No dia 2 de Outubro, teve uma pré-estréia do documentário “Living in the Material World”, sobre o ex-Beatle George Harrison. Isso significa que deve aportar cá por estas bandas lá pelo fim do ano. E como boa fã dos Beatles e de George, estarei na poltroninha comendo pipoca, curtindo o show.
George não foi um Beatle mero coadjuvante entre dois egos imensos como Paul e John. Além de excelente guitarrista, melhor do que John Lennon, segundo o próprio Lennon, George era um sujeito doce, mas com muita atitude. Tinha o humor tão ácido quanto o próprio Lennon e era tão trabalhador quanto McCartney. Conta-se que ele foi o único a manifestar a insatisfação com o fato de Lennon levar a Yoko para as sessões de gravação. Foi lá pra perto do John e da Yoko e falou na cara de ambos que aquilo estava inibindo a produção do grupo ( se isso é certo ou errado, é outra questão), mas ele teve peito de dizer o que ninguém tinha coragem de fazer, com medo de cair na porrada com Lennon, que era muito agressivo. Não falou pelas costas. Dizem também que chegaram a sair na mão, mas isso nunca foi confirmado por nenhum dos Beatles. George também caiu na porrada com um cara que entrou em sua casa armado de uma faca, uns anos antes de desencarnar. O larápio foi preso e George foi para o hospital com corte na mão.
Da mesma maneira, George ficava muito nervoso com a Beatlemania e cada vez mais detestava ser um Beatle, tanto quanto Lennon.
Sua produção musical foi melhorando e aparecendo, se impondo aos poucos à medida que ele, o mais novo do quarteto, ia amadurecendo com artista e homem.
George era ousado e como tal, lançou um álbum triplo na sua primeira experiência como artista solo. isso mostrava como ele tinha material cortado pelos parceiros Lennon & McCartney. Ele podia ter dado com os burros n`água, mas foi muito bem sucedido.
George era doce e discreto, mas não um pamonha, como se vê.
Foi ele quem influenciou os parceiros em ralação a refletir sobre a espiritualidade e também era entusiasmado com cinema, tendo sido produtos de alguns filmes do grupo Monty Phaton e fez um sem número de paródias e ironias sobre si mesmo, seus sucessos e a obra dos Beatles e seu sucesso. Ele sabia que era tudo passageiro e , inclusive, seu disco triplo de estréia tinha este título : All things Must Pass (Todas as Coisas Passam).
Quando John desencarnou, ele se juntou aos outros 3 ex-companheiros de Beatles e gravou sua composição que fez em sua homenagem ( a Lennon). lembranbdo que ele era sempre o primeiro a dizer que não tinha o menor interesse em reativar a banda.
George foi o primeiro artista a fazer um show beneficente. Foi o Concerto para Bangladesh, para ajudar as pessoas que passavam fome, na Índia. Juntou todos os bons músicos que ele conhecia e mandou ver. Isso, no início dos anos 70.
Dizem que ele era o Beatle que mais mudava a aparência, a que ele respondeu: mas é disto que se trata a vida: mudanças.
Enfim, George era nervoso, com muito senso de humor, com bom coração,discreto irônico, muito criativo e paciente. Além de lindo e talentoso.
Nos anos finais de sua vida, era conhecido como “jardineiro”, pois gostava de ficar cuidando dos jardins de sua mega propriedade. Então, um dia, o câncer no cérebro o levou. Deixou músicas lindas para a posteridade e um filho que é sua cópia idêntica na aparência e no gosto pela guitarra..
Durante um concerto em tributo a George, Dani Harrison tocou guitarra junto de Paul McCartney e outros amigos do pai. Então, no fim, paul falou que sempre que olhava pro Dani enquanto tocava, ele tinha a sensação de que o tempo passou para todos e George estava ali, novinho, como na época dos Beatles.
Enfim, um documentário merecido, dirigido por Martin Scorcese e tem o título de uma das canções de George: ” Living in the Material World” ( “Vivendo no Mundo Material”).
Hare Krishna, George ! Que você esteja feliz aonde estiver !
Abaixo, o trailer.

