909 Noites Insones

Maio 9, 2008

Ciclovias Contra Loucos e Tiranos

Arquivado em: Sem categoria — Norma Spagnuolo @ 1:20 pm

“No último dia 22/04/2008, o secretário Júlio Lopes apresentou ao ministro das Cidades, Márcio Fortes, o programa “Rio – Estado da Bicicleta”, que pretende fazer do veículo de duas rodas um modo complementar dos outros meios de transporte, como ônibus, trem, barca e metrô. A idéia do secretário é incluir o projeto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade e obter recursos para construir ciclovias e bicicletários no estado. “

Li esta notícia hoje no G1, da Globo.com e achei bastante boa.
Li também que o engenheiro Fernando MacDowell, especialista em transportes, acha a idéia romântica e que não há a menor condição de isto acontecer e ele explica o porquê: “É uma idéia romântica, que não resolve os graves problemas de trânsito da cidade. O Rio tem seis milhões de habitantes. A massa não vai andar de bicicleta. Investimentos em transportes de massa como o trem e o metrô, melhorariam o trânsito e também iriam contribuir com o meio ambiente. Sem um grande programa de segurança, estimular as pessoas a deixar o carro em casa para trabalhar de bicicleta é colocar a vida dessas pessoas em risco”.
Eu vejo a questão da seguinte maneira: do jeito que é hoje, de fato, não tem como funcionar. Não há segurança nem para motoristas, quanto mais para ciclistas; faltam ciclovias que se interliguem e a falta de educação no trânsito, aliado ao desconhecimento das regras para uso de bicicleta em vias públicas (que existe no Código Brasileiro de Trânsito – CBT), não favorece a implementação agora.
mas vivemos num tempo de publicidade & marketing. Tudo se faz, se vende e se consegue com ampla divulgação e estratégia agressiva de informação.

Se existe por parte das autoridades um plano e negociações com empresas tipo, metrô e etc, para fazer com que a bicicleta seja um meio de transporte como outro qualquer, com leis apropriadas e condições propícias para ciclistas e motoristas e pedrestes conviverem pacificamente, então porque abortar a idéia ainda quando ela está sendo inicialmente discutida? Acho que isso configura uma certa má vontade de fazer acontecer. O Sr McDowell poderia ajudar com seus conhecimentos, fazendo análise e sugerindo soluções, mesmo que estas soluções demandem tempo e muita propaganda de educação, assim como a Secretaria  de Segurança Pública,  Guardas Municipais e  todos os setores envolvidos adotassem a postura de “fazer acontecer”.

Uma boa idéia é implementar o uso de bikes em trajetos curtos e depois ir aumentando.
O que o secretário disse é lógico e tem bom senso:.
“Segundo o secretário, o principal objetivo do programa, na Região Metropolitana, é reduzir o uso dos meios de transporte motorizados em viagens curtas, de até cinco quilômetros. A integração com outros meios de transporte seria feito através de estacionamentos próprios para as bicicletas.

“Não se trata de substituir o carro, mas de promover o uso da bicicleta onde isso é possível. Em algumas vias, certamente, será impossível. Já iniciamos negociações com o Metrô Rio, a Supervia, a Barcas S/A e a Fetranspor para a construção de bicicletários. ”

Parece bem razoável e estou torcendo para que dê certo. E assim, situações ruins de trânsito como a que passei, não se repetiriam com tanta frequência.  Vejam só:

Eu fui visitar meu cachorro na clínica veterinária, antes dele falecer. Eram 18:15 h (hora do rush). Estava chovendo um pouco. Eu estava na avenida principal, engarrafada, andando lenta. Na minha frente havia um cruzamento e o sinal estava verde para mim e assim, avancei calmamente, pois estava um trânsito medonho na avenida. Passei pelo sinal verde e o carro na minha frente parou porque lá na esquina adiante, longe, o sinal deve ter ficado vermelho ou pelo simples fato de estar engarrafado. Tudo já andava lento naturalmente. Então, parei atrás dele eu fiquei meio atravessada no cruzamento, mas cheguei para a perto do carro a minha frente o máximo que pude para não fechar total, já que eu não queria estar ali enquanto o sinal havia ficado vermelho para os carros da minha pista e eu só estava ali parada porque a fila de carros parou de repente… e então, um sujeito numa Cherokke ou Blaser, do lado esquerdo, onde o sinal tinha ficado verde para ele, começou a acelerar e eu quase não podia andar para atrás; dei uma mini-ré porque ele tava possesso e ele passou por mim, espremido,  indo para a fila de carros lá na outra margem da pista, depois do canteiro central, ou seja, bem longe de mim. Mas ele ficou retido no sinal vermelho também e de lá, feito um maluco ou drogado, começou a me xingar como uma lavadeira canta alto e alegremente na beira do rio. Me xingou de uns nomes que não vale à pena transcrever aqui, mas só se ouvia a voz dele aos gritos lá na outra pista e provavelmente ninguém sabia a quem ele dirigia os seus berros insanos já que eu tava longe dele e entre centenas de outros carros.
Eu pensava: Ué? será que ele não viu que, quando eu passei, o sinal estava vermelho para ele e verde para mim e que eu não tenho culpa do trânsito arrastado ter parado e me colocado ali no meio do cruzamento ? o sinal não tave nem amarelo para mim! tinha acabado de ficar verde e eu passei!! sujeito cego e estressado.

Curiosamente, eu estava e continuei calmíssima porque meu objetivo era chegar logo na clínica, mas nos dias de TPM, talvez eu tentasse ir lá falar com ele o que aconteceu ou, nessa impossibilidade, pelo menos, eu mandaria um beijinho pra ele depois de abrir o vidro do meu carro.
E sabe lá o que poderia ter contecido. Ainda bem que eu estava calmíssima.
Mas torço para que venham as ciclovias logo.

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