui do lado, é o Nosso Lar, obra clássica do André Luis e que li anos atrás, num tempo em que jamais pensei na possibilidade, sequer, de um dia existir um áudio-livro. Mas eis que chegou a modernidade e trouxe com ela essas tecnologias bacaninhas, que facilitam a vida dos ensandecidos e atormentados seres humanos aprisionados em engarrafamentos.
Nosso Lar é o livro em que André Luís conta sua trajetória desde o desencarne. Conta como foi passar uns  tempos no umbral e por quais razões foi parar lá e  como conseguiu sair. Isso, numa época em que nenhum livro de língua portuguesa havia sido escrito nesse sentido, com tantos detalhes. Um clássico espírita que, com certeza, além de impressionar muita gente (como a mim mesma) ajudou a doutrina espírita a ser o que é hoje, tão conhecida e desvencilhada da imagem de coisa mágica, encantada.  Ou seja, mostra que a relação dos encarnados e desencarnados é bem mais corriqueira do que se imagina e a morte é , de fato, apenas uma travessia de um plano para outro, onde o que fazemos e  somos cá por estas bandas, não será esquecido e nem deixaremos de ser, por lá.
Enfim, é um livro recomendado pra quem tem tempo de parar um pouquinho para ler um ótimo livro e um áudio-livro excelente para quem não tem esse tempinho ou para cegos que ainda não conhecem os livros do espírito André Luís e querem conhecer este ótimo autor espiritual.

julho 28, 2009

Faz Parte do Meu Show – O Livro

Filed under: Biblioteca,Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 5:31 am

vvitDesde semana passada que não toquei nenhum som, mas isso se deu por causa das preocupações e cuidados com meu cachorro Pepe, amigão de 13 anos, que tá tão doentinho.  Mas tenho lido e enquanto não durmo, observando-o,  estou lendo um livro psicografado de um artista que não assina, mas é tão óbvio de quem se trata que ele nem precisa assinar mesmo. O medium que psicografou se chama Robson Pinheiro, medium para autores espirituais de  muitos livros ótimos e autor de uns outros bem bacanas também. No meu singelo blog de livros universalistas – http://livrosuniversalistas.wordpress.com –  falo de duas de suas obras mais conhecidas e falarei de outros livros seus, mas o post aqui é sobre o livro interessante: Faz Parte do Meu Show e o espírito que passou o livro pro Robson, é o “exagerado”.  Alguém desconhece quem é? sim, o Cazuza.

Está creditado como organizador do livro, o espírito Angelo Inácio, que o Robson psicografa com certa frequência.  Fui ler por curiosidade e até com certa incredulidade, para ser sincera (mesmo sendo espírita convicta e sendo leitora das obras psicografadas pelo Robson Pinheiro). Pensei que alguém poderia estar usando o nome do Cazuza, ou mesmo que o Robson pudesse ter-se enganado…sei lá…só sei que tentei ignorar o apelo de ler um livro supostamente psicografado por uma dos poetas-músicos que mais influenciou minha geração. Pensei também que era muito cedo pra Cazuza escrever e, como a imensa maioria dos espíritas, também imaginei que seria bem provável ele estar no umbral, devido a forma como ele abusou de seu corpo físico por causa do excesso de sexo, drogas e roquenrou. Não por moralismo. Não é isso. Apenas porque, segundo estudamos, se fazemos mau para nosso corpo, ele fica debilitado e o perispírito comprometido e, sem estarmos bem, é difícil a locomoção, lucidez e também permissão para comunicar-se com amigos, parentes e etc, aqui na Terra.

Naturalmente eu, que estava na faixa dos 20 anos nos anos 80, época em que dizíamos que “era melhor viver 10 anos a mil do que mil anos à 10″ (frase do Lobão seguida à risca pela minha geração), não posso jogar pedra no telhado de ninguém, encarnado ou desencarnado e desconfio que é muito provável que, ao sair daqui, eu passe por um certo estágio lá na região umbralina.  Não me iludo. Mas vou pro umbral pelos meu erros assumidos e não por querer mostrar ser melhor do que sou. Hipocrisia não tem argumento. Sempre fui espírita, mas espírita não é querubim e pisa na bola (e no meu caso, ainda falo palavrão).

De qualquer forma, o livro é surpreendente e me deixou de queixo caído, como só havia ficado ao ler “Nosso Lar”, do André Luis, psicografado pelo Chico Xavier. 
Mas eu não deveria ficar tão surpresa com as coisas que Cazuza diz no livro sobre, por exemplo, durante um show no umbral, para os samaritanos ajudarem os espíritos necessitados, ele ter visto no telão uma paisagem linda de praia, que quem assistia, sentia o cheiro da maresia, o calorzinho da praia e a brisa do mar. Ele disse que é uma tecnologia que ainda não chegou na Terra. Mas lembrei da reportagem do Fantástico, no Domingo, em que uma moça sente cheiro e gosto da música e ainda vê a forma da música… e ela é a única pessoa no mundo com essa faculdade.Os neurocirurgiões dizem que as  partes do cérebro responsáveis pelos sentidos, no caso da moça, essas partes interagem entre si provocando esse efeito. Deve ser o mesmo princípio usado pelos engenheiros espíritas para produzirem filmes que provoquem interação entre os sentidos dos seres espirituais, que não têm o obstáculo de uma caixa craniana e um cérebro material. 

Enfim, achei o livro verossímil. E acho que tem muita lógica  o fato de  ídolos aqui do planeta, como Cazuza, Renato Russo, John Lennon, etc, ao chegarem noutro lado sejam artistas, mas não celebridades, que é vaidade desnecessária aqui do planeta, em que bajular e manipular geram recompensas financeiras ou algum tipo de poder, que num mundo espiritual superior nao são necessários  nem almejados.

Faz Parte do Meu Show, o livro, vale à pena ler. Mesmo quem não é espírita, vai gostar da narrativa fácil e se surpreender com as coisas que ele conta.

Na minha vitrolinha de hoje  vou tocar “Eu Queria Ter uma Bomba”, de Cazuza, em homenagem a esse sujeito tão carismático, sensível e inteligente.
Uma letra sensacional que fala sobre solidão a dois, que é uma das formas mais mesquinhas de convívio, quando não se é feliz e nem deixa o outro livre para ser. E ninguém tem coragemde ser o primeiro a dizer adeus.

Música : “Eu Queria Ter Uma Bomba”
Cazuza


Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz “já foi” e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio, mas no fundo eu nem ligo

Você sempre volta com as mesmas notícias…
Eu queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer
pra poder me livrar do prático efeito
das tuas frases feitas,
das tuas noites perfeitas

Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz “já foi” e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em homicídio, mas no fundo eu nem ligo

Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba,
um flit paralisante qualquer pra poder te negar
bem no último instante.
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê

SKOOB: livros para compartilhar

Filed under: Biblioteca,Dicas,Papinho — Norma Spagnuolo @ 3:30 am

Não faz muito tempo, descobri o SKOOB , um site onde a gente coloca a capa do livro que lemos e podemos escrever  a resenha ou uma  crítica e  ainda colocamos quantas estrelas achamos que o livro merece. Podemos também pôr a o livro na categoria dos  livros que queremos ler futuramente. A gente monta a nossa estante e deixa lá para as pessoas verem e lerem nossa crítica ou nossa resenha.
Para colocar a capa do livro na sua estante, lá no site tem o box de “procura” e basta digitar o título do livro ou o autor para que o mecanismo de busca procure pela internet afora a imagem da capa. Então, é só marcar “adicionar” e a capa estará na sua estante, como se fosse um livro virtual ( não dá para folhear, mas isso seria pedir muito, pois tem a questão dos direitos autorais, certo?).

O site organiza os livros que você já leu, que está lendo e os que ainda pretende ler. Eles lá têm muitos  livros cadastrados, mas se você não encontrar algum, poderá cadastrá-lo desde que informe título, autor, edição e sinopse. Não pode é duplicar o livro, senão vira bagunça no banco de dados.

No Skoob você também encontrará resenhas e avaliações, além de novos talentos com livros já publicados.

É um site de livros, mas creio ser possível fazer e reencontrar amigos também, como num de relacionamentos feito o ORKUT.
Para quem gosta de compartilhar opiniões, sugestões, críticas e quaisquer idéias sobre livros  é tudo o que se quer.
SKOOB é o contrário de BOOKS e a idéia é muito boa.
Eu adorei o site porque adoro poder saber o que meus amigos estão lendo e de trocar idéia sobre o livro. Ainda não tenho amigos lá, da minha caixa de e-mails, mas te, tempo porque acho que  o site vai crescer muuuito.

Convido a todos os meus queridos amigos e amigas notívagos das 909 noites insones a conhecer. É 10000.
A minha estante é essa:  http://www.skoob.com.br/meus_livros/estante/23732

junho 1, 2009

O Período Entre Guerras

Filed under: Biblioteca — Norma Spagnuolo @ 1:13 am

Livros

Não sei bem quando, mas não faz muito tempo atrás, li o livro do Hemingway : “Paris é Uma Festa“. Um livro em que ele conta como foram os anos em que ele morava com a esposa numa Paris culturalmente efervescente, quando ainda não  era famoso e sim um aspirante a escritor. Isso, lá pelos anos 20, antes da II Guerra Mundial, quando muitos ricaços e pessoas da classe média  fugiam do puritanismo  americano  excessivo da época e também da lei seca para viverem lá, encorajados pelo câmbio favorável de 1 dólar valendo 50/ 55 francos.
Estavam lá,  a excêntrica colecionadora de arte e escritora  americana Gertrude Stein e sua esposa submissa e exímia cozinheira Alice Toklas e o escritor John Scott Fitzgerald ( “O Grande Gatsby”) igualmente acompanhado de sua cara metade, Zelda . Tinha o Pablo Picasso, Ezra Pound, Modiglianni (que morreu em Janeiro de 1920), Jean Cocteau, James Joyce , Matisse, Braque e vários outros pintores e escritores.
Eu gosto muito de ler coisas sobre esses artistas, dessa  época,  inclusive aqui do Brasil, onde paralelamente, houve também uma certa inquietação e movimento com a Semana de Arte Moderna em São Paulo, 1922. Acho que devia ser como os anos 60, mas num período entre guerras. 
Anita Malfatti foi a Paris por conta de uma bolsa de estudos e voltou ao Brasil em 1928. O Monteiro Lobato havia esculachado com a obra dela  publicamente pelo jornal e ela ficou bloqueada um tempo, mas o amigo Oswald de Andrade foi em sua defesa e com ela e outros formou o grupo dos 5.
Enfim, o mundo estava mudando e acho que é uma época bacana de se estudar. E por isso comprei esse lançamento de agora a pouco: “Os Exilados de Montparnasse“, de Jean Paul Caracala. É quase um complemento do livro de Hemingway, só que é  jornalístico e não biográfico. Muito bom. O texto flui e tem mais leveza, pois embora o Hemingway não tenha poupado um ou outro conhecido, ele não queria fazer um relato sobre as pessoas e sim sobre suas impressões da época e de sua própria vida nesse contexto. Já o livro do Caracala fala sobre quem é quem e fez o quê e de que maneira. Tudo isso dentro do contexto histórico. E ainda cita um ou dois casos que o próprio Hemingway tinha comentado em seu livro e, portanto, é outra visão da questão.
Em tempo: li um livro  sobre a vida de Gertrude Stein, pois ela criou muita fama e eu queria saber quem era essa espécie de matriarca do modernismo; ela era amiga de Picasso e de toda a rapaziada dessa época , que visitava sua casa aos Sábados á noite. E ela era uma pessoa que, de fato dá um livro porque era uma mistura de carisma e inteligência com prepotência e presunção. Mas é um livro que se lê com palito nos olhos. Saiu um novo sobre ela e depois, se for bom, indico.
Picasso  visitou Gertrude 80 vezes para fazer um retrato dela e eles eram amigos. Ela e seu irmão tinham na parede de casa, pelo menos uns 100 milhões de dólares em quadros, mas na época os pintores eram apenas uns novos expoentes e os irmãos pagavam uns 500 francos por quadro. Faro fino.
Mas enfim, eu recomendo esses livros como um entretenimento bem bom.

abril 22, 2009

Dias de Comemorações

Filed under: Biblioteca,Filminhos,Papinho — Norma Spagnuolo @ 1:44 am

Hoje : feriado de Tiradentes, abertura oficial do ano da França no Brasil e também de lembrar e lamentar os seis milhões de judeus mortos pelos nazistas durante a II Guerra Mundial. Não morreram apenas judeus,  como também foram assassinados os intelectuais e militares alemães que não concordavam com o pensamento e atitudes de Hitler. Morreram também ciganos e gays. Enfim, aquele sujeito malévolo que era vegetariano, não bebia álcool e gostava muito de animais e  crianças, conseguiu causar sofrimentos sortidos e à granel.
O que resta à humanidade, quando se vê estes exemplos de sandices, é tentar aprender com a história. Neste caso, em particular, penso que a lição principal é: qualquer tipo de radicalismo levado à cabo por um homem ou um grupo, é uma coisa perigosa. Não importa se a ditadura/ fanatismo / ideologia (qualquer nome desses serve) é de direita ou do proletariado (como a de Hitler). O fato é que sempre favorece uma casta / tribo / classe / em detrimento da maioria e o resultado costuma ser desastroso, no mínimo e pavoroso, no máximo.
Sempre gostei de História  e tenho umas coisas, tipo: livros e  documentários sobre a II Guerra Mundial e sempre que podia, via filmes sobre o assunto. Agora vejo pouco, mas o Tom Cruise esteve no Brasil lançando “Operação Valquíria”. Vi a primeira versão deste filme de 2004, se não me engano, e foi muito bom. Trata -se de um filme  que fala sobre um nobre, Carl von Stauffenberg, que era um dos  coronéis de Hitler e junto com outros oficiais de alta patente, conspirou para assassinar Hitler em seu bunker.
Outro filme bom pra caramba (pra quem gosta do gênero)  foi ” Os 12 Condenados” que “fala” sobre 12 sujeitos aliados que já estavam condenados à prisão ou pena de morte e a única chance terem possibilidade de perdão, seria arriscarem-se numa missão ultra-perigosa, entrando num lugar infestado de nazistas de alta patente, que num momento de descontração com moças, num castelo de “recreação”, seriam pegos de surpresa e mortos e isso geraria uma baixa importante, considerável, na  intelligentsia alemã. Filminho antigo, mas com uma constelação de atores bons trabalhando juntos.
Inconfidência: Li um livro psicografado por Tomáz Antonio Gonzaga, que contava as coisas todas sobre o desenrolar da Inconfidência Mineira. Livro este que me fez chorar feito um baby quando chegou na parte em que ele narrava a morte da sua amada Marília (codinome poético e amoroso da namorada de Tomáz, que assinava  cartas de amor para ela sob o codinome Dirceu). Marília morreu velhinha, numa ladeira em Outro Preto, conversando com sua dama de companhia de toda a vida, que era tão velhinha quanto ela. Ela falava sobre Tomáz e mostrava para a dama de companhia a janela por onde ele acenava para ela, quando ela passava por lá, quando era mais jovem. Então, de repente, teve o infarto fulminante e foi pro outro lado.
Eu não esperava, naquele momento da leitura que ela morresse. Chorei que parecia que eu tinha perdido minha melhor amiga, minha mãe, sei lá.  Que nem quando morreu o Pedro Arcanjo, do livo ” Tenda dos Milagres”, de Jorge Amado. Chorei feito uma viúva. Um sofrimento.
A diferença é que Marília existiu de fato  e ajudou bastante os inconfidentes; foi uma mulher além da sua época e nenhum livro de história oficial lhe faz jus. Pedro Arcanjo é um ser ficcional, apesar de adorável em sua doçura e vivacidade.
Ah, o livro de Tomáz Antônio Gonzaga, é: “Confidências de um Inconfidente”.  Ainda que não se acredite em vida após a morte, em reencarnação e espíritos, recomendo a leitura  da mesma forma, pois na pior das hipóteses,  se não fosse verdade, seria uma estória eletrizante e muitíssimo bem contada.
Os inconfidentes foram influenciados pela Revolução Francesa e seu ideal de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Por isso, hoje é o dia da abertura oficial do ano da França no Brasil e terminará  em 15 de Novembro de 2009, dia da República. O lema “Ordem e Progresso” também é de inspíração francesa, de um positivista francês chamado “Auguste Comte”.
Eu ia dar uma volta lá na Lagoa pra ver os fogos e tal, mas  passei por lá  quase ao meio-dia e o trânsito embolou por causa de bolsões de água que se formaram em alguns trechos por causa das chuvas que caíram e eu pensei que ,de noite, podia ficar pior  e resolvi ficar aqui no aconchego quentinho do meu lar.
Amanhã comemora-se o “descobrimento” do Brasil e depois de amanhã, tem toque de alvorada, dia de São Jorge, soldado que se converteu ao cristianismo. Tem bairros em que as pessoas terão que dormir de tampão nos ouvidos…mas eu não me incomodo porque de manhã cedinho durmo como um fóssil jurássico embaixo de uma pedra numa caverna.

confidencias

abril 18, 2009

Dia Nacional do Livro Infantil

Filed under: Biblioteca,Papinho — Norma Spagnuolo @ 3:06 pm

Diz-se por aí que hoje é o Dia Nacional do Livro Infantil mesmo tendo sido comemorado o Dia Internacional do Livro em 02 de Abril. Ou seja, em Abril, duas comemorações pelo mundo dos livros.
Diz-se também que esta data, 18 de Abril,  foi escolhida pra Dia Nacional do Livro Infantil por ser aniversário de Monteiro Lobato.
Sinceramente? não acho que tenha a ver, não. Podia-se comemorar o dia nacional do livro infantil no dia internacional do livro. Por que não?

Eu acho que M.Lobato ia ficar bem mais feliz se instituissem a data de seu aniversário como sendo o dia da fruta ou dia da floresta brasileira, onde se faria pelo Brasil afora uma série de eventos culturais e também ecologicamente corretos, como workshops sobre reciclagem de lixo caseiro, melhor aproveitamento dos recursos hídricos, mutirão para limpar algum lugar sujo, etc. Monteiro Lobato tem mais a ver com essas coisas e, inclusive, era muito preocupado com a questão do petróleo, tendo comprado briga com o governo federal na época e tudo, por causa disso.
Eu disse  ”dia da fruta” ?  nossa !  que legal isso ia ser!
Bom, mas o Monteiro…Monteiro Lobato escreveu sobre essa coisa deliciosa que temos aqui no Brasil de dar valor a uma conversa na cozinha, a andar de pé no chão, a subir numa árvore e sentir o cheirinho bom de um bolo esfriando no parapeito da janela e a gente fala alto pro dono da casa ouvir  — “mas tá muito bom o cheirinho desse bolo!” .

Mas tudo bem. Hoje é dia do Livro Infantil e eu lembro do Guto Lins sempre que se fala em livro infantil. Não o conheço pessoalmente, mas tenho um livro dele que trata sobre o assunto ( “Livro infantil ? – projeto gráfico / metodologia / subjetividade “)  e ele sabe muito bem do que fala. Um dos nomes fortes do panteão do design editorial no Brasil.
Também lembro da Bruxa Onilda, personagem criada por Roser Capdevila e E. Larreula. Existe um monte de livros desta bruxa bem bacana. Certa vez, numa livraria, paguei o mico de rir muito folheando um dos seus livros. É para crianças, mas tem adulto que também se diverte…

dupla

abril 9, 2009

Filed under: Biblioteca,reflexões — Norma Spagnuolo @ 6:56 am

” …Vou lhe dar umas idéias que você vai considerar petulantes, mas peço que pense nelas. Não vêm de uma mocinha tola e sim de uma mulher que já andou pelo reino das sombras e voltou.
    Não tenha pena de si mesmo. Você não é vítima de nada. Você diz que ficou chocado ao perceber que tinha “perdido o bonde porque não estava preparado, não estava atento aos sinais“. Então saia desse distanciamento, mergulhe de cara, entregue-se. Se for preciso, dê um salto mortal: pode ser uma última oportunidade.
     Mudar é difícil, ousar mais ainda. Eu sei. Houve momentos em que ao acordar pensei:
    “Posso viver ainda uns vinte ou trinta anos na situação em que estou agora. Quero continuar como estou?” No mínimo, uma nova postura interior dependia inteiramente de mim: o resto viria por acréscimo. Nem sempre o realizei. Nem sempre acertei. Porém, mexer-se é melhor do que continuar na areia movediça na qual quanto mais ficamos, mais estamos presos.  “
      Em geral, as coisas práticas que podemos fazer para inovar são simples…”

Trecho do livro “Perdas &  Ganhos”, de Lya Luft  (páginas 122/123)  - Editora Record

Pois é…morrer em capítulos dói mais…

 

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