909 Noites Insones

julho 29, 2011

Joan Jett & gentes de atitude

Filed under: Papinho — Norma Spagnuolo @ 6:19 pm

Estou de volta ao meu modesto feudo cibernético após longa ausência. Pensei em varrê-lo do mapa virtual, assim como fiz com minha recém rasgada página Orkutiana. Mas depois do sucinto, porém veemente, protesto da Mink, minha amiga querida lá dos idos da faculdade de Design, estou de volta.  Manter um blog pode ser uma coisa muito chata em determinado período da vida, principalmente quando pegamos muitas coisas pra fazer ao mesmo tempo. E fiz, viu ? este último semestre, particularmente, foi de endoidar.
Nesse meio tempo, teve de tudo ao redor para se comentar…descobri a cantora Joan Jett, cuja voz conhecia pela música I Love Rock`n`Roll, mas não sabia quem cantava. A descobri por acaso, numa dessas passeadas pelas vielas do mundo virtual. Curioso é que sua voz algo rasgada, forte, está aí desde os anos 80 e nunca por aqui se falou muito dela, salvo pela música que mencionei acima. Ela está viva, cantando rock exatamente com a mesma disposição e não faz o estrondoso sucesso aqui que faz lá fora. Assim como a Patti Smith.  Será que no Brasil “muderno” ainda se cultiva a visão de que rock é para os garotos ? ou será uma simples questão de censura machista onde mulheres com atitude não são muito divulgadas para, talvez, não influenciarem as mulheres frutas de futuras gerações ? Será mais conveniente iludirem as mulheres com uma idéia de falsa emancipação, onde o máximo que elas conseguem é serem independentes mexendo suas bundas-melão antes de se tornarem bundas-maracujá ?
Não precisa ir muito longe, basta ver que escritoras que ajudaram a mudar a mentalidade de mulheres lá fora, ao longo dos anos, séculos, também não são editadas por aqui como, por exemplo, Anais Nïn. O máximo que achamos de sua lavra literária, são dois livros ou três e mesmo assim, em função do filme Henry & June, que foi um filme produzido sobre um trecho de um de seus mais de 20 volumes do seu diário ( publicado na íntegra apenas após sua morte, por determinação dela mesma).
Nem menciono o imenso acervo artístico e literário de mulheres lésbicas que deram suas contribuições valiosas para enriquecer a cultura de seus países como por exemplo, aquelas que viviam na Paris dos anos 20 ( Les Anées folles – Os Anos loucos): Djuna Barnes, Sylvia Beach (que foi a primeira pessoa a editar do próprio bolso, Ulisses, de James Joyce), Gertrud Stein, Isadora Duncan, Natalie Barney, Jannett Flanner, Adrienne Monnier (sócia de Sylvia Beach na livraria parisience Shakespeare & Co ), Colette e por aí vai…um mundo de mulheres cultas, além do seu tempo, que eram autoras, editoras, dançarinas, escritoras, etc ..(muito etc).
Depois delas, a Europa não foi mais a mesma e, consequentemente, o mundo. Mas vieram outras mulheres, lésbicas e heterossexuais também. Não estou fazendo apologia ao lesbianismo.
Aliás, no Brasil tem isso, de dizer que mulher  inteligente e com atitude  não é boa de cama e/ou não gosta de homem…bobagem.
Ah, sim…e o homem que não gosta de futebol e não pega mulher que tá dando mole, não é chegado em mulher. Bobagem II.
Sei que é clichê dizer que rock and roll é atitude, mas é mesmo. Não está ligado apenas a um gênero musical e sim às atitudes de pessoas de todas os gêneros que nadam contra a maré do senso comum, que nem sempre quer dizer, bom senso.
O Brasil é lindo e amo este país, mas anda a passos lentos por causa desse tipo de censura cultural.  Um pena, pois a diversidade que aqui existe é propícia para fazer germinar individualidades geniais, com soluções para todo tipo de problema social e esta nossa miscigenação está  longe de ser perniciosa e improdutiva, como aquele louco atirador da Noruega mencionou na sua carta de trocentas páginas.
Vou colocar a Joan Jett aqui embaixo. Não sei se ela é gay ou não e nem me interessa saber. Pra mim, é apenas uma heroína da resistência, vivendo de seu som, sem nenhum histórico sensacionalista e que inspirou o filme The Runaways, sobre um período de sua vida. Aliás, ela mesma fez questão de orientar a atriz que a interpretou ( Kristen stewart) 

Bom, mas é isso, meu blog. Aqui me tens de regresso. Viu, Mink !?

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