Papo vai, papo vem, me perguntaram se eu vou ver o filme Amanhecer. Não vou. Não vou porque não gosto daquele rapaz que faz o papel do vampiro e nem acho interessante ver a disputa de um vampiro com um lobisomem por uma menina tão indecisa. Assisti os episódios pela TV e achei muito pouco provável que uma garota daquelas fluísse tão em paz entre os dois clãs, que a protegiam um do outro. Coisa mala, isso.
Lembro de quando vi Entrevista com o Vampiro e fiquei aburdamente impressionada com a cena dos vampiros sugando o sangue de uma voluntária para a cena de teatro e o público achando a cena maravilhosa, realista no que eles supunham ser apenas uma simples cena. Coisa punk ! demorei a dormir e tudo ! Esse tipo de coisa da Anne Rice, autora do livro, é que fez da saga do Lestat o sucesso que foi na ocasião, lá pelos anos 90 que, por sinal, achei vampirescos mesmo !
Vampiro me dá medo e acho que é porque viajo nas metáforas vampirescas com pessoas reais de energia extremamente ruins. Digo isso porque tem gente que vai chegando com graça e calma na vida da gente e a nosso convite, vai adentrando na nossa casa, nossas idéias, nosso dia à dia e quando você vê, mais cedo ou mais tarde, te coloca pra baixo, te manipula, faz você se sentir culpada caso não ceda a todos os caprichos e vontades e mesmo reclamando de você, não te deixa ir embora, podendo ficar bastante agressivo (a) caso você queira partir. Tem gente vampiresca que não tem inveja do que você tem e sim do que você é e assim, se apropria de suas frases, suas idéias e suas coisas na mesma proporção em que te assedia moralmente, te faz perder a auto-estima aos poucos, tira sua motivação e iniciativa para fazer coisas novas e quer lhe manter ali no território conquistado e que busca manter estático e sem visitas & novidades a todo custo, como quem monta guarda na porta da prisão. Vai me dizer que vampiro é bacana só porque sabe seduzir e manter um tempo de cortejo cintilante ?
Na música também é assim, vampiro vai, vampiro vem. Rita Lee cantou o doce vampiro e o Concrete Blonde lançou um disco inteiro sobre o tema, em 1990. O disco está sendo relançado este ano e se chama Bloodletting e tem até bônus em comemoração aos 20 anos de seu lançamento. Meu lado roquenrou gosta muito desse disco de sonoridade ótima e letras bem boas, intimistas e de quem sofre mesmo. Não é um disco feliz, claro, mas não é tão escuro. Fala de coisas que machucam e, por exemplo, Beast compara o amor com uma besta feroz, que nos deixa nocauteados, em frangalhos. Aliás, sobre esta música, a entrada da guitarra no início, é uma das coisas mais furiosas e belas que já ouvi numa entrada de guitarra. Entra mesmo feito um amor desembestado na música. Conceitualmente, é um discão também e não tem nada da baba adocicada que querem atribuir aos vampiros, estes seres “por fora, bela viola e por dentro pão bolorento”.
Vou deixar aqui em baixo o vídeo feito em 1990 para a música tema do vampiresco disco Bloodletting, com Concrete Blonde.

