909 Noites Insones

outubro 28, 2011

Estar mais criativo ou menos criativo após os 40 ?

Filed under: Papinho — Norma Spagnuolo @ 7:24 pm

Passeando pela internet, vi um blog estrangeiro que uma jornalista americana criou em que ela conta estar fazendo um trabalho de pesquisa sobre pessoas que ficam mais criativas após os 40 anos.  Li aqui, li ali e não vi “a coisa’ da maneira como ela expõe e ainda me custa a entender. Ela mostra uns vídeos com entrevistas de pessoas que já faziam anteriormente algum tipo de atividade artística ou produziam eventos culturais e tal.
Bom, em primeiro lugar penso que, se as pessoas já fizeram antes atividades criativas, o fato de elas serem mais criativas hoje pode ser uma consequência natural da experiência, pois parece que ela está levando em conta que só é mais criativo quem tem algum tipo de reconhecimento público ou está pintando ou gravando CDs, coisas que não fizeram antes. Aí tem três coisas: mudar de ares pode ser também apenas uma sequência natural, pois nada impede alguém que pintava, resolver aprender a cantar, compôr, etc. A outra coisa, é que ser reconhecido publicamente  não quer dizer  que a pessoa esteja mais criativa e, terceiro, pode acontecer de apenas a pessoa achar que a hora de mostrar sua veia criativa ao mundo seja esta – e pode ser após os 30, os 40 ou 50. E se antes não podia por razões financeiras, por exemplo ? ou os filhos eram pequenos e não dava tempo de dedicar-se à produção do que sempre quis ?  
Não estou nem falando sobre estar criativamente no mundo, lidando com coisas cotidianas da vida, resolvendo problemas comuns da vida com criatividade…estou falando de exercer a produção artística mesmo, como ela menciona.
Particularmente, acho que os artistas (conhecidos ou não), têm um pico, um topo, em alguma idade na vida onde está mais produtivo e produzindo coisas em que se transcendem, chegando a surpreenderem a si próprios. Mas isso pode ser antes dos 40 e não necessariamente após os 40. Estar mais produtivo e não mais criativo. A qualidade varia…
Quando se está mais velho, tenho a impressão de que existe um pouco mais de calma, menos ansiedade pelos resultados assim e assado, sem perder o entusiasmo. Na faixa dos 20 anos, tem muito hormônio, muita sede de novidade, muita pressa – pelo menos eu vejo assim quando olho para meus vinte anos.
De qualquer forma, tudo é muito relativo. Você que me lê agora pode ter 45 anos estar fazendo algo que considera mais ou menos e eu poderia achar sensacional e ser profundamente tocada pela sua arte. Não é, segundo seu ponto de vista, seu melhor momento e até achar fraco em relação a sua produção da juventude, mas eu amo e daí ?
Tem gente que parece vinho e fica mesmo melhor com a idade em alguma coisa, ou em tudo, mas não penso que seja regra. E muito menos tem a ver diratmente com estar apenas mais criativo e muito menos mais talentoso.
Então, a questão é simples: nunca é cedo e nem nunca é tarde porque sempre haverá alguém que curta e a cobrança por ser melhor ou pior em relação ao que era antes, é coisa da cabeça do próprio artista. 
Se não deu para fazer antes, que seja agora. Mas faça! crie ! sem essa de estar mais ou menos criativo, mais ou menos melhor que antes.
Não vejo muito sentido na pesquisa da moça…

outubro 4, 2011

Living in The Material World

Filed under: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 9:34 pm

No dia 2 de Outubro, teve uma pré-estréia do documentário “Living in the Material World”, sobre o ex-Beatle George Harrison. Isso significa que deve aportar cá por estas bandas lá pelo fim do ano. E como boa fã dos Beatles e de George, estarei na poltroninha comendo pipoca, curtindo o show.
George não foi um Beatle mero coadjuvante entre dois egos imensos como Paul e John. Além de excelente guitarrista, melhor do que John Lennon, segundo o próprio Lennon, George era um sujeito doce, mas com muita atitude. Tinha o humor tão ácido quanto o próprio Lennon e era tão trabalhador quanto McCartney. Conta-se que ele foi o único a manifestar a insatisfação com o fato de Lennon levar a Yoko para as sessões de gravação. Foi lá pra perto do John e da Yoko e falou na cara de ambos que aquilo estava inibindo a produção do grupo ( se isso é certo ou errado, é outra questão), mas ele teve peito de dizer o que ninguém tinha coragem de fazer, com medo de cair na porrada com Lennon, que era muito agressivo. Não falou pelas costas. Dizem também que chegaram a sair na mão, mas isso nunca foi confirmado por nenhum dos Beatles. George também caiu na porrada com um cara que entrou em sua casa armado de uma faca, uns anos antes de desencarnar. O larápio foi preso e George foi para o hospital com corte na mão.
Da mesma maneira, George ficava muito nervoso com a Beatlemania e cada vez mais detestava ser um Beatle, tanto quanto Lennon.
Sua produção musical foi melhorando e aparecendo, se impondo aos poucos à medida que ele, o mais novo do quarteto, ia amadurecendo com artista e homem.
George era ousado e como tal, lançou um álbum triplo na sua primeira experiência como artista solo. isso mostrava como ele tinha material cortado pelos parceiros Lennon & McCartney.  Ele podia ter dado com os burros n`água, mas foi muito bem sucedido.
George era doce e discreto, mas não um pamonha, como se vê.
Foi ele quem influenciou os parceiros em ralação a refletir sobre a espiritualidade e também era entusiasmado com cinema, tendo sido produtos de alguns filmes do grupo Monty Phaton e fez um sem número de paródias e ironias sobre si mesmo, seus sucessos e a obra dos Beatles e seu sucesso. Ele sabia que era tudo passageiro e , inclusive, seu disco triplo de estréia tinha este título : All things Must Pass (Todas as Coisas Passam).
Quando John desencarnou, ele se juntou aos outros 3 ex-companheiros de Beatles e gravou sua composição que fez em  sua homenagem ( a Lennon). lembranbdo que ele era sempre o primeiro a dizer que não tinha o menor interesse em reativar a banda.
George foi o primeiro artista a fazer um show beneficente. Foi o Concerto para Bangladesh, para ajudar as pessoas que passavam fome, na Índia. Juntou todos os bons músicos que ele conhecia e mandou ver. Isso, no início dos anos 70.
Dizem que ele era o Beatle que mais mudava a aparência, a que ele respondeu: mas é disto que se trata a vida: mudanças.
Enfim, George era nervoso, com muito senso de humor, com bom coração,discreto irônico, muito criativo e paciente. Além de lindo e talentoso.
Nos anos finais de sua vida, era conhecido como “jardineiro”, pois gostava de ficar cuidando dos jardins de sua mega propriedade. Então, um dia, o câncer no cérebro o levou.  Deixou músicas lindas para a posteridade e um filho que é sua cópia idêntica na aparência e no gosto pela guitarra.. 
Durante um concerto em tributo a George, Dani Harrison tocou guitarra junto de Paul McCartney e outros amigos do pai. Então, no fim, paul falou que sempre que olhava pro Dani enquanto tocava, ele tinha a sensação de que o tempo passou para todos e George estava ali, novinho, como na época dos Beatles.
Enfim, um documentário merecido, dirigido por Martin Scorcese e tem o título de uma das canções de George: ” Living in the Material World” ( “Vivendo no Mundo Material”).
Hare Krishna, George ! Que você esteja feliz aonde estiver !

Abaixo, o trailer.

Democracia é para todo mundo

Filed under: Papinho — Norma Spagnuolo @ 8:46 pm

Tenho lido por aí muitas opiniões sobre a declaração do Rafinha Bastos sobre a Wanessa Camargo e o bebê. Então, vou dizer o que acho também: Primeiramente, acho que é democrático que as pessoas digam o que querem seja em cadeia de televisão ou ao meu lado. Por outro lado, também acho democrático as pessoas sofrerem as consequências de seus atos e palavras. Senão vira bagunça e mais uma forma de opressão neste país. Ou seja, se tenho dinheiro e poder, vou poder falar tudo e você que não tem, não vai ter direito de resposta. Não é por aí.
O Rafinha tem todo o direito de não gostar de ninguém e de expressar publicamente sua opinião e tem que saber que ele mesmo sofrerá as consequências do que disser. Ingenuidade dele achar que, porque está num programa de TV humorístico, tem licença para falar tudo sem ter responsabilidade sobre isso.
Penso que liberdade deve vir acompanhada de discernimento e noção de limites.
Não sou fã de Wanessa, mas nem por isso me daria o direito de falar que comeria o bebê. Além de não ser engraçado, é de mau gosto e grosseiro.
Cancelaram propagandas de TV, perdeu o emprego e outros trabalhos por fora e isso porque o país é reacionário ? Nesse caso, não creio.
Disseram que se a Wanessa não fosse casada com um dos patrocinadores, isso não teria acontecido e que se se ela fosse uma mulher desconhecida, também não.
Ora, quer dizer que ela não pode ser defendida porque ela é esposa de um dos  patrocinadores ? se ela fosse uma desconhecida, a piada” teria sido menos ofensiva ?  Se você tem uma mulher grávida na sua família, você ia deixar o seu vizinho gritar para a sua rua toda escutar que ele comeria sua parente e o bebê que ela espera ? Eu não ia deixar.  Eu ia lá pra perguntar qual o problema dele.
Liberdade de expressão é bom para todos e acho que é democrático aquele dito popular que diz: quem fala o quer, ouve o que não quer.
Rafinha Bastos foi infeliz e ponto final. Acabou. Logo, ele arruma um novo trabalho. O que ele pode fazer agora é refletir sobre a atitude dele e pegar leve na “brincadeira”, futuramente.

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