909 Noites Insones

Abril 27, 2009

World Graphics day

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 4:59 pm

gaphics-day21

 O Dia Nacional do Design Gráfico é 4/11,  por ser comemorado o aniversário do Aloísio Magalhães. OK. Tudo a ver.
Mas, em 1995, a ICOGRADA  (International Council at Graphic Design Association) estipulou a data 27 de Abril.
É a mesma coisa do dia nacional do livro e do dia internacional do livro, que postei abaixo:
por que não deixar uma data só quando existe uma data comemorativa internacional com similar no Brasil ? 
De qualquer forma, mando um abraço virtual para meus colegas designers brasileiros, talentosos e guerreiros.

Abril 26, 2009

Informação e Relacionamento: Internet sem Stress

Arquivado em: Papinho, reflexões — Norma Spagnuolo @ 4:19 pm

Na revista de Domingo do Globo, o cartunista Bruno Drummond publicou uma tirinha  e não resisti à tentação de digitalizar e mostrar aqui no blog (abaixo).
Muitas vezes, ficamos na frente da tela do computador, mas numa espécie de “branco”, sem saber o que fazer, porque as possibilidades de informação são imensas e nem sabemos por onde começar. Da mesma maneira, muitas vezes, o fato de alguém ter Orkut, msn, twitter, facebook e blog, não é sinal de que se relacione bem com as pessoas. Pode ser apenas um distanciamento da vida real e é muito sintomático da vida atual.
Não fazem 15 anos e não havia celular (ou se havia, não era pop) e não havia esse mundo de informações nessa velocidade que há hoje . Hoje em dia, até o BNDES está montando grupo para estudar a chamada “sociedade de conhecimento” que está chegando em função da facilidade de todo mundo conhecer as mesmas coisas ao mesmo tempo e é preciso que as pessoas parem para pensar nas suas vidas, desacelerem e passem a utilizar as informações de maneira criativa, pessoal, e não como a receita de um bolo, pronta, que todo mundo consume e difunde.
A moda, segundo a matéria que li no jornal, é parar para pensar na vida, desacelerar.
Acho bacana que passem a valorizar os cumpridores de tarefas em vez de os cumpridores de horários.
Isso, particularmente, me diz respeito porque nunca consegui encaixar-me no horário dos ” produtivos e competentes” seres que conseguem ligar um dispositivo interno que os fazem  ficar mais inteligentes, criativos e  produtivos quando o relógio mostra nove horas da manhã. 
Eu posso estar lá e  funcionar bem, mas certamente, funcionarei melhor a partir das 10 da manhã. De tarde e de noite, minha produtividade sempre foi a de um ser compulsivo por trabalho. Mas países latinos valorizam cumpridores de horários, mesmo que enrolem à beça….fazer o quê? 
E na internet tb tem esse equívoco: estar em todas, pode significar não estar em nada e ser muito sozinho (a).
tempos atrás, vi um blog onde o dono reclamava que ele queria ter uma namorada séria, mas caía no cinismo porque as meninas tinham um discurso e faziam diferente. ou seja, todas começam dizendo que quase não vão para a internet, salas de chat, etc e que buscam um amor, algo sério. E depois de uns dois meses, “vazavam”. Ele começou a fazer o mesmo para se proteger: não se envolver foi sua solução.
O que se conclui? seja para relacionar-se, seja para buscar conhecimento de um assunto, na internet, a comunicação e a informação vêm muito rapidamente e isso não significa seriedade em relacionamento nem conhecimento de qualidade sobre algum assunto. Principalmente em relação à conhecimento. Muitos sites apenas repetem informações de outros sites numa generalização de conteúdo pobre e, às vezes, errado.

Acompanhar tudo desde o momento que acorda até a hora em que vai dormir, gera ansiedade e stress emocional.
I-phone, laptop, celular 3G, MySpace….too much information. Pra que tanto? qual o objetivo final? E sua vida pessoal real, como está?

A Tecnologia de Informação tem que trabalhar pra nós e não podemos ficar escravizados por ela.

jornal

Um Dia de Sol e Arte

Arquivado em: Papinho, reflexões — Norma Spagnuolo @ 2:59 am

Hoje o dia estava maravilhoso com sua luz brilhante, mas sem calorão, típico sol de Outono. 
Saí cedo de casa na intenção de ir ao Aterro do Flamengo, sentar embaixo de uma palmeira e ficar lendo um livro e, de vez em quando, ver as pessoas circularem, serem elas mesmas sob o sol. Também estava nos meus planos comer, quando sentisse uma fomezinha, um “cachorro quente vulgar” com um refrigerante e passar um dia bem pop e sossegado, sem conversar,  pois não me senti muito boa companhia hoje para bater papo. Hoje, o dia prometia ser apenas de registrar as coisas. Na verdade,  foi de registrar as coisas e só por isso não ficou tão longe do planejado.

Só que  acontece que, não sei porque encantamento, eu não conseguia achar de jeito nenhum o estacionamento da parte do Aterro aonde eu pretendia ir e por fim, de saco cheio, acabei entrando na “agulhinha” que leva ao Monumento dos Mortos da II Guerra Mundial, lugar onde eu fui com meus pais umas vezes quando era criança e nunca mais tinha voltado lá. Continuava tudo igual em sua paz, seu sossego e aparência bem cuidada. Lá, o tempo não passou muito.
Estava uma calma paradisíaca lá e o dia lindo. Tirei fotos, caminhei e me entreti com as coisas do mar e da terra, de modo que nem abri meu livro.
Não consegui achar nenhum lugar decente para comer  um cachorro quente (e nem indecente também).
Tinha um café anexo ao MAM, onde tive que me contentar com um croissant duro, frio e caro. Prefiro um hot-dog vulgar, porém honesto, do que um croissant fresco, frio e sem sabor.
Então, caminhei mais um tiquinho e quando olhei no relógio, já eram quase 17 horas.
É que antes de chegar no Monumento, passei pela Marina da Glória, onde entrei por curiosidade e também porque não conseguia achar o tal estacionamento fantasma que mencionei lá em cima; havia um certo movimento ao redor e lá fui eu. Tinha um zilhão de mulheres lá! parecia um congresso de  bruxas ( no sentido de “mulheres têm poder, viu ?).  Depois de andar ao redor, fui perguntar a um dos seguranças o que estava acontecendo…o que era Caminho de Vênus ?  – tinha isso escrito em vários lugares e até um palquinho. Ele explicou que amanhã cedo vai ter uma corrida apenas de mulheres e hoje elas estavam indo pegar os kits, o chip e as camisetas customizadas na hora.   Saí de lá e foi então que fui até o Monumento e  MAM.

Enfim, adorei o passeio e se não tivessem roubado minha “magrela”, amanhã eu iria lá pedalar…pena..mas paciência.
“Vão-se os anéis , mas ficam os dedos”, não é assim que se diz?

Serei breve: lá no MAM, vi a exposição permanente, coleção Gilberto Chateaubriand, com quadros de  Anita Malfatti, Flávio de Carvalho, Di Cavalcanti, Goeldi, uma pá de gente boa.
Vi também a exposição sobre  NeoConcretismo, que fica até 7 de Junho. Tem umas pinturas do Helio Oiticica e uns livros do Ferreira Gullar, que adorei, por sinal. Não gosto muito de NeoConcretismo como arte de ver, mas como arte com função gráfica, comercial, eu acho bacana. Tinha um Manifesto do Não-Objeto, mas eu acho que o que havia naquela época era o Objeto-Não. Pois tudo é objeto. O que pode acontecer é ele ser um objeto que o criador negaria sua obra  a sê-lo e então, ele ( o objeto) é um objeto-não. Mas isso é só meu pitaco de não-entendedora e não-teórica de alguma coisa.
Tinha também a  exposição ” O Lugar do Ar” de uma artista plástica chamada Carla Guagliardi. Umas instalações curiosas…umas bolas infladas que me deram a sensação de serem ovos brancos gigantes meio amassados e que iam estourar daqui a pouco. Ovos de borracha. Sensorial a coisa. Gostei e sorri. 

Super legal uma coisa: havia uma projeção de uns balões brancos numa parede parede branca, com duas janelas brancas também projetadas atrás dos balões que se moviam, como se fossem soprados por brisa forte. Adorei a parede. Ficou bonita e gerou em mim bem-estar e adoro branco nas coisas. Eu ficaria ali horas olhando aquela parede.

Por fim tinha a exposição de fotos de Bob N e suas  impressões digitais enormes em poliestireno e vinil. Cores vivas, coisas que lembraram a pop arte de Roy Lichtenstein. 
Depois,teve o croissant ruinzinho e o resto, que já contei.

Ah !!   amei a  pintura La Cathédrale, de Antonio Bandeira, feita em 1955, se não me falha a memória. Não conhecia esse pintor cearense, mas isso não é novidade porque não conheço um montão de pintores…ehehehe. Mas existe internet para dar informação… Ele morreu em 1967, em Paris, aos 45 anos.
Sua arte parecia neoconcretista ou cubista ou algo assim, mas sem ser rígido…não sei explicar bem, mas era um “cubismo suave”, harmonioso…existe isso? Ah…tem que ver! Quem puder, não perca. Tá no acervo permanente,
no terceiro andar do MAM / RJ.

Abril 24, 2009

Rei Arthur & Cia: livro, filme, disco e HQ

Arquivado em: Papinho, sobre sons — Norma Spagnuolo @ 11:44 pm

rick_wakeman_myths_legends1Hoje estive trabalhando a maior parte do tempo sob o som de um disco do Rick Wakeman que eu não escutava há mais de um ano e que adoro: The Myths and Legends of King Arthur and the Knights of the Round Table. Como o próprio título já diz, é sobre a lenda do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda  e foi lançado em 1975. Na época, escutei logo assim que foi lançado porque o namorado da minha irmã comprou e levou pra minha casa. Eu tinha 11 anos e fiquei absolutamente viciada no som e nunca mais deixei de gostar. especialmente a faixa Guinevere que é um esculacho. Eu virei a garotinha chata que aluga o futuro cunhado perguntando pelo disco a toda hora…ehehe
Mas o disco todo é bom!!
Noutro dia, eu vi  o filme Merlin e lembrei do disco, mas não fiquei a fim de escutar porque estava na fase Patti Smith e não tem a ver misturar os estados de espírito. Então, depois, vi lá no orkut da Manoela  — que de vez em quando me visita aqui no blog — uns videos do Viagem ao Centro da Terra, também, do Rick e cujo disco foi igualmente lançado em 1975.  (Ele devia estar muito inspirado…)Voltei a lembrar do Arthur e seus cavaleiros.
Ele, o Rick Wakeman, veio fazer  uns shows aqui no Maracanãzinho e eu não tinha idade para ir…novidade…na época do Hair, do Gênesis, do Rick e outros, eu escutava mas não tinha idade pra ver. Aliás, ainda tem isso? menores de 16 anos  podem entrar em estádios pra ver show? 
Bom, então fiquei feliz de trabalhar ouvindo o som. Coisa grandiosa que o cara fez. Tem a Sinfônica de Londres, Coral de um zilhão de vozes, produção caríssima que, aliás, o próprio Rick Wakeman disse, posteriormente, que foi tão cara  que, mesmo vendendo milhões de unidades pelo mundo afora, o “Lendas e Mitos de Rei Arthur…” apenas se pagou e o lucro foi zero. Pudera…é como se alguém aqui no Brasil fizesse uma quase ópera-pop sobre  Canudos e juntasse no estúdio a OSESP e o Coral Meninos de Petrópolis, mais um tenor e um barítono solos.
E o sujeito ainda fez umas turnês com essa trupe luxuosa toda para mostrar o disco em estádios como o Wembley e Maracanãzinho!
O encarte do disco de vinil era lindo: um caderno com as letras das músicas e umas ilustrações para cada música. Tinha desenhos da Guinevere, da Excalibur, do Lancelot e as letras eram grandes e góticas. A capa desse disco duplo era a Exaclibur cravada na bigorna antes de Arthur desencrustá-la. Aliás, na lenda, a Excalibur não estava na pedra?  Bom, ele é inglês e deve saber o porquê de ter colocado a espada numa bigorna.

Li o livro da Marion Zimmer Bradley ” As Brumas de Avalon” e vi o filme também, mas umas das coisas mais legais que li sobre este mito, foi a “viagem” de um roteirista da Marvel Comics que escreveu a saga em história em quadrinhos, em 1987 (mais ou menos) e se chamava ” Camelot 3000 “. Na estória, o povo todo, Lancelot, Arthur, Galahad, Mordred, Morgana, Guinevere, etc, encarnou no 3000. Só que Lancelot encarnou como uma mulher e a Guinevere veio como mulher mesmo e deu o maior rolo porque eles não podiam trair o Arthur de novo, mas aí que rolou das almas de Lancelot e Guinevere se reconhecerem apesar das aparências diferentes e a tentação dupla transformou a vida deles um o inferno tripo. Triplo porquê ? Eis:
1º) Eles não deveriam cair na tentação de trair o Arthur de novo para não cair no mesmo erro cármico.
2º) Além de traidores de Arthur, também sofreriam o peso social de serem um casal homossexual.
3) O auto-preconceito de cada um, principalmente de Lancelot, que odiava estar aprisionado naquele corpo feminino. Sofria que dava dó.
Enfim, foi um dos quadrinhos para adultos mais bem feitos que eu já li.

Vi no History Channel um  lugar no meio do nada lá na Inglatrerra onde ,supostamente, estariam enterrados  Arthur e Guinevere.

Abril 23, 2009

Dia de vencer o dragão das próprias limitações

Arquivado em: Papinho, reflexões — Norma Spagnuolo @ 4:00 pm

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Queria falar um pouco sobre o São Jorge, mas não apenas sobre ele ser o vencedor contra nossos inimigos e tal. Tempos atrás, li que São Jorge é um santo “cassado” pelo Vaticano em 1969, pelo Papa Paulo VI, porque, segundo as normas da igreja, não pode ser santo quem não tem sua existência comprovada e aqueles (as) que estejam ligados à lendas fantásticas (no caso, matar o dragão, que é um animal fantástico).
Coisa interessante: Jorge é o santo padroeiro da Inglaterra e “adotado” aqui no Rio de Janeiro, apesar de nosso padroeiro ser Sebastião. Mas segundo o sincretismo do catolicismo com as religiões afro, na época colonial, Jorge é irmão mais velho de Sebastião, então tá tudo “em casa” aqui no Rio e não dá briga. Mas na África tinha o tal dragão? E dragão é  sinal de inimigo por quê?  na China, o dragão mereceu estar entre os 12 animais do horóscopo e é o único que não existiu de fato. O dragão simboliza a boa fortuna, a força  perseverante e coisas bacanas.
Quero dizer com essas coisas, que o  ” inimigo – dragão ” é apenas um símbolo e não existiu de fato, mas sua simbologia nos diz que devemos rezar pra Jorge nos ajudar a vencer nossos inimigos que  são nada além do que nossas más inclinações, nossas limitações e as vibrações ruins que possam emitir contra nós, como diz na sua famosa oração “…para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam, tenham mãos e não me toquem…cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar e nem em pensamentos possam me fazer mal”. Bacana.
Em nenhum momento, a oração diz para  nos defendermos furando o inimigo como Jorge supostamente furou o dragão. A oração não diz para emitirmos vibrações sinistras para quem nos quer mal e sim apenas pede para que o mal não nos atinja. Todo mundo e eu também, claro, ficamos passageiramente injuriados com alguém cri-cri, perdemos as estribeiras e tal e isso é normal, não?  Mas desejar o mal mesmo, é outra coisa. Então, o negócio é não emitir vibrações ruins e pedir na oração para que tais vibes não nos atinjam também.

Parece que Jorge existiu sim, na Turquia (Capadócia), mas acrescentaram o dragão, talvez, porque seja algo da idade média quando se  falava e escrevia muita bobagem sobre a fé, tipo “mulheres serem seres demoníacos”, “enterrar gato vivo na parede de uma casa protege contra bruxas” e  – quem sabe ? –  ”santo que mata dragão” ?
Tudo é possível.
Mas acredito na energia que  existe e acho que deve ser respeitada independente da religião que se tenha.

Um dia , num centro universalista, uma entidade dirigiu-se a todos os presentes numa véspera de dia de São Jorge e falou que o inimigo simbolizado pelo dragão, são nossas más inclinações, nossas pequenices, nossas limitações. Que “os filhos de Jorge” devem lutar contra esses verdadeiros inimigos e manterem-se longe de fazer  injustiças e sentir invejas, ódios,mesquinharias e vontades insandecidas de poder a qualquer preço. E é contra essas maldades draconianas que São Jorge guerreia e ajuda a todos a tentarem vencer.
Não é para fazer todo tipo de  maldade torpe por debaixo dos panos  ou assintosamente contra as pessoas que achamos que são nossos inimigos porque achamos que lutam contra nossos interesses  e pedir pra São Jorge nos ajudar a detornar mentalmente a pessoa.  É sórdido, covarde e pequeno. São Jorge não tem nada a ver com essa vibração e o castigo para isso, sim, vem a cavalo. O castigo é apenas a consequência de tal sandice.
Foi uma mensagem breve, mas muito emocionante. De força, mas totalmente voltada para a ética, o amor, a paz e a honradez.
E  Salve Jorge !

Abril 22, 2009

Dias de Comemorações

Arquivado em: Biblioteca, Filminhos, Papinho — Norma Spagnuolo @ 1:44 am

Hoje : feriado de Tiradentes, abertura oficial do ano da França no Brasil e também de lembrar e lamentar os seis milhões de judeus mortos pelos nazistas durante a II Guerra Mundial. Não morreram apenas judeus,  como também foram assassinados os intelectuais e militares alemães que não concordavam com o pensamento e atitudes de Hitler. Morreram também ciganos e gays. Enfim, aquele sujeito malévolo que era vegetariano, não bebia álcool e gostava muito de animais e  crianças, conseguiu causar sofrimentos sortidos e à granel.
O que resta à humanidade, quando se vê estes exemplos de sandices, é tentar aprender com a história. Neste caso, em particular, penso que a lição principal é: qualquer tipo de radicalismo levado à cabo por um homem ou um grupo, é uma coisa perigosa. Não importa se a ditadura/ fanatismo / ideologia (qualquer nome desses serve) é de direita ou do proletariado (como a de Hitler). O fato é que sempre favorece uma casta / tribo / classe / em detrimento da maioria e o resultado costuma ser desastroso, no mínimo e pavoroso, no máximo.
Sempre gostei de História  e tenho umas coisas, tipo: livros e  documentários sobre a II Guerra Mundial e sempre que podia, via filmes sobre o assunto. Agora vejo pouco, mas o Tom Cruise esteve no Brasil lançando “Operação Valquíria”. Vi a primeira versão deste filme de 2004, se não me engano, e foi muito bom. Trata -se de um filme  que fala sobre um nobre, Carl von Stauffenberg, que era um dos  coronéis de Hitler e junto com outros oficiais de alta patente, conspirou para assassinar Hitler em seu bunker.
Outro filme bom pra caramba (pra quem gosta do gênero)  foi ” Os 12 Condenados” que “fala” sobre 12 sujeitos aliados que já estavam condenados à prisão ou pena de morte e a única chance terem possibilidade de perdão, seria arriscarem-se numa missão ultra-perigosa, entrando num lugar infestado de nazistas de alta patente, que num momento de descontração com moças, num castelo de “recreação”, seriam pegos de surpresa e mortos e isso geraria uma baixa importante, considerável, na  intelligentsia alemã. Filminho antigo, mas com uma constelação de atores bons trabalhando juntos.
Inconfidência: Li um livro psicografado por Tomáz Antonio Gonzaga, que contava as coisas todas sobre o desenrolar da Inconfidência Mineira. Livro este que me fez chorar feito um baby quando chegou na parte em que ele narrava a morte da sua amada Marília (codinome poético e amoroso da namorada de Tomáz, que assinava  cartas de amor para ela sob o codinome Dirceu). Marília morreu velhinha, numa ladeira em Outro Preto, conversando com sua dama de companhia de toda a vida, que era tão velhinha quanto ela. Ela falava sobre Tomáz e mostrava para a dama de companhia a janela por onde ele acenava para ela, quando ela passava por lá, quando era mais jovem. Então, de repente, teve o infarto fulminante e foi pro outro lado.
Eu não esperava, naquele momento da leitura que ela morresse. Chorei que parecia que eu tinha perdido minha melhor amiga, minha mãe, sei lá.  Que nem quando morreu o Pedro Arcanjo, do livo ” Tenda dos Milagres”, de Jorge Amado. Chorei feito uma viúva. Um sofrimento.
A diferença é que Marília existiu de fato  e ajudou bastante os inconfidentes; foi uma mulher além da sua época e nenhum livro de história oficial lhe faz jus. Pedro Arcanjo é um ser ficcional, apesar de adorável em sua doçura e vivacidade.
Ah, o livro de Tomáz Antônio Gonzaga, é: “Confidências de um Inconfidente”.  Ainda que não se acredite em vida após a morte, em reencarnação e espíritos, recomendo a leitura  da mesma forma, pois na pior das hipóteses,  se não fosse verdade, seria uma estória eletrizante e muitíssimo bem contada.
Os inconfidentes foram influenciados pela Revolução Francesa e seu ideal de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Por isso, hoje é o dia da abertura oficial do ano da França no Brasil e terminará  em 15 de Novembro de 2009, dia da República. O lema “Ordem e Progresso” também é de inspíração francesa, de um positivista francês chamado “Auguste Comte”.
Eu ia dar uma volta lá na Lagoa pra ver os fogos e tal, mas  passei por lá  quase ao meio-dia e o trânsito embolou por causa de bolsões de água que se formaram em alguns trechos por causa das chuvas que caíram e eu pensei que ,de noite, podia ficar pior  e resolvi ficar aqui no aconchego quentinho do meu lar.
Amanhã comemora-se o “descobrimento” do Brasil e depois de amanhã, tem toque de alvorada, dia de São Jorge, soldado que se converteu ao cristianismo. Tem bairros em que as pessoas terão que dormir de tampão nos ouvidos…mas eu não me incomodo porque de manhã cedinho durmo como um fóssil jurássico embaixo de uma pedra numa caverna.

confidencias

Abril 20, 2009

Minha Vitrolinha: Cartão-Postal

Arquivado em: Minha Vitrolinha — Norma Spagnuolo @ 9:48 am

hoje vou tocar na minha vitrolinha um sonzinho da Rita Lee que gosto muito e que tem a ver com a minha fase atual de fazer rabiscos-postais. Além de que, a letra é bem pragmática em relação às idas sem retornos e despedidas que nós todos experimentamos um dia ou às vezes, dependendo da sorte ou do temperamento de cada um.
Você sofre, se lamenta, depois vai dormir porque o adeus traz a esperança escondida. Pra quê querer ensinar à vida?

Essa vai para os integrantes da Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta:

Cartão Postal
(Rita Lee / Paulo Coelho)

Pra quê sofrer com despedida,
Se quem partir não leva nem o sol, nem as trevas
E quem fica não  se esquece tudo o que sonhou?

Eu sei, tudo é tão simples que cabe num cartão postal
E se a história de amor não acabou tão mal
O adeus traz a esperança escondida

Pra quê sofrer com despedida
Se só vai quem chegou e quem vem vai partir?
Você sofre, se lamenta, depois vai dormir

Sabe, alguém quando parte,
é porque outro alguém vai chegar
Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar
O adeus traz a esperança escondida
Pra quê?

Sabe, alguém quando parte,
é porque outro alguém vai chegar
Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar
Pra quê querer ensinar a vida?
Pra quê sofrer?

Abril 18, 2009

Dia Nacional do Livro Infantil

Arquivado em: Biblioteca, Papinho — Norma Spagnuolo @ 3:06 pm

Diz-se por aí que hoje é o Dia Nacional do Livro Infantil mesmo tendo sido comemorado o Dia Internacional do Livro em 02 de Abril. Ou seja, em Abril, duas comemorações pelo mundo dos livros.
Diz-se também que esta data, 18 de Abril,  foi escolhida pra Dia Nacional do Livro Infantil por ser aniversário de Monteiro Lobato.
Sinceramente? não acho que tenha a ver, não. Podia-se comemorar o dia nacional do livro infantil no dia internacional do livro. Por que não?

Eu acho que M.Lobato ia ficar bem mais feliz se instituissem a data de seu aniversário como sendo o dia da fruta ou dia da floresta brasileira, onde se faria pelo Brasil afora uma série de eventos culturais e também ecologicamente corretos, como workshops sobre reciclagem de lixo caseiro, melhor aproveitamento dos recursos hídricos, mutirão para limpar algum lugar sujo, etc. Monteiro Lobato tem mais a ver com essas coisas e, inclusive, era muito preocupado com a questão do petróleo, tendo comprado briga com o governo federal na época e tudo, por causa disso.
Eu disse  ”dia da fruta” ?  nossa !  que legal isso ia ser!
Bom, mas o Monteiro…Monteiro Lobato escreveu sobre essa coisa deliciosa que temos aqui no Brasil de dar valor a uma conversa na cozinha, a andar de pé no chão, a subir numa árvore e sentir o cheirinho bom de um bolo esfriando no parapeito da janela e a gente fala alto pro dono da casa ouvir  — “mas tá muito bom o cheirinho desse bolo!” .

Mas tudo bem. Hoje é dia do Livro Infantil e eu lembro do Guto Lins sempre que se fala em livro infantil. Não o conheço pessoalmente, mas tenho um livro dele que trata sobre o assunto ( “Livro infantil ? – projeto gráfico / metodologia / subjetividade “)  e ele sabe muito bem do que fala. Um dos nomes fortes do panteão do design editorial no Brasil.
Também lembro da Bruxa Onilda, personagem criada por Roser Capdevila e E. Larreula. Existe um monte de livros desta bruxa bem bacana. Certa vez, numa livraria, paguei o mico de rir muito folheando um dos seus livros. É para crianças, mas tem adulto que também se diverte…

dupla

Abril 17, 2009

Eu, Rose e Felix no Ibis Congonhas

Arquivado em: Papinho, vídeo — Norma Spagnuolo @ 11:32 am

Estou aqui pensando em viajar. Tô um fiapinho de Norma e acho que, viajando, o mundo fica do tamanho que ele tem realmente e a gente sái da vidinha  “de 12 m²”.  Tenho a nítida sensação de que a vida dói menos quando se viaja mais.
Podia ser para qualquer lugar, mas adoro pegar avião e as tarifas mais em conta são sempre para São Paulo, cidade que também adoro. Só que  fui ver os preços das tarifas e as compainhas aéreas enlouqueceram: estão caríssimas  neste mês de Abril !! Mais de trezentas pratas !! Se não der pra ir em SP, vou pra outro canto….seja de ônibus ou dirigindo (de bicicleta não dá porque roubaram a minha… snif snif).
Não vou a SP dirigindo porque não sou louca a esse ponto. 
Perambular é uma coisa que está no DNA da família: Meu avô veio da Itália e meu outro avô de Portugal e o mesmo com minhas avós.
Meu pai, conheceu minha mãe por carta e foi em Porto Alegre conhecê-la, numa época em que não existia internet e isso prova como o gosto pelo desconhecido está mesmo no sangue. Minha irmã e mãe são gaúchas e minha irmã mora fora do Brasil (há anos) e minha mãe fora do Estado dela (há anos também). Meu pai passeia pra lá e pra cá até hoje e depois de separado de mummy, casou com uma moça do Ceará. É, praticamente, um pirata das estradas , não?

Lembro de uma tarde de sexta-feira em SP, quando uma amiga minha ,que  a-d-o-r-o,  me levou até o aeroporto e lá chegando, um temporal desabou. Ela, em sua infinita gentileza, ficou esperando comigo para ver se passava a tempestade, mas eu sabia que ela tinha compromissos e o trânsito já é naturalmente caótico lá. Com chuva torrencial, é um pesadelo. E nada do aeroporto de Congonhas abrir para vôos e decolagens.
O tempo passando, a chuva apertando e a sexta-feira anoitecendo e minha amiga precisando ir embora , mas estava grilada de me deixar ali sozinha. As filas enormes nos guichês das compainhas e eu com medo de viajar  de noite com temporal. Sim… pois se amo voar, também é verdade que tenho pavor de raios e nunquinha que eu ia voar até onde eles moram. E a passagem ali, naquela hora estava cara pra caramba. Viajar de noite com raios e pagar caro pra isso não me parecia um solução inteligente.
A solução desejada: passar uma noite tranquila, de banho tomado, comidinha gostosinha e quente e, no dia seguinte ,vir pro Rio com um céu lindo pra se ver da janelinha. E foi isso o que eu consegui indo dormir bem em frente ao Congonhas, num hotel que tem lá (Ibis). Saía mais barato passar a noite lá e vir de manhã com calma do que encarar uma despendiosa noite de horror no céu. Lá fui eu na van do hotel que tem no aeroporto. Mordomia! eba! era tudo o que eu queria! E minha amiga foi na direção do seu compromisso.
Foi tudo tranquilo lá no check-in do hotel apesar do caos ao redor e quando saí do chuveiro de águas quentes e abundantes (chuveiro anti-mau-humor), liguei a TV enquanto secava o cabelo e tal quando vi que passava um filme em que dois passageiros de um aeroporto  não podiam viajar por causa do mau tempo. A mesma situação que a minha!! achei engraçada aquela coincidência e fiquei assistindo. O filme se chama “Fuso Horário do Amor”, com o Jean Reno e a Juliette Binoche. Ela era a “Rose ” e ele era o “Felix”, meus companheiros de mentirinha.

Alguém pensou que podia haver um “cobertor de orelha”?  poderia, né? mas algumas vezes um bom filme pode ser bem melhor do que certas compainhas. E naquele dia foi.
Ahh! E a comidinha quente?  um self-service honestíssimo no hotel, lá embaixo. Recomendo!

Fuso Horário do Amor

Abril 16, 2009

O Dia da Voz

Arquivado em: Papinho, sobre sons, vídeo — Norma Spagnuolo @ 4:20 pm

Hoje é dia da voz e por coincidência, fui ouvir na noite de ontem  o Paul McCartney cantando uma música em que ele simplesmente extrapola sua capacidade vocal,  que nunca foi pouca. O homem simplesmente tinha um gogó mágico e misterioso e tinha gente que o chamava de o homem das mil vozes.
Hoje, ele já não tem mais a mesma capacidade, mas ele está com 67 anos e canta (a plenos pulmões) desde os 19 pelo  menos. É altamente perceptível o desgaste da voz do Paul, mas ele ainda está afinado. E sempre foi e é ainda um trabalhador compulsivo da música.
Falando em música, a que escutei ontem, “Monkberry Moon Delight”, o Paul deu notas altíssimas e deu notas baixíssimas, e acho que ele fez aquela música para exibir-se pro John na ocasião da separação dos Beatles. Acho que ele queria mostrar que ele era a voz dos Beatles, ou era muito ousado ou sei lá o quê que se passou na cabeça dele para compôr algo tão vocalmente aburdo.  Na primeira vez em que a escutei, me deu nervoso. Pensei que ele ia desafinar.Mas isso foi há bastante tempo atrás.
Ele brinca de desafinar, brinca de fazer palhaçada na música, mas fica lá dentro da melodia, transitando em alta velocidade pelo  tom sem despencar. Um espanto. E a letra não diz nada de importante. é pura bobagem. Coisa de quem fez a música só pra mostrar seu virtuosismo vocal (mas ele podia, né?).
Então, vou deixando o vídeo com a música para quem tiver curiosidade de ouvir o que o Sir Paul fazia com sua voz quando era um beatle desempregado, re-começando na carreira como um simples “freela”.
Mas sempre uma das melhores vozes do mundo, sem dúvida.

Aliás, Harry Nilson também tinha uma voz divina (ele cantava “Everybody`s Talking” do filme Midnight Cowboy/ Perdidos na Noite  – e “Withou You”). Transitava em todas sem sair do tom.

E a Elis Regina ?  Melhor voz feminina de todos os tempos, na minha opinião. Coisa de doido.

Com vocês…”Monkberry Moon Delight” com Paul McCartney, no dia da voz
(vocais femininos de Linda McCartney)

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