Hoje o dia estava maravilhoso com sua luz brilhante, mas sem calorão, típico sol de Outono.
Saí cedo de casa na intenção de ir ao Aterro do Flamengo, sentar embaixo de uma palmeira e ficar lendo um livro e, de vez em quando, ver as pessoas circularem, serem elas mesmas sob o sol. Também estava nos meus planos comer, quando sentisse uma fomezinha, um “cachorro quente vulgar” com um refrigerante e passar um dia bem pop e sossegado, sem conversar, pois não me senti muito boa companhia hoje para bater papo. Hoje, o dia prometia ser apenas de registrar as coisas. Na verdade, foi de registrar as coisas e só por isso não ficou tão longe do planejado.
Só que acontece que, não sei porque encantamento, eu não conseguia achar de jeito nenhum o estacionamento da parte do Aterro aonde eu pretendia ir e por fim, de saco cheio, acabei entrando na “agulhinha” que leva ao Monumento dos Mortos da II Guerra Mundial, lugar onde eu fui com meus pais umas vezes quando era criança e nunca mais tinha voltado lá. Continuava tudo igual em sua paz, seu sossego e aparência bem cuidada. Lá, o tempo não passou muito.
Estava uma calma paradisíaca lá e o dia lindo. Tirei fotos, caminhei e me entreti com as coisas do mar e da terra, de modo que nem abri meu livro.
Não consegui achar nenhum lugar decente para comer um cachorro quente (e nem indecente também).
Tinha um café anexo ao MAM, onde tive que me contentar com um croissant duro, frio e caro. Prefiro um hot-dog vulgar, porém honesto, do que um croissant fresco, frio e sem sabor.
Então, caminhei mais um tiquinho e quando olhei no relógio, já eram quase 17 horas.
É que antes de chegar no Monumento, passei pela Marina da Glória, onde entrei por curiosidade e também porque não conseguia achar o tal estacionamento fantasma que mencionei lá em cima; havia um certo movimento ao redor e lá fui eu. Tinha um zilhão de mulheres lá! parecia um congresso de bruxas ( no sentido de “mulheres têm poder, viu ?). Depois de andar ao redor, fui perguntar a um dos seguranças o que estava acontecendo…o que era Caminho de Vênus ? – tinha isso escrito em vários lugares e até um palquinho. Ele explicou que amanhã cedo vai ter uma corrida apenas de mulheres e hoje elas estavam indo pegar os kits, o chip e as camisetas customizadas na hora. Saí de lá e foi então que fui até o Monumento e MAM.
Enfim, adorei o passeio e se não tivessem roubado minha “magrela”, amanhã eu iria lá pedalar…pena..mas paciência.
“Vão-se os anéis , mas ficam os dedos”, não é assim que se diz?
Serei breve: lá no MAM, vi a exposição permanente, coleção Gilberto Chateaubriand, com quadros de Anita Malfatti, Flávio de Carvalho, Di Cavalcanti, Goeldi, uma pá de gente boa.
Vi também a exposição sobre NeoConcretismo, que fica até 7 de Junho. Tem umas pinturas do Helio Oiticica e uns livros do Ferreira Gullar, que adorei, por sinal. Não gosto muito de NeoConcretismo como arte de ver, mas como arte com função gráfica, comercial, eu acho bacana. Tinha um Manifesto do Não-Objeto, mas eu acho que o que havia naquela época era o Objeto-Não. Pois tudo é objeto. O que pode acontecer é ele ser um objeto que o criador negaria sua obra a sê-lo e então, ele ( o objeto) é um objeto-não. Mas isso é só meu pitaco de não-entendedora e não-teórica de alguma coisa.
Tinha também a exposição ” O Lugar do Ar” de uma artista plástica chamada Carla Guagliardi. Umas instalações curiosas…umas bolas infladas que me deram a sensação de serem ovos brancos gigantes meio amassados e que iam estourar daqui a pouco. Ovos de borracha. Sensorial a coisa. Gostei e sorri.
Super legal uma coisa: havia uma projeção de uns balões brancos numa parede parede branca, com duas janelas brancas também projetadas atrás dos balões que se moviam, como se fossem soprados por brisa forte. Adorei a parede. Ficou bonita e gerou em mim bem-estar e adoro branco nas coisas. Eu ficaria ali horas olhando aquela parede.
Por fim tinha a exposição de fotos de Bob N e suas impressões digitais enormes em poliestireno e vinil. Cores vivas, coisas que lembraram a pop arte de Roy Lichtenstein.
Depois,teve o croissant ruinzinho e o resto, que já contei.
Ah !! amei a pintura La Cathédrale, de Antonio Bandeira, feita em 1955, se não me falha a memória. Não conhecia esse pintor cearense, mas isso não é novidade porque não conheço um montão de pintores…ehehehe. Mas existe internet para dar informação… Ele morreu em 1967, em Paris, aos 45 anos.
Sua arte parecia neoconcretista ou cubista ou algo assim, mas sem ser rígido…não sei explicar bem, mas era um “cubismo suave”, harmonioso…existe isso? Ah…tem que ver! Quem puder, não perca. Tá no acervo permanente,
no terceiro andar do MAM / RJ.