
A imagem acima é a capa do novo CD da banda inglesa Manic Street Preachers e que acaba de ser retirado das prateleiras de quatro redes de supermercados por terem sido consideradas violentas em função do vermelho no rosto da pintura. OK, a intenção é de sangue mesmo. Não tem o que argumentar.
Não conheço o tipo de som que a banda faz e muito menos sei qual é o conceito do disco, qual foi a trilha percorrida até chegarem à conclusão de que esta capa é a mais adequada para o CD. Mas tudo em comunicação visual tem um briefing (e se nem sempre é assim, deveria ser), mas o fato é que pelo título “Jornal for Plague lovers” – Jornal para Atormentar Amantes - sendo que lover em inglês não tem a conotação de amante, “a (o) outra (o)” fora do casamento e , sim, aquele que ama, podendo ser namorada(o) e, inclusive, “o (a) outro (a)”…O fato é que a capa está lá e deve ter uma razão para ser do jeito que é.
Eles devem ter pensando que a arte tem, entre suas várias funções, a de incomodar, fazendo refletir. E tem mesmo e , de alguma forma, a pintura deve ter casado com o conceito das letras das músicas e a sonoridade do disco e então, Jenny Saville voltou a trabalhar em uma capa de disco da banda ( já havia feito isso em 94).
Tem uma música que o Caetano Veloso cantou no disco TRANSA que diz : “…pra que rimar amor e dor?”
Basta ser ser humano para quase sempre rimarmos amor e dor e no mundo das imagens, quando se faz a representação disso, vem um sujeito ou um “conselho” e resolve censurar. fazer o quê?
Essa coisa de censurar é muito estranha. Depende do lugar, da cultura local… depende da cabeça da “autoridade máxima do conselho regulador de imagens” e sei lá mais o quê…um monte de coisas. ..
Já vi capas mais ofensivas do que esta. Já vi capas de revistas, jornais e até de sites… imagens mil vezes mais chocantes do que esta. Qual será o critério?
O pessoal da banda, lá da terra dos Beatles, está reclamando, argumentando e ainda não sabemos que fim teve a estória.
Vou lá escutar a banda e volto depois.

