Meu Pepe se foi. Todos os dias, 22 kilos de Pepe andavam atrás de mim aonde quer que eu fosse e quantas vezes me levantasse da cadeira. Me acordava sempre quando achava que eu tinha dormido além do normal, e colocava todo o peso de sua cabeça na minha mão ou no meu colo para receber um carinho. Era um brutamontes carinhoso. O brutamontes mais doce que já vi.
Certa vez, ao ir me acordar, passou a pata no meu rosto. Ele estava no chão, pois nunca subiu na cama, e era a primeira vez que ele tentava me acordar, o que se tornaria um hábito seu. Ele passou a pata no meu rosto e acordei com susto e leve dor no nariz pois cães não sabem dosar a força e acho que ele pensava que ia apenas me fazer um carinho para acordar. Pois bem, ele levou um susto com meu susto e a partir desse dia, ele não mais passou a pata no meu rosto e sim passava sua cabeça na minha mão pendente, ou fazia ruídos engraçados com a boca, se não houvesse braço, mãos ou pés para fora da cama.
Pepe sempre foi o que eu costumava chamar de “cachorro falador”. Sempre falava sua língua estranha e demorava nos ruídos. Eu ria. Sempre acordava rindo com os ruídos engraçados do Pepe me acordando.
Quando ele era filhotinho, bocejava fazendo ruídos agudos e longos e eu ria. Quando adulto, bocejava fazendo ruídos graves e longos. Como não rir?
Ao me ver rir de seus ruídos, sons, conversas, quase sempre ele colocava as orelhas para trás e me olhava com cara de quem pergunta: — o que ? e me “espetava” com seu focinho, enrrugando-o. Eu ria mais ainda e ele parecia gostar da brincadeira, me “espetando” mais e eu ria mais.
Pepe foi um cão adolescente que, quando morávamos no interior, gostava de passar por entre as cercas de arame farpado do terreno como uma flecha e nunca se arranhava e eu nunca entendia como não. Ele gostava de se jogar no lago, mergulhando, dando barrigada na água, e nadando em dia de calorão.
Uma vez, correu em direção a um grupo de pássaros e levantou as duas patas dianteiras para fazer os pássaros voarem. Minha mãe diz que ele fazia sempre isso. Mas nunca correu atrás dos pássaros para morder.
Meu cachorro era uma figura. Um bruto, que nem quando estava com dor e rosnava para dizer que tava doendo, não me mordia nem mostrava os dentes. Só fazia aquele som de rosnado. Ele sempre se expressava com seus ruídos.
Foi o melhor amigo que uma pessoa pode ter. Todo mundo me dizia: — Norma, esse cachorro te ama.
Ele odiava ficar sozinho. Foi assim desde quando eu o ganhei e ele cabia na palma de minha mão, que é pequena.
Teve cinomose, mesmo vacinado e sobreviveu. O tratamento foi tão dolorido que ele pegou, nessa época, muito medo de veterinários ou homens vestidos de roupa branca, como os veterinários. Não atacava essas pessoas: ele defecava de medo.
Foi um cachorro como deve ser um cachorro desses, de filmes. Mas o melhor de tudo: foi real e viveu 13 anos comigo. Meu Pepe Pipoco. Pipitcho. Pipinho. Peperone…Tantos nomes para o amor . Meu amor de 4 patas.
Que São Francisco o abençoe e o ampare.
Saudades.
Desde semana passada que não toquei nenhum som, mas isso se deu por causa das preocupações e cuidados com meu cachorro Pepe, amigão de 13 anos, que tá tão doentinho. Mas tenho lido e enquanto não durmo, observando-o, estou lendo um livro psicografado de um artista que não assina, mas é tão óbvio de quem se trata que ele nem precisa assinar mesmo. O medium que psicografou se chama Robson Pinheiro, medium para autores espirituais de muitos livros ótimos e autor de uns outros bem bacanas também. No meu singelo blog de livros universalistas – 





