Num dia qualquer, alguém te diz que não adianta ser muito sensível, “sensível demais” às coisas da vida porque isso faz doer a caminhada e é preciso ter distanciamento emocional para tomar decisões necessárias para viver melhor. Dizem que ser sensível demais gera medo, culpa, gera isolamento, auto-proteção e por aí vai. Então, talvez, pela fragilidade de uma fase longa de frustrações e dificuldades, você vai e começa a fechar as portas de alguns sentidos dizendo a si mesmo (a) que as pessoas têm razão e se pergunta de que serve se comover com pessoas, cenas, canções, atitudes e tudo aquilo que lhe faz sorrir de bobeira e chorar, quando poderia ser mais “pés no chão” e produtiva. E segue a vida. Não sou mais sensível “feito um adolescente deslumbrado”, nem quero mais ser apaixonante e a partir de agora estou encaixada no mundo “real”, seguindo o senso comum e querendo um acento normal no trem da vida. Não paro mais pra pensar criticamente, nem estou criativamente no planeta, tentando interpretar a música da vida segundo meu ritmo interno.
Passam-se meses, anos e você se sente razoavelmente bem neste novo você que você inventou pra si mesmo (a) até que, um dia, você começa a achar que aquele eu mais prático e insensível não precisa ser tão prático e autero. Não sabe quando começou a pensar isso, nem o que detonou essa reflexão, mas o fato é que o pensamento está lá na cabeça, formado e pronto. Você começa a achar que o que ganhou antes não foi em vão, só que já aprendeu o suficiente sobre ponderação; onde está escrito que para ter praticidade e pés no chão, preciso ser insensível ? sei agora que não e sei também que extremos são prejudiciais para qualquer lado.
Não foi uma morte, não foi um coma, nem um sono profundo. Ao contrário, foi uma vigília, olhos bem abertos para ver sem filtros a paisagem, ouvir o som da realidade, geralmente mais alto e menos harmônico que o sussuro doce da paz e do amor. Mas a boa e velha percepção das coisas sutis estava lá, ainda que no segundo plano.
O mundo é muito grande, maior que nossos pequenos problemas passageiros (ainda que a fase de problemas seja longa).
Todo tempo é tempo de crescer e aprender.
Este vídeo aí embaixo, é um desenho vivo do que escrevi. Estou passando pela vida e tudo é muito rápido e mutável. Cada estação é um novo insight. Se, às vezes, estive com a cortina da janela fechada, isso não quer dizer que tenha que ser sempre assim.
E ser apaixonante não é ruim. Vida também é paixão e fé.

