909 Noites Insones

Julho 29, 2009

Meu amor de 4 patas

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 3:19 am

pepeMeu Pepe se foi. Todos os dias, 22 kilos de Pepe andavam atrás de mim aonde quer que eu fosse e quantas vezes me levantasse da cadeira. Me acordava sempre quando achava que eu tinha dormido além do normal, e colocava todo o peso de sua cabeça na minha mão ou no meu colo para receber um carinho. Era um brutamontes carinhoso. O brutamontes mais doce que já vi.
Certa vez, ao ir me acordar, passou a pata no meu rosto. Ele estava no chão, pois nunca subiu na cama, e era a primeira vez que ele tentava me acordar, o que se tornaria um hábito seu. Ele passou a pata no meu rosto e acordei com susto e leve dor no nariz pois cães não sabem dosar a força e acho que ele pensava que ia apenas me fazer um carinho para acordar. Pois bem, ele levou um susto com meu susto e a partir desse dia, ele não mais passou a pata no meu rosto e sim passava sua cabeça na minha mão pendente, ou fazia ruídos engraçados com a boca, se não houvesse braço, mãos ou pés para fora da cama.

Pepe sempre foi o que eu costumava chamar de “cachorro falador”. Sempre falava sua língua estranha e demorava nos ruídos. Eu ria. Sempre acordava rindo com os ruídos engraçados do Pepe me acordando.
Quando ele era filhotinho, bocejava fazendo ruídos agudos e longos e eu ria. Quando adulto, bocejava fazendo ruídos graves e longos. Como não rir?

Ao me ver rir de seus ruídos, sons, conversas, quase sempre ele colocava as orelhas para trás e me olhava com cara de quem pergunta:  — o que ? e me “espetava” com seu  focinho, enrrugando-o. Eu ria mais ainda e ele parecia gostar da brincadeira, me “espetando” mais  e eu ria mais.

Pepe foi um cão adolescente que, quando morávamos no interior, gostava de passar por entre as cercas de arame farpado do terreno como uma flecha e nunca se arranhava e eu nunca entendia como não. Ele gostava de se jogar no lago, mergulhando, dando barrigada na água, e nadando em dia de calorão.

Uma vez, correu em direção a um grupo de pássaros e levantou as duas patas dianteiras para fazer os pássaros voarem. Minha mãe diz que ele fazia sempre isso. Mas nunca correu atrás dos pássaros para morder.

Meu cachorro era uma figura. Um bruto, que nem quando estava com dor e rosnava para dizer que tava doendo, não me mordia nem mostrava os dentes. Só fazia aquele som de rosnado. Ele sempre se expressava com seus ruídos.

Foi o melhor amigo que uma pessoa pode ter.  Todo mundo me dizia:  — Norma, esse cachorro te ama.
Ele odiava ficar sozinho. Foi assim desde quando eu o ganhei e ele cabia na palma de minha mão, que é pequena.
Teve cinomose, mesmo vacinado e sobreviveu. O tratamento foi tão dolorido que ele pegou, nessa época, muito medo de veterinários ou homens vestidos de roupa branca, como os veterinários. Não atacava essas pessoas: ele defecava de medo.

Foi um cachorro como deve ser um cachorro desses, de filmes. Mas o melhor de tudo: foi real e viveu 13 anos comigo. Meu Pepe Pipoco. Pipitcho.  Pipinho. Peperone…Tantos nomes para o amor . Meu amor de 4 patas.

Que São Francisco o abençoe e o ampare.
Saudades.

Julho 28, 2009

Faz Parte do Meu Show – O Livro

Arquivado em: Biblioteca, Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 5:31 am

vvitDesde semana passada que não toquei nenhum som, mas isso se deu por causa das preocupações e cuidados com meu cachorro Pepe, amigão de 13 anos, que tá tão doentinho.  Mas tenho lido e enquanto não durmo, observando-o,  estou lendo um livro psicografado de um artista que não assina, mas é tão óbvio de quem se trata que ele nem precisa assinar mesmo. O medium que psicografou se chama Robson Pinheiro, medium para autores espirituais de  muitos livros ótimos e autor de uns outros bem bacanas também. No meu singelo blog de livros universalistas – http://livrosuniversalistas.wordpress.com –  falo de duas de suas obras mais conhecidas e falarei de outros livros seus, mas o post aqui é sobre o livro interessante: Faz Parte do Meu Show e o espírito que passou o livro pro Robson, é o “exagerado”.  Alguém desconhece quem é? sim, o Cazuza.

Está creditado como organizador do livro, o espírito Angelo Inácio, que o Robson psicografa com certa frequência.  Fui ler por curiosidade e até com certa incredulidade, para ser sincera (mesmo sendo espírita convicta e sendo leitora das obras psicografadas pelo Robson Pinheiro). Pensei que alguém poderia estar usando o nome do Cazuza, ou mesmo que o Robson pudesse ter-se enganado…sei lá…só sei que tentei ignorar o apelo de ler um livro supostamente psicografado por uma dos poetas-músicos que mais influenciou minha geração. Pensei também que era muito cedo pra Cazuza escrever e, como a imensa maioria dos espíritas, também imaginei que seria bem provável ele estar no umbral, devido a forma como ele abusou de seu corpo físico por causa do excesso de sexo, drogas e roquenrou. Não por moralismo. Não é isso. Apenas porque, segundo estudamos, se fazemos mau para nosso corpo, ele fica debilitado e o perispírito comprometido e, sem estarmos bem, é difícil a locomoção, lucidez e também permissão para comunicar-se com amigos, parentes e etc, aqui na Terra.

Naturalmente eu, que estava na faixa dos 20 anos nos anos 80, época em que dizíamos que “era melhor viver 10 anos a mil do que mil anos à 10″ (frase do Lobão seguida à risca pela minha geração), não posso jogar pedra no telhado de ninguém, encarnado ou desencarnado e desconfio que é muito provável que, ao sair daqui, eu passe por um certo estágio lá na região umbralina.  Não me iludo. Mas vou pro umbral pelos meu erros assumidos e não por querer mostrar ser melhor do que sou. Hipocrisia não tem argumento. Sempre fui espírita, mas espírita não é querubim e pisa na bola (e no meu caso, ainda falo palavrão).

De qualquer forma, o livro é surpreendente e me deixou de queixo caído, como só havia ficado ao ler “Nosso Lar”, do André Luis, psicografado pelo Chico Xavier. 
Mas eu não deveria ficar tão surpresa com as coisas que Cazuza diz no livro sobre, por exemplo, durante um show no umbral, para os samaritanos ajudarem os espíritos necessitados, ele ter visto no telão uma paisagem linda de praia, que quem assistia, sentia o cheiro da maresia, o calorzinho da praia e a brisa do mar. Ele disse que é uma tecnologia que ainda não chegou na Terra. Mas lembrei da reportagem do Fantástico, no Domingo, em que uma moça sente cheiro e gosto da música e ainda vê a forma da música… e ela é a única pessoa no mundo com essa faculdade.Os neurocirurgiões dizem que as  partes do cérebro responsáveis pelos sentidos, no caso da moça, essas partes interagem entre si provocando esse efeito. Deve ser o mesmo princípio usado pelos engenheiros espíritas para produzirem filmes que provoquem interação entre os sentidos dos seres espirituais, que não têm o obstáculo de uma caixa craniana e um cérebro material. 

Enfim, achei o livro verossímil. E acho que tem muita lógica  o fato de  ídolos aqui do planeta, como Cazuza, Renato Russo, John Lennon, etc, ao chegarem noutro lado sejam artistas, mas não celebridades, que é vaidade desnecessária aqui do planeta, em que bajular e manipular geram recompensas financeiras ou algum tipo de poder, que num mundo espiritual superior nao são necessários  nem almejados.

Faz Parte do Meu Show, o livro, vale à pena ler. Mesmo quem não é espírita, vai gostar da narrativa fácil e se surpreender com as coisas que ele conta.

Na minha vitrolinha de hoje  vou tocar “Eu Queria Ter uma Bomba”, de Cazuza, em homenagem a esse sujeito tão carismático, sensível e inteligente.
Uma letra sensacional que fala sobre solidão a dois, que é uma das formas mais mesquinhas de convívio, quando não se é feliz e nem deixa o outro livre para ser. E ninguém tem coragemde ser o primeiro a dizer adeus.

Música : “Eu Queria Ter Uma Bomba”
Cazuza

Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz “já foi” e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio, mas no fundo eu nem ligo

Você sempre volta com as mesmas notícias…
Eu queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer
pra poder me livrar do prático efeito
das tuas frases feitas,
das tuas noites perfeitas

Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz “já foi” e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em homicídio, mas no fundo eu nem ligo

Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba,
um flit paralisante qualquer pra poder te negar
bem no último instante.
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê

SKOOB: livros para compartilhar

Arquivado em: Biblioteca, Dicas, Papinho — Norma Spagnuolo @ 3:30 am

Não faz muito tempo, descobri o SKOOB , um site onde a gente coloca a capa do livro que lemos e podemos escrever  a resenha ou uma  crítica e  ainda colocamos quantas estrelas achamos que o livro merece. Podemos também pôr a o livro na categoria dos  livros que queremos ler futuramente. A gente monta a nossa estante e deixa lá para as pessoas verem e lerem nossa crítica ou nossa resenha.
Para colocar a capa do livro na sua estante, lá no site tem o box de “procura” e basta digitar o título do livro ou o autor para que o mecanismo de busca procure pela internet afora a imagem da capa. Então, é só marcar “adicionar” e a capa estará na sua estante, como se fosse um livro virtual ( não dá para folhear, mas isso seria pedir muito, pois tem a questão dos direitos autorais, certo?).

O site organiza os livros que você já leu, que está lendo e os que ainda pretende ler. Eles lá têm muitos  livros cadastrados, mas se você não encontrar algum, poderá cadastrá-lo desde que informe título, autor, edição e sinopse. Não pode é duplicar o livro, senão vira bagunça no banco de dados.

No Skoob você também encontrará resenhas e avaliações, além de novos talentos com livros já publicados.

É um site de livros, mas creio ser possível fazer e reencontrar amigos também, como num de relacionamentos feito o ORKUT.
Para quem gosta de compartilhar opiniões, sugestões, críticas e quaisquer idéias sobre livros  é tudo o que se quer.
SKOOB é o contrário de BOOKS e a idéia é muito boa.
Eu adorei o site porque adoro poder saber o que meus amigos estão lendo e de trocar idéia sobre o livro. Ainda não tenho amigos lá, da minha caixa de e-mails, mas te, tempo porque acho que  o site vai crescer muuuito.

Convido a todos os meus queridos amigos e amigas notívagos das 909 noites insones a conhecer. É 10000.
A minha estante é essa:  http://www.skoob.com.br/meus_livros/estante/23732

Julho 26, 2009

Beatles Rock Band – Game

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 5:28 pm

Este vídeo aí em cima é o promocional do game Beatles Rock Band que está previsto ser lançado em 9 de Setembro deste ano (09/09/2009). John Lennon ia amar essa data.
O jogo vai rodar em Xbox 360, Wii e PlayStation 3.

 Até onde sei, o game consiste em passar por todas as fases pelas quais os Beatles passaram, desde o início no Cavern Club, em Liverpool , passando por Hamburg – na Alemanha – onde eles adquiriram a tarimba de músicos profissionais, e vai até  o final, em 1970.

O último disco lançado pelos Beatles foi o Let It Be, mas o último gravado foi o Abbey Road, lançado antes. É que o projeto Let It be foi o auge da época de discordâncias entre eles e teve o processo do Paul contra os outros Beatles (para protegê-los de serem roubados pelo Allen Klein, empresário contratados pelos outros 3 naquela fase conturbada). Paul, sempre teve algo de empresário e avisou aos outros que o Klein era pouco confiável e os outros achavam que Paul queria “puxar a sardinha” para o pai da Linda McCartney , advogado renomado nos EUA; Paul teve que processar os outros 3 para indisponibilizar os direitos autorais e tal. Assim, os outros não seriam roubados pelo Klein, numa transação duvidosa, de quem se aproxima deles num momento emocionalmente frágil. John, George e Ringo nunca quiseram saber e nem entendiam nada  sobre os  ”números”, como eles mesmos diziam.

Detalhe: o Klein morreu neste mês em decorrência do Mal de alzheimer.

Cá entre nós: Paul foi frio pra caramba, não? no meio de uma crise com seus  ”irmãos”, ele os processou para proteger o patrimônio dos Beatles que, ironicamente, acabou nas mãos do Michael Jackson após este ter arrematou num leilão os direitos pelas canções, sem deixar Paul na época fazer um lance maior. O Paul cortou relações com Michael por isso.

Bom, mas o post é sobre o game, né?
Então: em Setembro deve sair e o objetivo será passar pelas fases dos Fab 4.  Amei os desenhos. Ninguém deu mais detalhes, mas deve ser algo sensacional como tudo que cerca lançamentos dos Beatles desde sempre.

O clima alucinado e alucinógeno da amostra grátis, na parte que tem as costas elefante que , na verdade, era um chão gramado, é bem uma coisa “Beatle”  e  dá uma idéia do nível do design, do conceito e do projeto como um todo. E as músicas serão originais e não aquele tecladinho midi “sem vergonha”.

Penso que, se houvesse tanta tecnologia  na época do Yellow Submarine, o desenho em 3D seria lindíssimo.
Eu gosto muito de um joguinho chamado SIM CITY, onde a gente constrói uma cidade desde o terreno vazio. Tem que fazer tubulação de água e esgoto, rede de eletricidade, lidar com OVNIS e tufões que surgem do nada  para destruir a cidade que construimos “à duras penas”. Distrai a gente por horas. Um vício medonho, alienante  e delicioso, como tudo que vicia.
Faz um bom tempo que não jogo e nem sei em que versão está, mas o game dos Beatles deve ser tão bacaninha e viciante quanto e estou curiosa.

Julho 24, 2009

Temporada zen “apesar de”

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 7:20 pm

Por aqui as coisas embolaram. Coisas de casa parece que têm vida própria e, de repente, quando uma coisa embola, o sinal é dado para que as outras coisas da casa se rebelem também. Minha teoria é a de que os objetos têm uma linguagem secreta. E se eles arrumarem um líder que não goste de você, então todos os eletro-domésticos vão enlouquecer ao mesmo tempo e sua casa vai virar uma espécie de Coliseu, onde você será o cristão e os objetos serão os leões e tigres.
Assim é que junto com meu Pepe que ficou doente, a lava-louças parou de enxagüar, a enceradeira parou de encerar e meu rádio desprogramou as estações.  Mas tudo bem, estou uma pessoa quase za-zen e não quero deixar essas questões materiais tirarem meu sossego de monge. Sim, pois estou num daqueles estados raros de calma interior que pessoas como eu, altamente ansiosas, só conseguem uma vez a cada dez anos e estou na temporada. Preciso aproveitar e não desperdiçar com utensílios domésticos, nem que eu tenha que ouvir mantra lavando louça.Nada vai tirar minha paz; aliás, tem algo me chateando: meu cachorro Pepe, amigo de 13 aninhos, perdeu a mobilidade das pernas traseiras e preciso cuidar dele para que ele se alimente e faça suas necessidades fisiológicas.  Mas não posso sair do prumo por isso, senão ficaremos eu e ele deprimidos e não pode, né? alguém tem que fazer alguma coisa inteligente e útil e como sou da espécie racional, segundo a Biologia, então tento ser prática e positiva apesar de isso estar arruinando a minha lombar.
 Racional?  tenho cá minhas dúvidas quando leio o caderno de política e notícias sobre segurança e saúde no Brasil.
Aquele senador, “Larapiel”… aquele que fez um “puxadinho” no Senado, com escada caracol saindo do gabinete dele, para assistir filminho pornô com seus amiguinhos na salinha-privé-novinha feita-com-dinheiro-do-contribuinte , é racional ? não acho que seja. Para mim ele é um tipo estranho, como os Titãs diriam: bichos escrotos….
E eu diria que são  da espécie Federalis ladrus imundus , gênero Federalis.
Mas a questão aqui e agora é outra: o que fazer com os objetos que deram xaboo?? amanhã vêm os moços que consertam coisas e espero que não cheguem na mesma hora porque senão vai complicar,  e nem serei eu quem vai estar aqui para recebê-los porque tenho aula. Mas eu até esqueci de perguntar: além de mim, alguém ainda usa enceradeira ?

Julho 18, 2009

Eric Satie e pinturas por Santiago Rusiñol i Prats

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 1:21 am

Coisa maravilhosa que é aprender coisas!  Não tem fim nunca! Quando você está lá, achando que esgotou um assunto, eis que surge um negocinho interessante e você vai olhar com olho de tudo ver e acha um pequeno tesouro novinho em folha! Foi assim que descobri um pintor chamado  Santiago Rusiñol i Prats. (mas escreverei só o primeiro sobrenome)
Na verdade, descobri Rusiñol porque estava pesquisando sobre o compositor Eric Satie, que conheci através da pesquisa sobre os tais “anos loucos” de Paris – 1919-1929 – que é um assunto  que escolhi como tema pra um trabalho de faculdade.  Traçarei um breve paralelo entre a Modernismo aqui no BR com a produção artística e literária daquela época, em Paris.  Assim, de Paris dos anos 20, para Eric Satie e daí para o pintor Santiago Rusiñol foi um pulinho de dias.

Rusiñol parece ter sido um grande amigo de Satie, pois o pintou em algumas ocasiões  aparentemente íntimas, como quem divide um apê. Pintou também assuntos cotidianos, como o Moulin de la Galette sem ser na hora do “fervo”. Pintou a cozinha, os jardins, funcionários…nada que lembre um ambiente boêmio de “permissividades”, que outros pintaram com olhar noturno. Coisa interessante.  Imagina só: você é um pintor e frequenta o reduto boêmio de sua cidade e então, um dia, resolve aparecer por lá, tipo quatro da tarde e começa a pintar o local. Curioso é o resultado para a posteridade pois, no mínimo, o arquivo da cidade vai adorar seu registro histórico para mostrar às futuras gerações quando você  estiver no mundo espiritual e seus descendentes vão receber uns royalties pelo trabalho que você realizou numa tarde entediante.

De tarde, uma boate, uma grande casa noturna, um circo, são  apenas meros elementos na paisagem  cotidiana de quem mora perto.  Mas ele pintou também o Eric Satie e Satie era considerado um sujeito estranho porque só comia alimentos brancos, tipo queijo, leite, coco, cuzcuz  (não tinha cuzcuz na França, né? mas é só exemplo de alimento branco). Bom, mas Satie também era conhecido como “Monsieur Velour” porque só usava terno de veludo, tendo comprado certa vez, doze ternos de veludo cinza. Ainda sei pouco sobre ele, mas estou adorando. Além do que, sua música parece-me um elo de ligação entre a música clássica antiga e a “música clássica” moderna. Eu conhecia de ouvido a “Gnossiennes No 1″, mas não sabia que era dele. Gosto do clima introspectivo de suas músicas belamente tristes (apesar de Gymnopedie No. 1 ter umas notas alegrinhas infiltradas na tristeza)
E o Rusiñol também me passa certa melancolia em suas pinturas. E ambos me pareceram solitários pelas suas obras.

Rusiñol era viciado em morfina  (lembrou de alguém ?) e fez tratamento para se “desmorfinizar” e  livrou-se do vício. 

Abaixo, dois retratos de Eric Satie feitos por Rusiñol.

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Abaixo: Foto do Moulin de la Galette e retrato das cozinhas

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Abaixo: Uma luz linda feita por Rusiñol

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Mallorca – Santiago Rusiñol

Abaixo: Foto de Eric Satie
 

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Julho 16, 2009

Cães, Convulsões e Velhice

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 2:42 pm

Se alguém me disser um dia que velhice é uma coisa boa na vida, eu vou achar que a pessoa é um ET. Velhice não é bom pra nenhum ser vivente. Maturidade é outra coisa e temos exemplos de gente madura, com bom senso, que não são necessariamente velhas. 
Tudo que respira sofre quando fica velho: bicho… gente…e acho que se a gente pudesse entender a linguagem secreta das plantas, ouviríamos umas reclamações das plantas mais antigas do jardim.
Digo isso porque ontem presenciei uma das cenas mais chocantes de toda minha vida: meu cachorro, que fez 13 anos em Junho, teve uma convulsão e eu nem sabia que cachorros podiam ter convulsões. O quadro é assustador além de encher de dó o coração de quem vê.  A veterinária me disse que o animal pode ter convulsões secas ou com baba; pode estar calado ou gritar ou uivar. O meu Pepe, estava dormindo e acordou com cara assustada, como se alguém o estivesse enforcando (era isso que parecia): o pescoço meio pro lado e pro alto, mandíbulas à mostra e olhos arregalados. Ele se assutou e por isso rosnou. Então, imediatamente comecei a carinhar a região das costas e a chamá-lo e ele foi-se acalmando, mas dentro do que se pode ser calmo durante uma convulsão. Ele parou de mostrar a arcada dentária e ficou  se contraindo e tremendo um pouco. E foi acalmando e fez xixi na sua caminha. Babou um pouco também.
Quando passou, limpei tudo e fomos direto à clínica veterinária que, por sorte, é bem perto.
Meu coração ficou partido, pois Pepe sempre foi um cachorro de muita força, muita saúde e  também muito manhoso, doce, carinhoso. Sempre foi um cachorro amigo e divertido.  Você ver seu cachorro velhinho sofrer com essas coisas, não é fácil, não, viu?
Minha gatinha Pedrita, ficou assustada e saiu de perto. De noite, só queria ficar agarrada comigo. Para um felino, ela estava hiper dependente e ela nunca foi assim. Ela está nervosa ? será que ela tem medo de ter um treco? será que ela  pensa que ela será a próxima, já que também tem 13 anos?  Eu faço uns carinhos e ela dorme feito um gatinho baby.
Agora, Pepe está tomando Gardenal e rezo para ele não ter outra crise daquelas.
Uma coisa importante, para quem tem cães: se seu cachorro entrar nm quadro convulsivo assim, não coloque sua mão e nada na boca do animal, pois ele pode travar e se  você tentar tirar, dilacera mesmo. Coloque apenas um travesseirinho ou paninho embaixo da cabeça do animal  para que ele não bata com ela nos móveis ou chão (e afaste o cão dos móveis e paredes para que ele não se machuque).
Espere passar porque, normalmente, uma convulsão não é fatal e o cachorro pode ficar de 15 minutos a meia hora meio zonzo ainda, após a convulsão, mas volta ao normal.  A convulsão em si dura pouco minutos.
Pepe não está com força nas pernas e isso não é de agora.
Acho que sou uma boa dona para ele, mas não posso fazer muito mais do que faço…contra a velhice, quem pode ?
Meu cachorro anterior ao Pepe morreu aos 18 anos de idade. teve um AVC e foi imediato. 
Não tenho mais aquele sofrimento sobre o cão ou gato ou pássaro ou gente morrerem porque é da vida. Eu vou pra um canto e animais vão para outro. A roda de Samsara gira para todos e por todos os seres vivos do planeta. Mas ver alguém sofrer ou um animal sofrer, sem poder evitar, isso é duro. E quando é seu amigo de anos e que só confia em você, é pior ainda.
Vem aí o dia do amigo, dia 20 de Julho. Espero não perder outro.

Julho 13, 2009

13 de Julho: Dia do Rock

Arquivado em: Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 11:31 pm

Hoje é dia do rock e eu acho estranho que o rock tenha um dia pra comemorar porque rock  é um ritmo que  começou como uma atitude de contestação. Nunca quis ser instituído, mas vamos lá. Deve ser a globalização.
Rock é um ritmo derivado do rhythm and blues que, por sua vez, veio do blues que veio do gospel (cantado pelos negros  norte americanos escravizados, assim como os escravos daqui cantavam cantigas de lamento para os santos, que levou ao jongo e que levou ao samba). Isso mesmo: o rock e o samba vieram da mesma mãe Africa. Pode pesquisar à vontade! não é papinho furado!
Esse tal de roquenrou já é um senhorzinho de 50 anos e deve ter a cara do Charles Bukowski.
Mas o Chuck  Berry acelerou o rythm and blues e tinha uma atitude inquieta ao cantar e dançar e acabou inventando o rock and roll. John Lennon dizia que se houvesse outro nome para o rock and roll, ele deveria ser Chuck Berry.
Chuck Berry não tinha e não queria ter empresário. Ele mesmo vendia seus shows e contratava a banda pra o acompanhar. Se ele ainda faz shows, com certeza ainda é assim. Chuck Berry desafiou costumes altamente arraigados da sociedade preconceituosa e puritana (e hipócrita) americana  e, sendo negro, abriu as portas para outros roqueiros negros como Little Richard, por exemplo. Para quem se recusava a ouvir rock porque era “coisa de negros”, surgiu o Bill Haley e seus Cometas  e o Elvis. Mas o Elvis tinha voz de negro e as pessoas ainda não o tinham visto; só conheciam sua voz na rádio, quando ele surgiu.  E, de repente, havia o  Elvis, que  era lindo e tinha aquele jeito de dançar que deu a ele o apelido de Elvis, the pelvis. E era branco. Apesar dele ser censurado da cintura para baixo ao aparecer na TV, ele tornou-se o fenômeno que conhecemos. Elvis virou pop e Chuck Berry, não.
Mas o rock quando é assimilado pelas massas, vira pop. Aqui no Brasil, os Titãs, por exemplo. Não tem jeito. A Rita Lee…quantos roqueiros viraram pop depois de certo tempo? por que viram pop ?  porque ficam velhos e precisam se sustentar e à família ? se vendem para o mainstream?  isso é outra discussão acalorada, por sinal.
Mas hoje ainda é dia de rock, como diria o Zé Rodrix, e a minha vitrolinha das segundas vai tocar “Roll Over Beethoven” música do próprio Chuck  com o próprio na guitarra (e hoje tem vídeo!).
It`s  only rock and roll but I like it!  Enjoy it!

Juliette Binoche em dose dupla

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 2:54 am

Hoje acordei com saudades do cinema e pensei em passar o dia no escurinho da sala de projeção. Isso daria uns 3 ou 4 filmes, mas não confio muito em chegar em casa depois de meia-noite num Domingo. Paciência. É a cidade que anda estranha pra dirigir de noite ou eu estou paranóica ou ambas as opções estão corretas. De qualquer forma, deu pra ver dois filmes e entre um e outro, uma paradinha pra comer alguma coisa. Interessante é que no lugar onde fomos, eu e Caloã, tinha umas 8 salas e em duas delas passavam dois filmes diferentes da Juliette Binoche: “Horas de Verão” e “Paris”. Claro que foram esses dois que escolhemos, não só porque sou fã da Juliette, mas porque gostamos de filmes europeus, suas paisagens, luzes e maneira de contar uma estória sem ser previsível o final.
O primeiro filme, “Horas de Verão”, é um tanto quanto boboca. Eu diria que é um filme com moral da história: ” sua mãe sabe que está velha e vai morrer um dia e que os filhos vão se desfazer das coisas materiais porque o tempo urge e a fila anda. Portanto, não se sinta culpado”. Simples assim. Não tem conflito no filme e a “moral da história”,  aí do lado, poderia ser também a sinopse do filme. E a Juliette Binoche está loira. É muito estranho dirigir num  Domingo de noite no Rio e ver Juliette Binoche loira. 
Já “Paris”, é um filme com uma luz linda, umas tomadas legais da cidade (não iguais a tomada da Bastilha…desculpe a piada sem graça e babaquinha, mas foi inevitável…) e  tem a cena do sujeito de meia-idade dançando para a namorada que arrumou, de 18 aninhos. Situação patética, mas a cena foi hilária. Veja aí embaixo.Adorei o ator.
É um filme leve apesar de todo mundo ter problemas e tem uma pitadinha de humor. A moral da história desse filme poderia bem ser: ” todo mundo tem problema afetivos, financeiros e de saúde mesmo na mítica e glamourosa Paris”.  Tem uma cena em que o sujeito está indo pro hospital e vê as pessoas andando nas ruas, personagens do filme resolvendo seus problemas, tocando suas vidas e reclamando das coisas e ele diz que franceses são assim: sempre insatisfeitos, mas tinham que dar valor ao fato de respirarem com saúde e andarem tranquilos pela cidade. Ahhh…mas isso vale para todo mundo e em todo lugar.
A curiosidade do filme, é que a maior parte dos personagens está na faixa dos 40 anos e a personagem da Juliette diz que aos 4o, não é tão fácil arrumar um namorado porque os homens têm medo de mulheres que sabem o quer e eles preferem as mocinhas jovenznhas que são mais desprotegidas. Eu não concordo com isso. Acho que aos 40 você escolhe e não é mais escolhida e não vejo nada de errado nisso. E aos 40, se quem você escolhe  não está a fim de você, isso não faz  de você a criatura mais infeliz do mundo como quando somos adolescentes. Pelo menos, creio eu, que não deveria sentir-se assim. Shit happens…
Enfim, foi bacana o Domingo e a semana vai começar bonita.
Ah sim..queria dizer que na livraria do Unibanco Artplex (em Botafogo)  tem uma livraria imperdível. Vale à pena ir, mesmo sem entrar no cinema,  porque tem um acervo bem bom de livros sobre cinema, história  e vídeos pra comprar e tal.
Outra coisa: a trilha sonora do filme “Paris” é bem interessante. Não fenomenal, mas interessante. Se der, tente uma degustação “de grátis” por aqui na internet.
Abaixo,  cenas do filme “Paris”.

Julho 10, 2009

Trabalhinho bom de ter

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 1:52 pm

Já comecei a fazer meu zine com cara de revista (ou revista com cara de zine) de arte e literatura e estou na 2 ª fase da capa: 40 x 21 cm (formato aberto). Hoje entro na 3ª fase da capa.
Escolhi como tema, a primeira fase do Modernismo no Brasil, que coincide com os “Anos Loucos” (“Années Folles”) de Paris –  que abrigou os escritores expatriados americanos e inglêses. Juntei as “duas praias” e estou fazendo o meu próprio “balneário” artístico e literário histórico.  Tudo a ver. Pena que o tempo é curto e não dê para fazer algo mais extenso, pois bem que merecia uma pesquisa mais rebuscada posto que a Modernidade tal qual nós a conhecemos, começou ali, em Paris e naquele período (1919/1929). Alastrou-se pelo mundo, posteriormente,  feito fogo salvagem.
Falta ainda a diagramação do miolinho ( “inho” mesmo, pois só tem 8 páginas), mas o conteúdo já foi escrito.
Está sendo divertido fazer porque a liberdade em relação ao visual é total, uma vez que o que conta é a análise do conteúdo do texto e não é um trabalho de cunho comercial.  E, ao mesmo tempo, é um exercício bem interessante que me possibilita experimentar linguagens mais frouxas, ainda que dentro do conceito de Modernismo (e talvez por isso mesmo até…).
Enfim, quando ficar pronto, colocarei a capa aqui.

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