Houve um tempo em que eu tinha um certo bloqueio em relação ao Photoshop por achá-lo complicado. Junto a isso, tinha algum preconceito também porque achava que o desenhista, o artista que é bom mesmo, ia ter seu trabalho desvalorizado, como quando Daguerre inventou a fotografia e as pessoas acharam que a pintura ia acabar.
Bobagem.
Não sou uma super desenhista, mas me distraio muitíssimo com uns papéis e lápis, canetinhas, tintas e etc. que acabaram sendo parte da profissão que escolhi e essa nova ferramenta, que é o computador, pode ser uma ferramenta aliada, ferramenta complementar para quando temos que fazer aplicação do trabalho, voltado para a mídia digital ( CD / DVD, data-show, etc). Coisas da tecnologia.
Também é possivel fazer versões diferentes da imagem criada à mão, adequando-a ao melhor conceito e mídia. Não é crime alterar seu desenho original e sempre acho que se Da Vinci estivesse vivo, ele seria anos-luz melhor do que o designer mais criativo do planeta na atualidade – que não tenho a menor idéia de quem seja.
Sem contar que, com a possibilidade de fazer fusões de imagens, é possível criar atmosferas de sonhos, imagens que nem sempre nossa mão consegue fazer por falta de talento ou tempo mesmo…eis a questão que todo mundo briga: sem talento para desenhar, fica na “mediocridade” do Photoshop ou do Illustrator e outros softwares gráficos. Não creio nisso, sinceramente.
Talento não está ligado só à execução de uma idéia, mas também é isso. A outra coisa, é a capacidade de adaptar e unir conceitos diversos dentro de um trabalho, atingindo o objetivo almejado. Pra mim, passa muito por aí.
Acho que pensar diferente disso, é ter preconceito como já tive.
O mundo gira, o tempo não pára e se você precisa de algo rápido e não tem tempo para executar todas as possibilidades de representação imagética do mundo, à mão, então apure a técnica do software e mixe (sem purismos) as técnicas. Se tem mais tempo, se o cliente não quer o trabalho para “ antes-de-ontem”, então faça à mão. Um designer gráfico não é um artista livre, mas deve ter condições de trabalhar se faltar a luz e não puder ligar o computador. Ele é um sujeito criativo que escolheu colocar a criatividade dele para suprir necessidades mercadológicas. Não faz arte para galerias, se bem que nada deveria impedir que pudesse ir para a galeria, sim. Eu vejo trabalhos absolutamente incríveis de arte digital.
Lembro de Warhol que fazia silk e colocava latas de sopa Campbell estampadas nas coisas. Duchamps colocou um bigode na Gioconda. Eram gênios? Não sei, mas ficaram conhecidos como artistas e faziam uso dos instrumentos da modernidade em seus trabalhos. Muitos outros faziam isso de outras maneiras.
Com a tecnologia gráfica atual, a gente pode brincar muito, experimentar muito e isso é estimulante. Cabe a nós, que gostamos de experimentar, saber diferenciar as linguagens pictóricas e aplicar de acordo com conceitos e sabendo porque está fazendo o que faz. Não é simplesmente dominar uma técnica e fazer as coisas para os clientes porque é bonito – e a maioria dos webdesigners que não estudaram design gráfico não entendem isso. Não é porque é bonito que vai funcionar. Se ficou bacana sem conceito, imagina se colocar um estudo de semiótica e estilos de arte e aplicar no trabalho? ficaria muito melhor!
Mas enfim…tem que brincar com o que se faz, apesar das crises do mercado, o cliente chato, o tempo curto, a grana pouca…se não houver algum prazer nesse fazer, nesse estudar que é contínuo, então é melhor mudar de área e fazer um hobby com as coisas que aprendeu.
Abaixo, coloquei um rabisco, meio mal feito mesmo, ao lado de uma versão digital. A idéia é mostrar que qualquer uma poderia ser usada, dependendo de onde e para quê. O que difere é o uso e não mais a questão puramente de feio ou bonito. Ou seja, não basta ser apenas bonito, tem que haver ligação harmônica entre meio e mensagem, quem envia e quem recebe.
Artista pode tudo, inclusive usar mídia digital. Designer Gráfico pode quase tudo, pois quem define o tema e o que fazer com ele, é o cliente, através do briefing.


