
Parada de Itatiaia
Só hoje foi que eu parei para relaxar da maratona ” As 24 horas de SP ” . Não reclamo da maratona porque foi de repente que soube do curso breve que me interessava fazer e lá fui eu aproveitar o Sábado, justificando uma falta na aula que eu teria aqui, lá na Pós.
Valeu à pena por tudo, ainda que eu tenha chegado lá junto com a noite mais fria desse inverno. Tudo bem. Fernando Pessoa já dizia : ” Tudo vale à pena quando a alma não é pequena” e descobri que eu tenho a alma espaçosa.
Não senti um horror de frio, porque, além de bastante agasalhada, usei a mantinha que a empresa de ônibus dá para os passageiros. Tive dores incômodas no tornozelo esquerdo e na altura da lombar e não sei se foi por causa da posição ou do frio ou ambos. Eu já vinha sentindo uma dorzinha chata na lombar faz tempo – desde quando o Pepe estava doente e eu estava dormindo no sofá da sala pra cuidar dele - e eu acho que ficar sentada por mais de três horas numa poltrona, mesmo aquelas reclináveis, me empenou a coluna de vez.
Aliás, o ônibus ficou parado na via Dutra por uma hora porque, na nossa frente, um caminhão cheio de batatas “deixou” tombar a carga. Tivemos que esperar chegar o auxilio, a polícia, o seguro e sabe mais o quê, até que pudéssemos prosseguir a viagem. Isso atrasou a hora da parada . Mal alojada e numa noite fria, dá pra imaginar que chato que foi essa parte.
Então, em Itatiaia, estiquei as pernas e me deu a maior saudade de fumar um cigarro. Não sei se foi por causa da fumaça de frio saindo pela minha boca quando falei pra mim mesma “que frio” ao descer do ônibus. Mas não fumei. Percebi o quanto estava frio naquela hora.
Lá dentro, no salão, fiz um lanche assistindo um pedacinho do jogo da seleção de volei feminina.Nas madrugas aqui em casa, eu já vinha acompanhando antes de viajar e fico feliz que elas sejam campeãs pela oitava vez e invictas! elas merecem muito!
Bom, cheguei em São Paulo sozinha de ônibus pela primeira vez e e não errei nada. A rodoviária é muito bem sinalizada para quem quer pegar o metrô e não tem como errar. Quem pretende ir a SP de ônibus e pegar o metrô para circular pela cidade, pode ir sem medo.
Fiz o curso (muito bom), e depois fui na feira de artes da Praça Benedito Calixto dar uma volta e conhecer o trabalho das pessoas e fui encontrar o Serginho e a Ana, amigos queridos que moram lá (Serginho estudou comigo aqui). Encontrar amigos pelos portos onde atracamos é muito bom.
Depois de tomarmos um bom cappuccino e colocarmos o papo em dia, fomos dar uma volta e eles foram me acompanhando, gentilmente até a rodoviária, pois eu queria voltar logo pra a casa quentinha.
Detalhe: neca de dormir, pois cheguei em SP às 8 da manhã e a aula era às 9 (até 13:30 hs). Não consegui pregar o olho no ônibus por causa da falta de boa posição.
Então, eu estava voltando pra casa e achava que eu ia desmaiar quando sentasse na poltrona do bus. Que nada… quando eu pensava que ia esticar as pernas na poltrona vazia ao meu lado, uma última pessoa entrou atrasada no ônibus e sentou bem ao meu lado.
A surpresa: a moça atrasada sentou ao meu lado e me olhou firme nos olhos e disse:
— seu rosto não me é estranho. Sou boa fisionomista e nunca esqueço um rosto.
Eu pensei: — Ai meu Deus..espero que ela não me confunda com alguém que ela tenha contas a ajustar (como vi na rua uma vez, uma mulher apanhando de outra mulher, que achava que a outra era amante do marido dela, mas se enganou e só percebeu o erro depois que olhou direito pra pobre mulher toda lanhada de unhonas assassinas).
Então, por via das dúvidas, liguei meu alerta vermelho interior e olhando pra ela também, fui percebendo, aos poucos, que ela também não me era estranha e perguntei se ela morava no meu bairro e ela respondeu que não. Perguntei se tinha estudado na faculdade aonde estudei e ela disse que sim. Resumo: ela é designer e estudou no mesmo ano que eu, com os mesmos professores e tal. Mundo pequeno este.
Desliguei o alerta vermelho e desmaiei de sono. Eu estava cansada demais para ser boa companhia.
Acordei na parada de Roseiras para esticar as pernas um pouco e tomei um delicioso caldo verde quente e honesto. Voltei e dormi até chegar no meu Rio querido.
Foi tudo ótimo e perfeito, mas da próxima vez, não vou voltar no mesmo dia.