909 Noites Insones

Setembro 22, 2009

Minha Vitrolinha: Year of The Cat

Arquivado em: Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 4:01 am

vvit

Depois de longo silêncio, me deu vontade de tocar na vitrolinha “Year of the Cat”, do Al Stewart. Musiquinha que está nas rádios até hoje e que foi lançada lá pelos anos 70 e eu era uma pré-adolescente.  Não sei ao certo o que me faz gostar tanto da canção, já que não sou movida por nenhuma razão sentimental, nem nostalgia. Simplesmente foi paixão à primeira audição.
Não sei se é a harmonia redondinha ou a voz suave ou mesmo o arranjo, que acho que valoriza cada solista de cada instrumento e cada um me parece entrar na hora certa, sem exageros nem firulas desnecessárias. Mas gosto da canção até hoje.
O fato é que a canção rodou e ainda roda o mundo todo e deve ter garantido a aposentadoria do Al Stewart apesar dele ter músicas dignas de um gênio.
Suas letras costumam ser longas e muitas vezes contam estórias ou falam de fatos históricos. Sou fã do moço, que já não é tão jovem, magrelinho e cabeludo, mas ainda está musicalmente em forma pelo que andei pesquisando na  internet e no site da amazon.com.

Hoje vou colocar, além da letra, os acordes para  aquelas pessoas que gostam de tocar um violãozinho. É molinho de tocar  e está certinho. Pega o violão lá e vê só.

Se você não toca um violãozinho, dá um play e ouve um pouquinho. É bem bom.
Versão completa.
Qualidade de gravação: tinindo.

Year of The Cat
Por: Al Stewart

Tom: C
Intro:  C7+    D  Em  ( 3x )      Am7    D7
     C7+            Bm       Em
On a morning from a Bogart movie
     C7+                Bm             Em
in a country where they turned back time
       C7+                   Bm        Em
you go strolling through the crowd like
                  Am7            D7
Peter Lorre  contemplating a crime.
          C7+         Bm          Em
She comes out of the sun in a silk dress
               B                  C
running like a water color in the rain.
             B         Em
Don’t bother asking for explanations.
            Am7                    D
She’ll just tell you that she came  in the Year of the Cat.

 

INSTRUMENTAL (INTRO)

    C7+              Bm           Em
She doesn’t give you time for questions
       C7+          Bm          Em
as she locks up your  arm  in hers.
        C7+              Bm       Em
And you follow  ’til your sense of
                   Am7                 D7
which direction completely disappears.
       C7+         Bm            Em
By the blue-tiled walls near the market stalls
          B                         C
there’s a hidden door she leads you to.
                  B       Em        
“These days,” she says, “I feel my life just
       Am7                   D
like a river running through  the Year of the Cat.”

INSTRUMENTAL (INTRO)

         B                 C
Well she looks at you so cooly
        G                   D
and her eyes shine like the moon  in the sea.
             B                 C
She comes in incense and pathchouli
       G           F
so you take her to find what’s
C/E            D
waiting inside…  the Year of the Cat.

INSTRUMENTAL

     C7+              Bm                Em
While morning comes and you’re still with her
        C7+            Bm        Em
and the bus and the tourists are gone.
            C7+               Bm        Em
And you’ve thrown away your choice and
                        Am7              D7
lost your ticket so you have to stay on.
         C7+           Bm             Em
But the drumbeat strains of the night
              B                     C
remain in the rhythm of the newborn day.
              B         Em       
You know sometime you’re bound to leave her
        Am7                   D
but tonight you’re gonna stay  in the Year of the Cat…

Uhmmmm Year of the Cat

Setembro 21, 2009

Contra a Pressão Alta

Arquivado em: Bem Estar — Norma Spagnuolo @ 9:10 pm

cdecouro

Voltei depois de uns dias de folga da internet. Fui esticar as costas e ver uns matinhos para acalmar a alma. Aproveitei e andei pesquisando ao redor sobre o uso de ervinhas para curar ou prevenir certas coisinhas da saúde.; mais especificamente pressão-alta , pois só eu tenho 3 amigos que sofrem deste mal e minha mãe perdeu uma comadre em função deste inimigo silenciosamente perigoso.  Tem gente que conhece um montão de hipertensos. Assim, achei legal mostrar o que achei na minha modesta pesquisa.
Mas antes, deixo claro  que não penso em declarar guerra às indústrias farmacêuticas ou à alopatia… A homeopatia não pode ajudar muito num estado avançado de doenças e mesmo o uso de chás e extratos também não podem curar muitos males, mas já existe um estudo sério sobre o poder das ervas medicinais, que estão no planeta há milênios, e que só agora a Ciência resolveu dar atenção. Existem lugares que fazem os tais estudos etnofarmacológicos e já estão comprovando em laboraório o valor das ervas.

Bom, para a pressão alta, falam muito sobre o chapéu-de-couro. Saiu uma notícia no jornal O Globo.
Passo adiante: 

” Uma planta brasileira, usada popularmente contra várias doenças e como ingrediente de refrigerantes (Mineirinho e Mate Couro), pode ser eficaz contra hipertensão. Cientistas do Laboratório de Farmacologia Neuro-Cardiovascular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) descobriram que o extrato do chapéu-de-couro (Echinodorus grandiflorus) é vasodilatador.
A pesquisa de etnofarmacologia (ciência que estuda o uso popular de plantas) começou há quatro anos e mostrou a ação farmacológica da planta, típica de lugares pantanosos e comum nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Na primeira fase, foi confirmado in vitro o efeito vasodilata
dor do extrato bruto da erva em artérias de coelhos. Essa comprovação levou os pesquisadores a analisar o poder vasodilatador da chapéu-de-couro no tratamento crônico de ratos hipertensos. Os cientistas constataram um efeito semelhante ao de medicamentos indicados contra a doença.
- O extrato teve ação anti-hipertensiva em animais, em laboratório. Usamos o extrato bruto, sem purificação. O próximo passo é fazer a avaliação toxicológica da chapéu-de-couro. Mas isso depende de novas pesquisas, que exigem investimento – diz o médico e farmacologista Eduardo Tibiriçá, chefe do Laboratório de Farmacologia Neuro-Cardiovascular do IOC. “

Tem uns outros chás…não sei se funciona porque minha pressão normalmente é “de normal para baixa”. Mas eu não hesitaria em experimentar depois de pesquisar bem com outros hipertensos e mateiros em geral.

Mas fazer uma dieta com pouco sal, sem álcool nem gorduras e exercitar-se moderadamente, ajuda muito. Além de, claro, evitar enervar-se demais. É preciso ligar o “foda-se’ de vez em quando, para coisas que não valem à pena se estressar por elas. Aí, vale o critério de cada um sobre o que é importante e o que apenas parece importante.

Os chás:

CHAPÉU-DE-COURO – Echinodorus grandiflorus Micheli [100 Gr.(G)]

PARTES USADAS: Folhas

ORIGEM DO PRODUTO: Brasil

DESCRIÇÃO:
O Chapéu de Couro é uma planta encontrada de Minas Gerais ao Sul do Brasil, é ereta e pode atingir de 1 a 1,5 m de altura e suas flores hermafroditas são bastante numerosas. A reprodução é feita por sementes e cresce espontaneamente em solos de várzeas, principalmente em baixadas pantanosas, margens de rios e lagos. Pode ser cultivada também pelos brotos laterais que nascem da planta-mãe.
 
INDICAÇÃO: Combate a  tosse, gripe, resfriados, pressão alta, ácido úrico, arteriosclerose, artrite, artrose, congestão hepática, convalescença, colesterol, debilidade orgânica, dermatites e gota, além de problemas no fígado, bexiga e vias urinárias. O chá elimina água do organismo e é moderadamente diurético.

COMO FAZER: Colocar em infusão, em um litro de água fervente, 2 colheres de sopa da erva, e deixe levantar fervura. Desligue o fogo e abafe por dez minutos. 

COMO BEBER: Tomar de 2 a 3 xícaras ao dia

Outros Chás:

Chá de Bugre – Cordia ecalyculata –
Também conhecida como bugrinho, chá de frade e cha de soldado. Planta utilizada como depurativa, anti-reumática, tônica e sudorífica. Popularmente é indicada para hipertensão por seu efeito diurético, para ajudar a combater inflamações renais, artrite e reduzir o colesterol. O chá é diurético e considerado emagrecedor, sendo muito indicado para diminuir os depósitos de gordura, reduzir inchaços e a celulite.
Sete sangrias – Simarouba amara  (Sinonim: Cuphea balsamona Cham. & Schltdl, Lythrum carthagenense Jacq, Balsamona pinto Vand, Parsonsia balsamona (Cham. & Schltdl.) Standl) – 15g
Também conhecida como erva de sangue e guanxuma-vermelha. Planta popularmente indicada para tratar arteriosclerose, hipertensão, palpitações do coração, insônia, ajudar na redução do colesterol, na circulação, auxiliar em casos de psoríase, dermatite de contato e afecções da pele em geral.
Cavalinha – Equisetum arvense  - 
Também conhecida como milho de cobra, erva carnuda e cauda de cavalo. O chá de cavalinha é popularmente indicado como auxiliar no tratamento do acido úrico, anemia, ansiedade, arteriosclerose, problemas da bexiga, blenorragia, cálculos renais, celulite, estrias, problemas nos rins, pulmões, baço, flacidez da pele e músculos, distúrbios menstruais, obesidade, pedra na vesícula e rins, pressão alta, retenção de líquidos, reumatismo, osteoporose, como diurético e desintoxicante.

Setembro 12, 2009

Sean Penn e Harvey Milk

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 6:13 am

claquete909Noutro dia, peguei lá na locadora o filme MILK, do diretor Gus van Sant sobre o primeiro político assumidamente gay dos EUA a ser eleito por voto direto. Não foi a temática gay que chamou a  minha atenção, mas o fato de ter Sean Penn no papel título. Nunca imaginei Sean Penn gay, nem em filme. Acho que o ex da Madonna tem cara de homem, jeito de homem, maneira de falar nas entrevistas, de homem, e achei que seria bem interessante ver sua leitura para um personagem real gay.
Há muitos anos atrás, fiz escola de teatro e eu era bem ruim. Não sei se por uma incapacidade absoluta de decorar mais de duas frases ou pela deficiência em buscar dentro de mim o tom das tintas dos personagens que eu deveria interpretar. Mas lembro bem que o professor dizia que tinhamos de achar dentro de nós a nossa maneira de sermos outra pessoa e para isso, tinhamos que nos tornar craques na arte de observar as pessoas. As outras pessoas seriam nossa fonte de inspiração para compôr os maneirismos de personagens diversos. Complicado, eu pensava…ou me baseava nos outros ou na minha intuição, na minha leitura. Não importa. Não se pode acertar em  todas as escolhas, certo?
 Não sei se existe algum filme com o personagem original que pudesse servir de fonte de observação para o ator ou se este teve que basear-se em seus amigos ou conhecidos gays para poder descobrir em si mesmo, o “gay exato”, da textura de Harvey Milk. Mas com certeza, MILK é o filme de Sean Penn e seu Oscar foi merecido. 
Apesar de ter um rosto másculo, acho que Sean Penn poderia passar a idéia de ser um ator americanóide estúpido e grosso, mas não tem-se mostrado assim e nem ignorante e reacionário como o americano mediano; na verdade, ele sempre está mais para oposição das coisas americanas do que a favor. Quase um comuna.
Não adorei o filme e não sei se é por causa da direção de Gus van Sant ou porque a história em si parece rasa para os dias de hoje, mas vale à pena ver a atuação deste ator de fibra que é Sean Penn.
Lembro do primeiro filme que vi dele, anos atrás: um surfista magrelinho, com cabelos cheio de parafina e que vivia falando idiotices, meio leso, porque não parava de fumar maconha. Típico.
Enfim, o cara já tinha talento desde o começo e, de lá pra cá, só foi  lapidando seu talento. Quem viu  Os últimos Passos de um Homem, com ele e Susan Sarandon vai concordar comigo. Impagáveis as atuações de ambos.
Abaixo, uma foto de Sean Penn e do Harvey Milk, para comparar a “essência e a representação”.

Harvey_Milk

Setembro 10, 2009

O solucionador de problemas

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 4:15 am

milagreiro do bom 
Se ele cura cogestã, então é bom mesmo…hahahaha

Aranha Heteropoda davidbowie

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 4:08 am

davidbowiearanhaDavid Bowie teve uma fase gay e de aparência andrógina,  entre 1969/1973 e, em 1972, ele lançou um disco chamado The Rise and Fall of Ziggy Stardust and Spiders from Mars  (disco que adoro).
Ziggy Stardust, nesse período, era seu alter-ego carregado de maquiagem e um certo ar debochado. Não sei porque a associação com a aranha ou mesmo o porquê de um aracnídeo marciano, mas deve ser coisa de ácido, alucinação, delírio ou uma certa viadagem com fleuma britânica psicodélica. Mas o som fez sucesso e quem diria, David acabou inspirando, nos dias de hoje, o especialista alemão em aracnídeos, Peter Jägen, que descobriu na Malásia uma nova espécie  de aranha – grande e de pêlos amarelos – e a ela deu o nome Heteropoda davidbowie.

Se fosse levar em consideração mesmo a fase andrógina e gay do Bowie, deveria então batizar o aracnídeo de homophoda davidbowie, mas seria muito escracho e o pobre bicho não merece esse estigma, como os mamíferos burros são confundidos com seres desprovidos de inteligência e é sabido que os burricos são inteligentes.

Não creio que o Bowie ia querer ter em casa um exemplar desta aranha (ou qualquer outra) , mas deve estar feliz por ter seu nome imortalizado num ser vivo que mora na natureza, longe das drogas sintéticas dos roqueiros de mentirinha e maquiados dos anos 70.

Depois daquela fase, David foi melhorando cada vez mais a aparência e hoje é um senhor pra lá de bonitão, casado há anos com a modelo africana Iman. 

Rock Band Beatles e Mini Documentário de Rubber Soul

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 3:16 am

Hoje teve o lançamento do game Rock Band dos Beatles. Não teve, até onde sei, fila de madrugada nas grandes lojas e acho que isso é um bom sinal, pois seria estranho haver algum tipo de Beatlemania em pleno século XXI.

The Beatles: Rock Band estará disponível para PlayStation 3, Wii e Xbox 360 pelo preço de R$ 269 (apenas o jogo, sem instrumentos – é possível utilizar os do Rock Band 2).
As outras versões chegarão ao país no início de novembro, com preço sugerido de R$ 1.999,90 para a versão limitada e R$ 799,90 para as versões com as guitarras Gretsch, modelo da Guitarra de George Harrison  ou Rickenbacker, modelo da guitarra do John Lennon. Acho que terá a versão do baixo-violino de Paul, marca Hoffner.

O jogo será vendido em supermercados e lojas do varejo, como Carrefour, FNAC, Americanas, Saraiva, Submarino e Walmart.
Estou bem curiosa pra ver como funciona.

Dizem que a Yoko perturbou um bocado a paciência dos designers dos jogo, mas se não tivesse acontecido isso, não teria sido Yoko Ono. Em tudo ela dá pitacos, que nem na época do final dos Beatles em que fazia sugestões até nas músicas da parceria Lennon/McCartney, causando furor nos estúdios da Abbey Road.

Também existe um mini-documentário sobre o disco Rubber Soul (Alma de Borracha) dos fab 4. Gosto muito desse disco, que o John chamava de o disco do ácido, pela fase pela qual que eles estavam atravessando, de experimentar tal substância que distorce a realidade percebida. Uma fase após a descoberta da maconha, época do filme Help! (eles não coseguiam decorar uma frase do script e só riam durante as gravações, segundo o próprio Paul). Mas sem dúvida, o Rubber Soul tem uma sonoridade bem mais adulta e as letras saíram da fase “eu choro por uma garota”, “uma garota me ama”.

Setembro 6, 2009

Caos com vista pro mar

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 2:20 pm

Esta semana foi daquelas e nem deu pra vir aqui no meu bloguezinho querido. Tive rinite alérgica, gripe e tpm. Tudo junto me deu um mal-estar ferrado. Num estado desses, as coisas cotidianas da vida parecem ser os 12 trabalhos de Hércules – se bem que fiz bem mais do que 12 trabalhos e nem tenho tanto bíceps.

Minha Pedritinha ainda está tomando sopinha na seringa apesar de estar toda alegrinha, o que mucho me gusta.
Aliás, me gusta passear também, principalmente para pegar um sol quando estou com rinite e tensa de tpm. Só que um dos meus passeios acabou sendo uma aventura na volta pra casa.
Olha a situação:  eu estava dirigindo de volta pra casa, Vila Isabel, Rio de Janeiro – não é zona sul de praia e está mais perto da Tijuca. Eu vinha da Barra da Tijuca e eram mais ou menos 18:50 horas. Dentro do carro, uma musiquinha calma tocava porque o trânsito estava intenso, muitos carros ao redor e de vez em quando dava umas paradinhas. Ouvir musiquinha calma nessas horas é bom.
Nunca gostei de dirigir na Barra por duas razões: você tem que descer o pé no acelerador porque a maior parte das pistas são de alta velocidade  e também porque sou grilada com blitz de bandido na subida do Alto da Boa Vista ou a subida da serrinha Grajaú-Jacarepaguá. Infelizmente, essa cidade ainda está meio sitiada, ainda que veladamente sitiada.  Assim, dependendo da hora, arrisco umas das subidas ou vou pelo túnel Rebouças e zona sul.
De qualquer maneira, você está a mercê da própria sorte quando está de carro no Rio. Essa cidade linda para passear e que agora pertence aos bandidos de motos.

Pois bem, estava eu voltando pra casa, num final de tarde no Sábado quando eu estava em São Conrado à beira do túnel Zuzu Angel, quando tudo engarrafou e uns dois minutos depois, o carro na minha frente começou a me empurrar para trás e eu não acreditei. Pedi calma para o motorista e ele acenou que era para eu dar a ré. Tinha um monte de gente atrás de mim também e mesmo assim, não teve jeito. Dei a ré e tive que contornar para a contra-mão porque uma motorista de dois carros à frente do meu colocou o rosto para fora e gritou que era assalto e que tinhamos que contornar. Não tive outra escapatória. Contornei e segui pelo acostamento do viaduto em direção ao shopping Fashion Mall e entrei à esquerda em direção a Avenida Niemeyer. Um trânsito ferrado e eu tinha que andar variando de primeira e segunda marchas. No som do carro tocava Bebel Gilberto, aquela voz calminha de Rio calmo de praia e preguiça alegres, new-bossa e eu lá no caos de frente pro mar. A Avenida Niemeyer mostrando as luzes do Leblon, o mar batendo nas pedras. Normalmente tão zen, tão romantico.

E eu ali, pensando que não vi tanta zoeira que sugerisse um arrastão ou algo assim. Até então, ninguém sabia com certeza se era assalto localizado num ponto, se era arrastão com um bando ou se apenas era um alarme falso de pessoas que ficam ansiosas paradas no trânsito embaixo da Rocinha.

De qualquer forma, na Niemeyer, o trânsito parava e andava e isso era melhor do que estar tudo parado total.
Depois, o fluxo desembolou e pude pegar o Rebouças e cheguei em casa na boa.
Em casa, vi que não tinha sido noticiado nada e só hoje foi que vi uma nota na internet dizendo que foram 3 motos que assaltaram um táxi. Só isso mesmo. Um táxi. Eu vi 3 motos passarem por mim correndo e não suspeitei delas.
Dizem que havia um carro da polícia no trânsito ali, na hora, e eles teriam trocado tiros com os caras, mas não escutei um tiro sequer.
Fiquei assustada ? Olha, a situação é esquisita. Não fiquei assustada. Fiquei calma e pedi calma às pessoas. Não se via de verdade algo sério perto de onde eu estava. Achei que as pessoas andam tensas, alertas, como eu também ando, mas não vi  na hora, realmente justificativa para aquilo acontecer. O boato pode causar muitos problemas e tenho mais grilos de pessoas em pânico do que do fato em si. Num assalto, a gente não deve reagir e, sim, manter a calma. É o que penso. Foi como reagi quando o ladrão entrou na minha sala e ficou tudo em paz. Digo isso porque sou alerta e evito as situações, mas se elas acontecerem o que podemos fazer senão manter a calma? deixa pra tremer a s pernas depois. 

É triste ver meu Rio tão lindo, de pessoas tão prestativas e bem humoradas passar por essas situações.
Dizem que nas outras grandes cidades do Brasil também existe violência e caos. Mas vou sempre achar que vai melhorar e está melhorando. Pra muitas coisas, sou uma espécie de Polyanna.

Acho também que o salário de maneira geral é muito baixo e os aluguéis são muito altos e as pessoas trabalham para não morar na rua. Um aluguél que come a maior parte do salário do trabalhador faz com que as pessoas morem mal; gente de bem não pode sair das favelas e elas ficam reféns daquela situação e de pessoas de má índole. Então, a polícia não pode entrar lá e resolver um dos lados da questão. Se você nasce e cresce no meio do mal, como pode ter forças sozinho para fazer desabrochar o lado bom? como pode ver que além daquela realidade existe outra mais digna e possível?

Depois, tem que resolver a saúde e,  à médio e longo prazos, a educação. Sem moradia, saúde e educação, que perspectiva alguém pode ter?  Se fôr morar mal, em lugar sujo, fica doente e é mal atendido e fica revoltado e resolve apoiar bandido que se faz de “pai do povo oprimido”.
E, por fim, se a polícia prende, a justiça caquética solta. Na boa: quanto a isso, os policiais têm razão. Os códigos estão caindo de velhos. O ladrão é preso e a justiça solta o sujeito.
Por muito menos uma Revolução Francesa foi feita, mas quem quer passar por isso?
Por outro lado, quem quer morrer de bobeira porque foi num cineminha num fim de tarde de Sábado?

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