Estou andando calmamente em direção a minha casinha com uma sacolinha de mercado numa das mãos, que tinha dentro, uma garrafa de água sanitária. É hora do almoço. Menos de 10 minutos antes, eu tinha acabado de sair do mercado e a rua estava tranquila, movimento normal para uma avenida principal. Eis que de repente, eu me deparo com uma cena que parecia gravação de novela: um sujeito aparentando uns 47 anos, 1:80 de altura, cara de professor, calmo, sabe? parado olhando um sujeito de 1:68 de altura, mais ou menos e ambos estavam na minha frente a uns 15 metros. Entre eu e eles não tinha ninguém. O mais baixo estava histérico que nem o Al Pacino no filme ”Um dia de cão” e ele tinha uma pistola que parecia grande para o tamanho da mão dele. Ele gritava para o moço mais alto: — passa o dinheiro que você pegou no banco agora, p****! (o banco estava exatamente atrás deles). Eu olhei e não entendi bem se era aquilo mesmo e olhei de novo a mão do sujeito e não era arma de brinquedo e nem era gravação. Ele não se preocupou em tampar o rosto e parecia não estar preocupado se aparecesse a polícia. Eu pensei nessa hipótese, olhei ao redor e andei devagarzinho para o lado do paralelepípedo, para o rapaz não ficar nervoso comigo. Então, reparei que tinha um moleque numa moto esperando os acontecimentos e voltei pra calçada com minha sacola. Rezei para não aparecer polícia porque eu não teria onde me esconder decentemente num tiroteio. Nesse meio tempo, o moço calmamente mexeu no bolso da camisa e deu o dinheiro devagarzinho. Ele também estava com cara de quem não estava acreditando no inusitado da situação, pois era mesmo inusitado total. Assim: bandido com pistola na mão, com solão a pino, cheio de gente do outro lado da rua vendo a ação e uma mulher (eu) parada do outro lado deles, distante à 15 metros, com os olhos bem abertos…isso é para mim uma situação inusitada. Nem deu medo. Só quando pensei na hipótese da polícia passar e ver tudo foi que fiquei grilada e olhei ao redor para ver se embaixo do carro estacionado mais ou menos perto tinha vidro, pois eu me jogaria ali em último caso. O ladrão olhava pro moço, gritava e olhava pra mim de vez em quando e finalmente,graças a Deus, o resto do dinheiro foi dado e o assaltante correu e subiu na moto que deu a volta e sumiu no mundo – apesar de ser contra-mão numa avenida movimentada.
O moço que foi assaltado saiu andando lentamente com uma moça que se aproximou dele e as pessoas queriam saber se ele estava bem. Eu segui direto, mas vi os dois guardas do banco que foram ver o assalto por dentro do vidro da agência. Eu perguntei pro dono da banca de jornal (que fica quase em frente ao lugar aonde aconteceu o assalto e fica bem em frente ao banco) o porquê deles – os guardas – não terem ido lá resolver a questão, ao que ele respondeu que guardas de agência não podem fazer nada fora dos limites da agência bancária. Então tá, né?
Assim, cheguei em casa e fui fazer um sanduíche. Hoje voltei pra casa. Amanhã ? quem sabe?


