909 Noites Insones

Maio 4, 2008

Saindo do Sedentarismo

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 12:29 pm

Tem gente que precisa sentir receio de que alguma coisa aconteça com sua saúde para começar a tomar uma atitude pra melhorar seus hábitos de vida. Tem gente que precisa levar susto, mesmo, tipo: ter um infarto ou passar por uma experiência de quase morrer. Eu faço parte do primeiro grupo: se eu perceber que já cheguei num ponto limite de algum hábito ruim, então vou ensaiando a mudança e logo ponho em prática. Sou sedentária faz muuuito tempo. Não sou uma xiita da malhação nem sigo modismos, mas ando preocupada comigo porque quando aparece rinite alérgica, sinusite e cansaço à toa, tudo ao mesmo tempo, e recorrente, é sinal o suficiente de que algo anda bem errado.
Então, hoje comecei a acordar cedo para pedalar. Nem acredito que consegui realizar tal façanha!
Meu primeiro obstáculo a ser vencido, foi o medo de sair tão cedo e encontrar um ladrão. Sei lá porque cargas d`água ando grilada por qualquer coisa e isso é quase uma síndrome do pânico. 

Mas como sei racionalmente que isso é uma paranóia estúpida minha, pois se tiver que acontecer, vai acontecer mesmo, então me enchi de coragem e lá fui eu em direção à ciclovia do Maracanã. Tudo muito tranquilo pelo caminho: eram 6:30 h e haviam poucas pessoas e automóveis na rua. Umas pessoas com pão e jornal embaixo do braço, arrastando preguiçosamente seus chinelos de Domingo. Parecia cidade do interior. Uma delícia! E eu estava meio eufórica por ter vencido o medo de sair tão cedo de bike.
Neurose de sendentário é algo que mereça tratamento urgente mesmo… 
Chegando lá na ciclovia, dei uma volta completa experimentando essa coisa de passar marchas e sentindo a ciclovia e os declives e tal. Sentia também a parte posterior das coxas “arderem” um pouco depois de 10 minutos de pedaladas. Eu sabia que isso ia acontecer e não liguei. Apenas diminuí o ritmo.

Na segunda volta, me senti com o rosto meio gelado e estava mesmo. Suava um pouco também e reparei que, ao parar um pouco, é que aumentava o calor e a sensação de esforço. No início da terceira volta, dei uma parada porque vi aberto um quiosque de água de coco. Aproveitei a parada no pit-stop. Eu não troquei o pneu da bike, mas se pudesse, trocaria por pernas novinhas Firestone. Num segundo pit-stop, trocaria de bumbum também, porque o dito cujo também doía consideravelmente. Eu perguntei pro moço do quiosque se era seguro se exercitar todos os dias de manhã ali (tem a ciclovia e mais um espacinho para alongamento também) e ele disse que sim…um casal que bebia água de coco me disse que eles fazem caminhada ali todos os dias da semana e é tranquilo. E minha paranóia foi pro espaço total. Fiquei feliz comigo por ter tido a iniciativa de superá-la.
Voltei para a pista e já haviam mais bikes e mais “caminhantes” também. Dei mais duas voltas e durante essas voltas, tive que dar umas paradinhas breves porque comecei a sentir dor nos ouvidos – que nem quando se está na beira da praia e o vento entra. Não entendi porque deu essa dor, mas já sei que amanhã vou ter que levar um MP3 player ou colocar algodão e espero que adiante.
Caracoles !! – pensei -  melhor trocar tudo em mim!  Nascer de novo é uma possibilidade a não ser descartada.

Então, resolvi voltar pra casa, mas no meio do caminho resolvi dar uma volta ao redor do bairro, afinal, não tinha nada urgente pra fazer em pleno Domingo, às 8:30 h.
É incrível como percebi coisas que nunca havia percebido antes, andando a pé pelo bairro! Por exemplo: em cada esquina tem um declivezinho para cadeiras de rodas! isso mesmo! que coisa civilizada! fiquei feliz poque, normalmente, não se respeita os direitos das pessoa com necessidades especiais. Então, lembrei que aqui no bairro tem uma senhora de idade que de vez em quando vejo andar com uma espécie de “velocípede motorizado para adultos”. Não sei o nome que se dá àquele veículo, mas sempre achei curioso a senhorinha andando toda faceira naquela engenhoca lenta sobre rodas. Sim, a engenhoca motorizada anda bem devagarzinho, mas deve ser bem útil e confortável. Tem cestinha e tudo!

Aqui, as calçadas são razoavelmente largas, mas são de pedras portuguesas e deve ser difícil para quem usa bengalas ou apoios. Vai ver que foi por isso que a senhora comprou a engenhoca móvel.
Mas enfim, adorei meu primeiro dia de “moça-saudável-de bem-com-a vida-feito-comercial-de leite-light” e espero que seja sempre assim tranquilo, só que sem tanto “ai ai ui ui”. Eu chego lá!

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