Março chegou ao fim. Acaba hoje, com uma chuvinha fina e rala depois de um verão boboca, pouco alegre e mal inspirado. Mas começou o Outono e eu simplesmente amo o Outono e sua luz de Maio. Nasci no verão por acidente, afinal, sou prematura de 8 meses, mas foi só por 3 dias de adiantamento e me considero moralmente um ser outonal. Também no finalzinho do verão, nasceu a cantora Elis Regina, umas das maiores e melhores vozes da música brasileira; não era só a voz que era ótima, mas a forma de Elis cantar, única, que a faz inesquecível.
Eu queria pôr pra tocar na minha vitrolinha um som da Elis, mas queria também fugir do clichê que seria tocar “Águas de Março” e, por isso, escolhi “Quero”, música de Thomas Roth e Luis Guedes, que fez muito sucesso nos anos 70.
Música que vai um pouco pela linha “bicho grilo: viva a natureza, eu amo o beija-flor” que alguns compositores e cantores seguiram lá pelos anos de 1975/1976.
Erasmo Carlos, Guilherme Lamounier (que toquei aqui noutro dia na vitrolinha – ” Será Que Pus Um Grilo na sua Cabeça? ”), Zé Rodrix & Guarabira e uns outros tantos tiveram suas fases “Pode Crê”.
Não que fosse uma época de preocupações ecológicas. Longe disso. Foi uma fase imunda no planeta (sob todos os aspectos).
No Brasil, era uma época de ditadura brava e eu não tinha noção disso por ser criança, mas essas músicas tipo “roquezinho rural” deviam ser uma espécie de reflexo ou resultado de um escapismo para o campo, para uma vida rural longe da possibilidade de ser “desaparecido” na cidade.
Tinha o “Clube da Esquina” que era um grupo de mineiros da turma do Mílton Nascimento e Lô Borges. Fizeram dois discos duplos deliciosos de se ouvir além dos projetos solos.
Tenho a ligeira desconfiança de que, quanto maior a censura, mais inspirados ficam os compositores. Ou então, na dor e no medo, se faz mais arte de boa qualidade. Será que é isso?
O sofrimento faz produzir arte de melhor qualidade?
Bom, vou ali no sofá esticar minhas costinhas e refletir sobre o assunto e deixo aqui a música “Quero” na voz da inimitável Elis Regina.
“Quero”
autores: Luis Guedes / Thomas Roth Elis Regina
Arquivado em: Bem Estar — Norma Spagnuolo @ 7:10 pm
Se eu perdesse tudo que tenho (mesmo não sendo muita coisa eheheh) e na semana seguinte eu conseguisse recuperar tudinho, igualzinho como era antes, será que eu ia sentir bem-estar? Provavelmente. Um bem-estar que vem com o alívio. Mas acho que também eu ia refletir se alguma coisa me fez falta ou se não seria dispensável.
Sempre falam que a gente só dá valor às coisas e pessoas, depois que as perdemos. Acho que isso é verdadeiro para a maioria das pessoas, mas também é verdadeiro o fato de que, quando a gente não tem mais certas coisas, a gente percebe que elas não fazem tanta falta quanto a gente supunha que faria.
Sinto falta da minha bike, que ainda tô pagando. O tempo está ótimo para dar umas pedaladas e Deus sabe como tô precisando fazer uns exerciciozinhos agora, que passei do manequim 40 para 42 (parei de fumar em Outubro de 2008).
Mas acho que o não apego também é uma forma de ser feliz sem ter muita noção disso. Eu explico: se eu me tornasse uma pessoa super materialista que chora e tudo por causa de coisas que o ladrão e a enxurrada levam e o fogo queima, eu teria – provavelmente – muito mais sofrimento na vida. E agora neste super momento nirvânico e transcendental, histórico, estou tendo esta noção !
Não ter coisas pode ser bom, mas também tem suas chatices. Mesmo sendo pouco materialista, eu ficaria muito, muito, muito infeliz sem a minha lava-louças – meu único bem de consumo que é, realmente, muito amado, adorado; meu Graal encantado, que vive lá na cozinha. Eu poderia ir para a fogueira da Inquisição pelo culto e adoração à lava-louças.
Fala sério! louça é uma coisa que parece ser a prova definitiva da existência da geração espontânea ! louças têm vida própria e reproduzem-se na cuba da pia quando você não está olhando. Você acaba de lavar a louça e vai ali fora regar uma planta e toim! quando volta na cozinha, lá está um objeto sujo dentro da pia. Grrrrrrrr
Por isso, amo e venero meu totem sagrado branquinho: minha amada, bem tratada e desejada lava-louças.
Mas tem outras coisas que me dão sensação de bem-estar…..
• banho ”de morno pra quente” depois de ter encarado uma super chuva.
• dormir na minha caminha limpinha, fofinha e cheirosinha quando estou com muito sono.
• Pepe e Pedrita me esparando para a ”nossa hora” de ver filme ( ou “lermos” um livro).
• beber água quando estou com sede, comer quando estou com fome e suprir todas minhas necessidades básicas sem esforço nenhum. Sem saúde, não dá para fazer coisas básicas e sem elas a vida seria um suplício.
• Viajar
• Banho de piscina em dia de sol
• Ler livros ( inclusive os livros espíritas).
• A luz do mês de Maio, no Rio…tão bonito de ver….e também, o Outono no Rio é uma delícia…
• Ouvir música
• Ganhar uma massagem nas costas e também nos pés.
Você já parou para pensar no que lhe causa bem-estar?
Arquivado em: Biblioteca — Norma Spagnuolo @ 3:16 am
Hoje eu estava procurando um lugar para comer um docinho quando lembrei que inaugurou uma livraria Nobel lá no shopping. Gosto dessa livraria, embora a minha predileta seja a Livraria Cultura que, infelizmente, não tem filial no Rio de Janeiro e que sempre visito quando vou a São Paulo.
Pensei em dar uma voltinha lá (na Nobel do shopping, não na Cultura de São Paulo) e não resisti…saí de lá com mais três livros para a fila de futuras leituras, que cresce na minha estante, mas que fazer? sempre tem livros interessantes para ler e ler é como viajar de avião sem tirar os pés da terra.
São eles:
1) ” O Rei da Noite”, do João Ubaldo Ribeiro – Gosto dele pra caramba. Recomendo qualquer um que ele tenha escrito e também sua coluna no jornal o Globo.
2) ” Eu Vivi por um Sonho ” , de Maria Rosa Cutrufelli – É a história de Olympe de Gouges, que durante a Revolução Francesa, pregava os Direitos da Mulher. Eu nunca havia falado da autora e nem da personagem, mas folheei o livro lá na livraria e pareceu gostoso de ler, sabe? leitura que prende a gente. Vou saber sobre a Mademoiselle Gouges e depois comento aqui. Adoro biografias de desconhecidos importantes !
3) “100 Grandes Artistas – Uma Viagem Visual de Fra Angelico a Andy Warhol “, de Charlotte Gerlings (na foto aparece a edição estrangeira, mas a capa nacional é idêntica) - Um livro lindo em papel Couché e formato 28,5 x 23 cm, que tem 208 páginas. Amo livros que falam sobre os artistas, colocando-os dentro do seu contexto social e não consigo conceber a idéia de contar qualquer coisa sobre alguém ou alguma coisa sem que se faça essa pesquisa. Além do mais, é sempre bacana ver novas pesquisas e a opinião de especialistas em relação a velhos temas porque é outro ângulo, outra idéia e outras palavras, como dizia Caetano Veloso.
Para mim, que sou uma pessoa curiosa sobre arte e não tenho formação nenhuma de Artes Plásticas e nem de História da Arte, me delicio com esse tipo de livro. Principalmente quando a linguagem não é tão acadêmica como o Gombrich.
Aqui embaixo estão as fotos das capas.
Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 12:06 am
Mais sobre telemarketing….
Deu na TV hoje:
“Uma lei sancionada em São Paulo nesta terça-feira pretende livrar os consumidores de atender ligações indesejadas de telemarketing a qualquer hora do dia. A lei proposta pela Assembléia Legislativa e sancionada pelo governador José Serra cria o Cadastro para Bloqueio do Recebimento de Ligações de Telemarketing no estado de São Paulo.
A lógica é simples: as pessoas que não quiserem mais receber as ligações de empresas vendendo produtos, políticos pedindo votos ou bancos oferecendo cartões de crédito, devem fazer uma solicitação formal junto à Fundação Procon-SP para ingressar no cadastro.
As empresas que não respeitarem o cadastro estarão sujeitas às penalidades do Código de Defesa do Consumidor, ou seja, multa de R$ 200 a R$ 3 milhões (conforme o tamanho da empresa) e até suspensão das atividades. “
Você vai no site do Procon e se cadastra e pronto. Mas só em SP e não ouvi nada a respeito de outros Estados aderirem.
Eu acho isso curioso porque, se por um lado odeio ser acordada num Sábado de manhã pelo operador de telemarketing, por outro lado, existiriam facilidades na vida quando o serviço é necessário e vantajoso. Talvez por saberem da parte conveniente de haver tal serviço, quando funciona para receber reclamações inclusive, é que os advogados e empresários de empresas colocam serviços abusivos, se escorando por trás dos atendentes.
Então, isso também explica a razão de serviços de telemarketing serem proibídos nos EUA, por exemplo.
Enfim, se funcionasse de verdade apenas para o bem dos consumidores, seria uma maravilha, mas não é o caso. Então, o que continuo dizendo é: galera do telemarketing. mudem de emprego e deixem esses covardes engravatados, especialistas em má fé, colocarem seus próprios argumentos, voz e ouvidos para venderem o peixe, muitas vezes podre, deles.
Ao que parece, o cerco está se fechando para eles e os funcionários deviam entender que neste emprego eles estão sendo manipulados por tubarões que se aproveitam da necessidade das pessoas de terem empregos. É sórdido.
Eu penso isso e muitas pessoas pensam também. Se servir para a pesquisa de alguém, que se faça constar. Sem problemas.
Olha que bacaninha que é o Photoshop e sua área de trabalho em 3D ! Quem fez, está de parabéns pela idéia!
Recebi isso de uma amiga tempos atrás e adorei!
Imagine a cena: O ano é 2050 e você está se sentindo carente. Pode ser que seja jovem e sem tempo para ter um relacionamento sério , ou ninguém mais pensa em relacionamento amoroso monogâmico nesses tempos; ou então, porque já tem certa idade e já não é fácil encontrar pessoas com quem se afinize…sei lá….algo assim bem estranho…
Algo meio Blade Runner…a camada de ozônio é uma casquinha e tem racionamento de água no planeta, por rodízio dos continentes. Mas a tecnologia de comunicações está avançadíssima: você pode falar com quem quiser pelo telefone de pulso e até sentir o cheiro da pessoa e do ambiente onde ela está.
Mas acontece que todo mundo tem pressa e ainda não acharam uma fórmula para melhor distribuir a renda, de modo que a maioria das pessoas têm que trabalhar quase doze horas por dia e, nos horários de descanso, vê TV, namora pelo computador ou dorme, pois sair de casa é perigoso.
Nada parecido com a nossa boa e segura vida de hoje, claro.
Mas num sábado, você vai na rua especializada em vendas de robôs na tentativa de encontrar um cônjuge autômato que caiba dentro dos seus sonhos e do seu apartamento minúsculo e ainda se adapte a sua realidade física, emocional, financeira, cultural, social, temperamental, etc… E tem que ser de primeira mão, ainda por cima, porque usado, não se sabe que vício ele pode ter adquirido com o ex-amante/amor/cônjuge.
Seu “robô” ou sua “roboa” tem que ser “desencanado (a), sem trauminhas” e não enferrujar. Seguinte: o cientista especializado em inteligência artificial, David Levy, escreveu um livro em 2008, em que ele afirma que humanos começarão a fazer sexo com autômatos daqui a 4 anos, e os primeiros casamentos, serão realizados em 2050. O livro ? “Love + Sex With Robots - THE EVOLUTION OF HUMAN-ROBOT RELATIONS “Amor + Sexo Com Robôs - A Evolução das Relações entre Humanos e Robôs” Editora Harper Collins / USA
Eu ia achar o máximo não ter que dividir o banheiro !
Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 4:04 am
“Quem quer ser um milionário?” é o filme inglês de produção Indiana que ganhou o maior prêmio de cinema dos EUA. Tempos modernos ou tempos de crise ? O fato é que não achei o filme uma maravilha, apesar de não ser um filme ruim. Afinal, manteve-me presa, curiosa, nas estórias que o personagem principal ia contando. O que eu não acho, é que seja filme para ganhar um prêmio que se dá ao, supostamente, melhor filme do ano ( dos que estão ali concorrendo, naturalmente ).
Bom, é minha opinião que compartilho aqui e não uma crítica “especializada”.
Será que alguém reparou que o header do blog mudou? saiu a canetinha (que tinha acabado a tinta…) e entrou um gostoso travesseirinho, molinho. Quem sabe a insônia acaba ?
Arquivado em: sobre sons, vídeo — Norma Spagnuolo @ 12:09 am
Ontem, não coloquei “minha vitrolinha” no ar, mas ouvi Amy Winehouse cantando uma singela música de amor dos Beatles, do início da carreira deles: “All My Loving”. Não tem em MP3, mas no “youtube.com” tem um vídeo mostrando a Amy cantando a canção, antes de viciar-se em drogas e tatuar-se tanto. Cantou divinamente, como só uma diva saberia fazer para dar um clima tão jazzístico a um rockzinho tão simples. Show de bola.
Nas primeiras horas do meu aniversário (ontem), entre meia-noite e uma e meia da manhã, um larápio entrou na minha casa e roubou minha bike, tão bonitinha, lá na minha área de serviço. Normalmente, durmo tarde e nesta noite eu estava morrendo de sono. Acordei com minha mummy me chamando, dizendo que foi ali fora fumar um cigarro e não viu minha bicicleta.
Quem roubou a bike, certamente era um daqueles moleques viciados que moram na rua e olham pra dentro da casa dos outros. “Dei mole”, pois minha bike ficava lá fora, nos fundos da casa, com uma pequena parte dela visível pra rua.
Mas “dei mole” é uma expressão meio errada. Quer dizer que, só o fato de alguém ver da rua que você tem um bem é sinal de que “deu mole”?
Perigoso viver na rua e perigoso viver em casa.
Essa cidade está uma merda ou é a política econômica que está fomentando a cobiça e o desespero que, por sua vez, estão fomentando o roubo, o assassinato, o furto, o sequestro, as saidinhas de banco, as violações de caixas eletrônicos, as invasões de domicílios…?
Carlos Drummond de Andrade escreveu: “viver é muito perigoso”. Acho que hoje em dia ele escreveria: “viver é uma temeridade”.
O Rio de Janeiro está parecendo Gotham City e o único ser que se apresentava como Batman, era um miliciano que, segundo a Justiça, extorquia trabalhadores, etc, etc…
O Hermitão aponta para todas as coisas ocultas, tais como conhecimento e inspiração, inimigos ocultos. O esclarecimento vem de dentro, e do retirar-se da participação de eventos corriqueiros.
O Hermitão é uma carta de introspecção, análise e, bem, virgindade. Você não deseja socializar-se; a carta indica, em vez disso, um desejo por paz e solidão. Você prefere ter um tempo pra pensar, organizar, ruminar, avaliar. Pode haver sentimentos de frustração e descontentamento, mas estes sentimentos levam ao esclarecimento, iluminação, claridade.
O Hermitão representa a pessoa prudente, inspirada, amiga, professora, terapeuta. É uma pessoa que pode gerar uma luz nas coisas que antes eram misteriosas e confusas.