Desde semana passada que não toquei nenhum som, mas isso se deu por causa das preocupações e cuidados com meu cachorro Pepe, amigão de 13 anos, que tá tão doentinho. Mas tenho lido e enquanto não durmo, observando-o, estou lendo um livro psicografado de um artista que não assina, mas é tão óbvio de quem se trata que ele nem precisa assinar mesmo. O medium que psicografou se chama Robson Pinheiro, medium para autores espirituais de muitos livros ótimos e autor de uns outros bem bacanas também. No meu singelo blog de livros universalistas – http://livrosuniversalistas.wordpress.com – falo de duas de suas obras mais conhecidas e falarei de outros livros seus, mas o post aqui é sobre o livro interessante: Faz Parte do Meu Show e o espírito que passou o livro pro Robson, é o “exagerado”. Alguém desconhece quem é? sim, o Cazuza.
Está creditado como organizador do livro, o espírito Angelo Inácio, que o Robson psicografa com certa frequência. Fui ler por curiosidade e até com certa incredulidade, para ser sincera (mesmo sendo espírita convicta e sendo leitora das obras psicografadas pelo Robson Pinheiro). Pensei que alguém poderia estar usando o nome do Cazuza, ou mesmo que o Robson pudesse ter-se enganado…sei lá…só sei que tentei ignorar o apelo de ler um livro supostamente psicografado por uma dos poetas-músicos que mais influenciou minha geração. Pensei também que era muito cedo pra Cazuza escrever e, como a imensa maioria dos espíritas, também imaginei que seria bem provável ele estar no umbral, devido a forma como ele abusou de seu corpo físico por causa do excesso de sexo, drogas e roquenrou. Não por moralismo. Não é isso. Apenas porque, segundo estudamos, se fazemos mau para nosso corpo, ele fica debilitado e o perispírito comprometido e, sem estarmos bem, é difícil a locomoção, lucidez e também permissão para comunicar-se com amigos, parentes e etc, aqui na Terra.
Naturalmente eu, que estava na faixa dos 20 anos nos anos 80, época em que dizíamos que “era melhor viver 10 anos a mil do que mil anos à 10″ (frase do Lobão seguida à risca pela minha geração), não posso jogar pedra no telhado de ninguém, encarnado ou desencarnado e desconfio que é muito provável que, ao sair daqui, eu passe por um certo estágio lá na região umbralina. Não me iludo. Mas vou pro umbral pelos meu erros assumidos e não por querer mostrar ser melhor do que sou. Hipocrisia não tem argumento. Sempre fui espírita, mas espírita não é querubim e pisa na bola (e no meu caso, ainda falo palavrão).
De qualquer forma, o livro é surpreendente e me deixou de queixo caído, como só havia ficado ao ler “Nosso Lar”, do André Luis, psicografado pelo Chico Xavier.
Mas eu não deveria ficar tão surpresa com as coisas que Cazuza diz no livro sobre, por exemplo, durante um show no umbral, para os samaritanos ajudarem os espíritos necessitados, ele ter visto no telão uma paisagem linda de praia, que quem assistia, sentia o cheiro da maresia, o calorzinho da praia e a brisa do mar. Ele disse que é uma tecnologia que ainda não chegou na Terra. Mas lembrei da reportagem do Fantástico, no Domingo, em que uma moça sente cheiro e gosto da música e ainda vê a forma da música… e ela é a única pessoa no mundo com essa faculdade.Os neurocirurgiões dizem que as partes do cérebro responsáveis pelos sentidos, no caso da moça, essas partes interagem entre si provocando esse efeito. Deve ser o mesmo princípio usado pelos engenheiros espíritas para produzirem filmes que provoquem interação entre os sentidos dos seres espirituais, que não têm o obstáculo de uma caixa craniana e um cérebro material.
Enfim, achei o livro verossímil. E acho que tem muita lógica o fato de ídolos aqui do planeta, como Cazuza, Renato Russo, John Lennon, etc, ao chegarem noutro lado sejam artistas, mas não celebridades, que é vaidade desnecessária aqui do planeta, em que bajular e manipular geram recompensas financeiras ou algum tipo de poder, que num mundo espiritual superior nao são necessários nem almejados.
Faz Parte do Meu Show, o livro, vale à pena ler. Mesmo quem não é espírita, vai gostar da narrativa fácil e se surpreender com as coisas que ele conta.
Na minha vitrolinha de hoje vou tocar “Eu Queria Ter uma Bomba”, de Cazuza, em homenagem a esse sujeito tão carismático, sensível e inteligente.
Uma letra sensacional que fala sobre solidão a dois, que é uma das formas mais mesquinhas de convívio, quando não se é feliz e nem deixa o outro livre para ser. E ninguém tem coragemde ser o primeiro a dizer adeus.
Música : “Eu Queria Ter Uma Bomba”
Cazuza
Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz “já foi” e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio, mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias…
Eu queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer
pra poder me livrar do prático efeito
das tuas frases feitas,
das tuas noites perfeitas
Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz “já foi” e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em homicídio, mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba,
um flit paralisante qualquer pra poder te negar
bem no último instante.
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê

