909 Noites Insones

Novembro 28, 2008

Ópera-rock TOMMY

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 7:40 am

Em 1975, mais ou menos,  passou nos cinemas um filme que era uma ópera-rock, um novo conceito de filme. O título: ”Tommy”.  Conta a estória de um jovem rapaz que viu o padrasto e a mãe matarem seu pai (não tenho muita certeza se o sujeito era padrasto ou amante da mãe). Mas, a partir desse acontecimento traumatizante, o jovem ficou cego, surdo e mudo. Lembro a cena em que o “coroa” falava pro moleque: — você não viu nada, não ouviu nada e não vai falar nada”. Naturalmente, o garoto ficou com tanto medo que travou tudo e assim foi que ele não falou mais, não escutou mais e não viu mais nada. Um prato cheio para psicólogos interpretarem.
Lembro da Ann-Margret impagável como a mãe hedonista, sexista e fútil.  Também me recordo da Tina Turner como a “rainha do ácido”: perfeita.  Ambas deram, cada uma, um show de interpretação.
O Roger Daltrey, vocalista da extinta banda The Who, era o Tommy, rapaz que depois do trauma, tornou-se um mega-astro do game pimball. Fez fortuna como o grande jogador de pimball e virou ídolo da juventude por esta imensa façanha.  Com a fortuna, sua mãe doidona e padrasto idiota deitaram e rolaram na grana do moleque, mas a mãe tinha alguma consciência  (pesada) e ainda tinha a dor de ver o filho daquela maneira, cego, surdo e mudo e dá-lhe de birita para calar as idéias.
Elton John, que foi um jovem talentoso, magrinho e doidão executou a trilha sonora título (“Pinball Wizard”, de Peter Townsand) e ainda hoje acho o som muito bom, com o arranjo super atual.
Tem o Eric Clapton fazendo papel de padre e acho que deram a ele este papel porque, na vida real,  ele era considerado “Deus” na swinging London , com os muros da cidade pichados assim “Eric Is God”.
Foi o diretor Ken Russel quem o rebaixou para pároco e acho que foi melhor assim pelo bem da humanidade.
Hoje, Elton ainda é talentoso, mas tá meio gorducho, casou e encaretou (não necessariamente nesta ordem). Ah sim: ele operou as cordass vocaisss porque os agudos não fluiam maisss.
Hoje estive ouvindo o tema do filme, ”Pinball Wizard”, e pensei que na época atual está cheio de “Tommy “espalhado pelo planeta. Os pais estão enlouquecidos porque a vida está dura e muito competitiva. Posso parecer moralista e reaça, mas tem muita droga na rua , com muita facilidade para achar e me parece que os valores andam meio trocados: vagabundos e traficantes têm sido idolatrados por estas bandas e as mulheres-frutas andam atrás de  homens-liquidificadores, ricos,  para lhes garantir o futuro, ainda que as liquidifiquem até a última gota.
Sexismo escancarado, sem a beleza do sensual insinuado. Música grosseira fazendo parte da cultura quando temos tantos talentos esperando por uma chance…
Uma mulher que curta a idéia de parar sua carreira por um tempo para cuidar do crescimento do filho é tida como submissa, como se fosse obrigação ela trabalhar fora (como antigamente cobravam que a mulher ficasse em casa).  Acho que qualquer cobrança social, é uma invasão às escolhas individuais.
Mas enfim, as crianças crescem soltas e os professores muitas vezes têm que fazer papéis de pai e mãe porque estes não têm tempo. Certos pais não deveriam nunca conceberem rebentos porque não têm a menor condição psicológica de os criarem, como aqueles que bateram a cabeça do filho no vidro do carro ou aquele pai que esquartejou os dois filhos e tantos outros casos medonhos.
Tem jovem que não segura a onda e se fecha feito um “Tommy”, só que não ganha troféu nem fortuna. Fica em frente à internet ou ao P. Station ou vira pit-boy, agressivo e desorientado, marginal criado numa redoma de vidro quando vem de classe média alta.
Quando é pobre, quer crescer para ser jogador de futebol ou traficante. Muito triste e muito perigoso tudo.
Enfim…acho “Tommy ” bastante profético.
Neste post, coloquei uma cena de “Tommy” que mostra a mãe dele tendo os seus delírios de perua sexista e, ao mesmo tempo, brigando com a consciência por saber e ver o filho naqueles estado. 
O padrasto, alcóolatra idiota e prepotente, também aparece. (ator Oliver Reed)
Se ficar a fim , acho que já tem em DVD e eu recomendo. É muito interessante.

Novembro 25, 2008

“Pessoas-flores” ?

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 6:06 am

Estou inquieta hoje com uma frase que está boiando na minha cabeça: “pessoas-flores”.
Tudo começou, lembro bem, porque eu estava naquele momento em que normalmente se busca alguma coisa bacana para fazer. Alguma coisa criativa, saindo fora das coisas normais, do cotidiano. Então, rapidamente, surgiu uma  imagem na minha cabeça, que é um casal, perto da janela olhando para o lado de dentro da casa, como se alguém tivesse acabado de entrar no recinto; eu havia visto uma imagem assim noutro dia no jornal e fiquei com aquilo “dormindo” na minha cabeça até então.  Só que ao invés de eu ir tentar desenhar,  escrever uma poesia fazer algo criativo sobre aquela imagem comum, eu pensei: ”são pessoas-flores”.  E logo pensei também que maluquice tem limites … “Pessoas-flores” olhando para a porta?!  “pessoas-flores” perto da janela ?!
É stranho porque: primeiro, não entendo de flores. E, segundo, não entendo porque esse “conceito” veio assim.
Mas, de qualquer forma, a idéia não é de todo ruim. Deve ser interessante de se explorar e então, estou inquieta aqui e enquanto eu não resolver isso, não vou sossegar. São muitos os “porquês” que me rondam agora.
Bom, falei sobre a origem de uma idéia bem no seu comecinho… se eu achar seu signficado, irei adiante, caso contrário, vai desmanchar no ar e eu vou sossegar para outra idéia menos estranha.

Novembro 23, 2008

Ernest Hemingway em Paris

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 6:28 am

parisNão faz muito tempo, terminei de ler o livro aí ao lado,  ” Paris É Uma Festa “, de Ernest Hemingway.  Seu título original é:  ” A Moveable Feast” , que  seria traduzido mais ou menos como: “Uma Festa Móvel “. Acho que  Hemingway tinha em mente, que as coisas não eram muito sossegadas naquela época, década de 20. De fato,  lendo seu livro, faz sentido que ele pensasse assim: ele estava em Paris como correspondente de um jornal e ainda não havia se tornado o famoso autor que é hoje.  Teve amizade com pessoas que o incentivaram como a sempre “antenada da época” Gertrude Stein e o escritor Ezra Pound, a quem muito Hemingway dizia admirar o estilo.  É um livro lançado três anos após sua morte e conta como foram seus anos de ilustre desconhecido e seu aprendizado literário. Trabalhou duro, viajou, bebeu, divertiu-se , amou uma mulher e foi por ela amado. Conta estórias curiosas e faz descrições detalhadas sobre o temperamento de alguns nomes importantes das artes e literatura , como Francis Scott Fitzgerald, autor de “O Grande Gatsby”. Conheceu gente importante sem se deslumbrar e escreve como quem tem saudade do tempo em que era um sujeito simples sem ser simplório. Pareceu-me que ele já tinha uma certa tendência à melancolia desde cedo, desde essa época, mesmo sendo essa época uma época feliz para ele. Mas não porque parecesse triste, mas sim muito contido, muito “super papo-cabeça” sendo tão jovem.
Em 1961, ele deu um tiro na cabeça ” que pensava demais”. Uma pena.
Achei uma boa leitura e recomendo comprar para ler nas férias, ou naqueles dias perto do Natal ( Dia 24 e 25 de Dezembro cairão numa quarta e quinta-feiras, respectivamente). Se for emendar a sexta-feira e o fim de semana, dá para ler….
Um livrinho sem nada de mal astral.

Novembro 8, 2008

Aguardando os acontecimentos

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 5:30 pm

Barack Obama foi eleito lá na terra de Sam, mas ainda acho que isso é sintomático e quase maquiavélico por parte do colégio eleitoral americano. Não que eu não goste de Barack. Eu tenho simpatia por ele e sua trajetória. Gostava também de Hilary Clinton e mesmo o McCain que parecia um republicano de posições políticas independentes do partido, algo assim como o nosso Itamar Franco que não é muito fiel aos acordos que faz para se candidatar à alguma coisa. Considero positivo esse tipo de rebeldia porque desconfio muito de acordos partidários para se eleger a alguma coisa.  O eleito fica engessado, perde a mobilidade e parece que sem conchavos partidários ninguém se elege  a cargo nenhum. O jeito é enrolar.
Paes não parece disposto a enrolar e já está fazendo seu leilão de cargos…previsível.
Bom, mas não é sobre isso que vim falar.
Eu vim compartilhar um “grilo” que eu tenho sobre a eleição americana porque, no fim, sempre respinga aqui na terrinha.
O Bush (ou bucha) saiu e deixou um super-ultra abacaxi para seu sucessor e isso já era previsto. Aí, o colégio eleitoral americano colocou para disputarem a eleição presidencial americana: um negro, uma mulher e um velho. Reparou ? nenhum macho, adulto, branco  e jovem. Nenhum americano típico, tipo Robert Redford ou valentão hollywoodiano tipo Ronald Reagan. Será que esse americano típico não quis se candidatar vendo o tamanho da grande onda que se formava ?
Penso, então, cá com meus botões: se der tudo certo, o Barack é uma maravilha, um enviado dos deuses e tal. Se der errado ou o cara der um tropeço único que seja, lá vão os especialistas e os palpiteiros dizerem: “— tá vendo? colocaram um negro para presidir a maior potência ocidental…é nisso que dá. “
A mesma coisa seria com Hilary por ser uma mulher ou o McCain, um senhor da terceira idade.
Berlusconi, lá na Itália já fez seu comentário infeliz sobre a “morenice” do Barack…
Mas eu espero que, Barack seja um bom presidente para os americanos e que tenha políticas amistosas para com a América Latina (e, particularmente, para com o Brasil). Que ajude criar um clima de paz com o povo lá do Irã e arredores e o mundo fique livre de receios sobre o tão famoso e costumaz imperialismo americano. Eles devem ter aprendido que não são os reis do mundo depois da (triste) cacetada que levaram em 11 de Setembro. Não são os donos do mundo nem podem querer ter a pretensão de ditarem regras para o planeta.
Barack é negro, tem no sangue o dna de um africano e sabe o que é ser discriminado. E é um democrata. Enfim, tem tudo para ser um presidente bom ( e um bom presidente ).
Que ele consiga calar a boca dos preconceituosos e mude a ordem mundial de poder a qualquer preço. E que, da sodidez do colégio eleitoral americano, saia a oportunidade de melhoras pro planeta.
Vamos aguardar os acontecimentos…
E eu já estou sem fumar fazem 18 dias!!

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