Já foram de novo roubar os óculos da estátua do Carlos Drummond de Andrade, em Copa. Mais do que pobreza real, que poderiam tentar justificar com uma razão para tal vandalismo, acho que é pobreza de espírito, mesmo. O larápio não vai ficar rico com a venda do objeto; não vai conseguir financiar faculdade, casa própria, automóvel nem nada com tal ato. E mesmo que desse para fazer alguma dessas coisas com o bem surrupiado, também não acho que seja justificável. Ainda que o ex-governador Garotinho esteja nos jornais como chefe de quadrilha armada (socooorroooo!!), ele não deveria servir de exemplo. Aliás, quantos exemplos de larápios, nos jornais…tem para todas as esferas: larápio municipal, estadual e federal.
Talvez, se Drummond usasse lentes de contacto, sua estátua estivesse livre das garrinhas dos “amigos do alheio”, mas foi usar óculos. Tá vendo? e aí, é que nem estátua pode ter coisas bonitas para usar.
Como é que um estado caótico desses se criou? tenho um palpite: Oito anos de política de (in)segurança pública. O ex-secretário de polícia civil, do governo Garotinho, Álvaro Lins foi preso em flagrante hoje pela polícia federal. Socoooorro!!! (e ele é deputado!! socooooorrooooo!!)
E agora, como é que faz pra parar isso?
O pessoal dos Direitos Humanos lançou relatório dizendo que a polícia atual e sua política de enfrentamento da bandidagem é draconiana. Por um acaso, tem jeito de libertar os cidadãos trabalhadores do medo e da possibilidade real de morrer por sequestros-relâmpagos, roubos de carros, saidinhas-de-banco, balas-perdidas e outras modalidades de violência urbana, sem ser com enfrentamento?
Talvez devessem chamar todos os traficantes graúdos (e miúdos tb, por que, não?) do estado do Rio e dizer polidamente:
— senhores, nós do Governo do Estado do Rio de Janeiro, gostaríamos que os senhores considerassem a idéia de parar de assaltar, matar, sequestrar e usar pessoas pobres das comunidades carentes como escudos humanos. Podemos contar com a palavra de honra de todos ?
E o pessoal ia responder, também polidamente:
— Ae, chefia! demorô! porque não falou logo? pedindo assim com tanta educação a gente até ficamo emocionados, tá ligado? deixa com a gente que a partir de hoje não tem mais parada errada na cidade, valeu?
E pronto. A paz reinaria. Sem problemas com Direitos Humanos nem com excesso de lotação nos presídios.
Possível, né? E ainda iam devolver os óculos do Drummond, com certeza.
Maio 30, 2008
Será Possível?
Maio 24, 2008
Maio 22, 2008
Coração Valente de Torcedor
Gente do céu ! até agora estou meio zonza com o jogo do Fluminense contra o São Paulo.
Coração valente foi o que cada torcedor tricolor* precisou ter para não ser acometido de um infarto fulminante dentro do Maracanã.
No meio da semana comprei o ingresso para o jogo pensando que, na pior das hipóteses, se o meu Flu perdesse, eu iria ver um espetáculo da minha querida torcida tricolor e teria dado apoio ao time. Mas o que vi, foi meu Fluminensinho querido valente, acreditando na vitória até mesmo na hora em que o São Paulo tinha acabado de fazer o gol que todos temíamos que fizesse. Vi a torcida (e a mim mesma) torcendo incondicionalmente, igualmente acreditando até o fim, incentivando o time, cantando e vaiando cada vez o que os jogadores são-paulinos pegavam na bola.
O Conca estava num dia inspirado, jogando como um veterano experiente compenetrado apesar de ser um garoto e o Júnior Cesar infernizando o lado esquerdo. O que deixou a desejar, foi o Thiago Neves, mas é dele o mérito da cobrança de escanteio que resultou no gol da classificação, vindo da cabeça do Washington.
Enfim, todos jogaram com garra e determinação e a torcida fez a diferença.
Justiça seja feita: os jogadores são-paulinos fizeram um segundo tempo muito bom até a saída do Joílson e só não foram bem sucedidos naquele momento por causa da garra do Flu e da sua torcida que pegou no pé dos são-paulinos até o fim; deve ser muito difícil manter o controle emocional com 69.000 tocedores vaiando cada vez que se pega na bola. Erraram passes tolos. E também, o técnico Muricy, parece-me, que quis jogar com o regulamento na mão no momento em que pareciam ter o jogo decidido. Sorte nossa.
O gol do Dodô, para mim, foi o gol da motivação. Veio na hora perfeita. Também foi perfeita a hora pro Washington desencantar.
Sorte? competência? frieza? ou o velho “Sobrenatural de Almeida” deu uma forcinha pro Fluminense?
Acho que tudo: sorte, determinação, competência, frieza, controle emocional, torcida a favor…são coisas que fazem a diferença em jogos assim e o Fluminense conseguiu passar por essa fase.
Não sei dizer se o Flu vai ser campeão da Libertadores. (alguém pode afirmar com toda certeza ? )
Acho que jogo de futebol e basquete são sempre imprevisíveis onde, por um minuto, tudo pode mudar. Não acredito em favoritismo nunca porque atletas são pessoas e pessoas erram, pessoas cometem tolices em momentos que não deveriam.
Então, eu me delicio com o momento feliz do meu time e vou continuar torcendo para que dê tudo certo. Se depender de mim e da linda torcida verde, branco e grená, seremos!
saudações Tricolores *
* Tricolor só tem um, o Fluminense. O resto são apenas times de três cores.
(Nelson Rodrigues)
Maio 16, 2008
Síndrome do Pânico Cívica
O que aconteceu em São Paulo – e num “tiquinho” do Rio – no mês passado, foi só um leve “treme-treme” se comparado com o terremoto com T maiúsculo que sacudiu a China nos últimos dias.
Mianmar já conta 77.000 mortos por causa de um ciclone. No Chile, o vulcão Llaima que nunca entrou em erupção, resolveu entrar e depois de um dia de sossego, começou a soltar suas fumaças de novo.
No Brasil, quase sempre “deitado em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céus profundo”, costumávamos fazer uma piada dizendo que aqui não tinha ciclones, tufões nem terremotos. Mas em compensação, nossos políticos….
Parece que alguma coisa está mudando ou então, estou sofrendo de alguma espécie de “síndrome do pânico cívico”. Sobre os políticos, nada mudou: continuam em sua maioria, um bando de larápios que a cada prova que se descobre sobre suas falcatruas e desmandos, eles alegam que é armação política para desmoralizá-los. Quase posso recitar as palavras dos argumentos muito pouco criativos.
Só que além da malta política que toma o país de assalto, geração após geração, agora vemos algumas praias desaparecendo lentamente como Macaé, por exemplo (RJ). Tem treme-treme em SP e há um tempo atrás, no Ceará também.
Nesta semana, a Marina Silva têve que deixar o Ministério do Meio-Ambiente. Imagino o terremoto que ela estava provocando nas ambições financeiras daqueles comprometidos com lobbistas das madereiras, agro-negócios e similares. Esse povo, elite de rapina, está acostumado e viciado desde o descobrimento, a ganhar fácil, subtraindo do Brasil e do Povo brasileiro o direito de preservar e dividir com justiça a terra, explorar com bom senso seus recursos hídricos e um mundo de outras coisas. É só chegar lá nos confins do nada, cercar e dizer que é seu. Depois corta a árvore, vende e coloca boi e diz que a terra é produtiva. Só que a produção é vendida pro mercado externo. Se isso não é roubo não sei o que é.
Desviam o curso dos rios, pegam dinheiro com o Governo Federal para construir açudes – que depois verifica-se, quando muito, serem apenas dois poços artesianos e o açude mesmo vai pras terras de Governadores e seus aceclas, que passam a ter um negócio de carros-pipas.
Imagino a Marina Silva, lá no meio da sordidez. Trata-se de uma mulher de bom vontade e que estuda e não que ganha dinheiro com condinomes tipo: “mulher-açaí”, “mulher-cacau” e algo do gênero. Se ela fosse a ”mulher-moto-serra”, talvez ela tivesse apoio dos Ministros, lobbistas e sinhôzinhos da Agricultura e da Madeira…
Não acho o Governo Lula bonzinho. Não acho que o do Fernando Henrique tenha sido também. E nem um outro. E se cada um deles fez algo de bom para o país e o povo brasileiro, não fez mais do que a obrigação de um eleito. Parece-me que ser um bom dirigente de qualquer coisa, é obrigação e não virtude. Só que observo que entra ano e saí ano, entra década e sái década, sempre tem fome, escassez de água no sertão, invasão de terras indígenas, assassinatos de pessoas que querem justiça no campo sem punição decente para os assassinos (veja o caso do mandante do assassinato da Dorothy Slang) e perpetuação da ignorância e da falta de instrução.
E só pegam os peixinhos, paus-mandados, que são mais dignos de compaixão do que de raiva.
E daqui a alguns anos ? ( aí é que vem a minha “síndrome do pânico cívica” ). As futuras gerações verão a natureza se rebelar por aqui, com escassez, esgotamento e abalo da terra, chuvas ácidas e sabe lá o que mais. Maremoto, terremoto, tsunami…será ?
Por que a saída de Marina Silva do cargo de Ministra e sua causa (que é nossa causa), não tiveram tanta repercussão como o “caso Isabella” ? Também me comoveu aquele crime medonho contra a menininha, mas a cada dois dias, em média, cinco crianças de até 14 anos morrem vítima de agressão. (dados do Ministério da Saúde – 06/04/2008).
Sem água e sem a floresta Amazônica, o Brasil e o mundo ficará um lugar tão medonho de morar e criar filhos (ainda que a justiça seja perfeita), quanto o ambiente do filme Blade Runner !
Um dia, a natureza não agüenta e se rebela. Menos nós, povo brasileiro, que não nos unimos na desgraça porque, culturalmente, estamos condicionados pelo ditado popular “farinha é pouca, meu pirão primeiro”, como se fôssemos levar dentro dos nossos caixões mais terra do que cabe em cima deles.
Maio 14, 2008
Falando em Távola Redonda…
Nos anos 70, Rick wakeman gravou um disco absolutamente sensacional sobre o assunto. Era o disco de vinil (mas tem em CD) : ”Myths & Legends Of King Arthur & The Knights Of The Round Table” .
Uma super produção, que segundo o próprio Rick, mesmo tendo vendido mihões de discos ao redor do mundo, o saldo financeiro ficou em 0 x 0 porque o custo foi muito caro.
Deve ter sido mesmo. O disco tem a participação da “The English Chamber Choir”.
Consta que foi um fracasso retumbante de crítica e acho que os ingleses mesmo não gostam nadica do disco por acharem que é uma espécie de “mito e lenda britânicos contados para ignorantes” algo como nossa conhecida “macumba pra inglês ver”.
Eu gosto do disco. Principalmente da música ”Guinevere” (mas a personagem em si, eu acho insossa pra caramba. Em todas as versões que conheço da lenda ).
Enfim, tem livro, tem filme e tem disco. Pra quem gosta, como eu, é um prato cheio.
As Brumas de Avalon
Anos atrás, quando saiu o livro “As Brumas de Avalon” – de Marion Zimmer Bradley ( 4 volumes) – eu frequentava um curso no centro do Rio e vivia passando direto da estação do Metrô aonde eu deveria saltar. Desde criança, ao ver no cinema o desenho de Disney ”A Espada Era Lei”, que eu era muito interessada sobre a Lenda dos Cavaleiros da Távola Redonda.
Normalmente, se dá muita ênfase ao triângulo amoroso formado entre o rei Arthur, sua esposa Gueneviere e seu melhor amigo e cavaleiro Lancelot. Entendo que isso, por si só, já gera uma história (e estória) atualíssima. Amores proibídos, amores que geram dilemas morais, guerras e similares sempre deram, dão e darão ibope. Mas existe muito mais além desse fato nessa lenda, que para alguns estudiosos ao redor do mundo, não é apenas uma lenda.
Assisti, no History Channel, um programa dedicado ao assunto, que até mostrou o local onde estariam enterrado os restos mortais de Arthur (uma espécie de casinhola, com uma tumba dentro dela, que ficava no meio do “nada”, um imenso terreno no interior da Inglaterra, cujo solo estava cheio de pedacinhos de ossos humanos e fragmentos de instrumentos de batalhas medievais).
A lenda em si é enorme para contar aqui, mas recomendo assistir o filme e ler o livro de Marion, além do que mais puder cair às mãos. A literatura disponível é enorme e existem pequenas variações entre cada uma, o que torna a história mais intrigante, mas existem muitos pontos em comum.
Viviane, a grã-sacerdotisa de Avalon, era a irmã de Igraine e Morgause e também era tia de Morgana – meia irmã de Arthur por parte de Igraine. Morgana seguiria os passos da tia Viviane, por ter sido preparada por aquela, uma vez que havia herdado o dom da visão. Igraine também tinha o dom da visão, mas recusava-se a usá-lo por ter raiva de Viviane (que a obrigou a casar com Gourlois (pai de Mogana - a quem detestava ). Só voltou a usá-lo (o dom da visão) quando casou-se com Uther Pendragon, com quem gerou Arthur.
Viviane visava um objetivo: salvar a Bretanha dos saxões, que depois do domínio romano, tomaram- na de assalto e matavam cristãos e também pagãos, seguidores da Deusa. Avalon também estava ameaçada.
Viviane e Taliesin (Merlin, para os íntimos) eram iguais em forças e visões e se davam bem mas, de vez em quando , tinham idéias opostas de como conseguir a união. Porém concordavam sobre dar uma “forcinha” para Arthur por este possuir a linhagem tanto da Deusa (filho de Igraine, sobrinho de Viviane) quanto dos homens (filho de Uther Pendragon).
Enfim, eram tempos difíceis lá por aquelas bandas da ilha cinza.
Entretenimento garantido e com conteúdo pra lá de interessante.
Maio 9, 2008
Ciclovias Contra Loucos e Tiranos
“No último dia 22/04/2008, o secretário Júlio Lopes apresentou ao ministro das Cidades, Márcio Fortes, o programa “Rio – Estado da Bicicleta”, que pretende fazer do veículo de duas rodas um modo complementar dos outros meios de transporte, como ônibus, trem, barca e metrô. A idéia do secretário é incluir o projeto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade e obter recursos para construir ciclovias e bicicletários no estado. “
Li esta notícia hoje no G1, da Globo.com e achei bastante boa.
Li também que o engenheiro Fernando MacDowell, especialista em transportes, acha a idéia romântica e que não há a menor condição de isto acontecer e ele explica o porquê: “É uma idéia romântica, que não resolve os graves problemas de trânsito da cidade. O Rio tem seis milhões de habitantes. A massa não vai andar de bicicleta. Investimentos em transportes de massa como o trem e o metrô, melhorariam o trânsito e também iriam contribuir com o meio ambiente. Sem um grande programa de segurança, estimular as pessoas a deixar o carro em casa para trabalhar de bicicleta é colocar a vida dessas pessoas em risco”.
Eu vejo a questão da seguinte maneira: do jeito que é hoje, de fato, não tem como funcionar. Não há segurança nem para motoristas, quanto mais para ciclistas; faltam ciclovias que se interliguem e a falta de educação no trânsito, aliado ao desconhecimento das regras para uso de bicicleta em vias públicas (que existe no Código Brasileiro de Trânsito – CBT), não favorece a implementação agora.
mas vivemos num tempo de publicidade & marketing. Tudo se faz, se vende e se consegue com ampla divulgação e estratégia agressiva de informação.
Se existe por parte das autoridades um plano e negociações com empresas tipo, metrô e etc, para fazer com que a bicicleta seja um meio de transporte como outro qualquer, com leis apropriadas e condições propícias para ciclistas e motoristas e pedrestes conviverem pacificamente, então porque abortar a idéia ainda quando ela está sendo inicialmente discutida? Acho que isso configura uma certa má vontade de fazer acontecer. O Sr McDowell poderia ajudar com seus conhecimentos, fazendo análise e sugerindo soluções, mesmo que estas soluções demandem tempo e muita propaganda de educação, assim como a Secretaria de Segurança Pública, Guardas Municipais e todos os setores envolvidos adotassem a postura de “fazer acontecer”.
Uma boa idéia é implementar o uso de bikes em trajetos curtos e depois ir aumentando.
O que o secretário disse é lógico e tem bom senso:.
“Segundo o secretário, o principal objetivo do programa, na Região Metropolitana, é reduzir o uso dos meios de transporte motorizados em viagens curtas, de até cinco quilômetros. A integração com outros meios de transporte seria feito através de estacionamentos próprios para as bicicletas.
“Não se trata de substituir o carro, mas de promover o uso da bicicleta onde isso é possível. Em algumas vias, certamente, será impossível. Já iniciamos negociações com o Metrô Rio, a Supervia, a Barcas S/A e a Fetranspor para a construção de bicicletários. ”
Parece bem razoável e estou torcendo para que dê certo. E assim, situações ruins de trânsito como a que passei, não se repetiriam com tanta frequência. Vejam só:
Eu fui visitar meu cachorro na clínica veterinária, antes dele falecer. Eram 18:15 h (hora do rush). Estava chovendo um pouco. Eu estava na avenida principal, engarrafada, andando lenta. Na minha frente havia um cruzamento e o sinal estava verde para mim e assim, avancei calmamente, pois estava um trânsito medonho na avenida. Passei pelo sinal verde e o carro na minha frente parou porque lá na esquina adiante, longe, o sinal deve ter ficado vermelho ou pelo simples fato de estar engarrafado. Tudo já andava lento naturalmente. Então, parei atrás dele eu fiquei meio atravessada no cruzamento, mas cheguei para a perto do carro a minha frente o máximo que pude para não fechar total, já que eu não queria estar ali enquanto o sinal havia ficado vermelho para os carros da minha pista e eu só estava ali parada porque a fila de carros parou de repente… e então, um sujeito numa Cherokke ou Blaser, do lado esquerdo, onde o sinal tinha ficado verde para ele, começou a acelerar e eu quase não podia andar para atrás; dei uma mini-ré porque ele tava possesso e ele passou por mim, espremido, indo para a fila de carros lá na outra margem da pista, depois do canteiro central, ou seja, bem longe de mim. Mas ele ficou retido no sinal vermelho também e de lá, feito um maluco ou drogado, começou a me xingar como uma lavadeira canta alto e alegremente na beira do rio. Me xingou de uns nomes que não vale à pena transcrever aqui, mas só se ouvia a voz dele aos gritos lá na outra pista e provavelmente ninguém sabia a quem ele dirigia os seus berros insanos já que eu tava longe dele e entre centenas de outros carros.
Eu pensava: Ué? será que ele não viu que, quando eu passei, o sinal estava vermelho para ele e verde para mim e que eu não tenho culpa do trânsito arrastado ter parado e me colocado ali no meio do cruzamento ? o sinal não tave nem amarelo para mim! tinha acabado de ficar verde e eu passei!! sujeito cego e estressado.
Curiosamente, eu estava e continuei calmíssima porque meu objetivo era chegar logo na clínica, mas nos dias de TPM, talvez eu tentasse ir lá falar com ele o que aconteceu ou, nessa impossibilidade, pelo menos, eu mandaria um beijinho pra ele depois de abrir o vidro do meu carro.
E sabe lá o que poderia ter contecido. Ainda bem que eu estava calmíssima.
Mas torço para que venham as ciclovias logo.
Maio 7, 2008
Selim “do Contra”
Nesses dois dias não fui dar umas pedaladas. O selim está me maltratando e vou ver isso hoje. Vou atrás do selim perfeito.
Devia ter test-drive de selim. ÔÔ chatice isso…coisa mais desmancha prazeres.
Maio 4, 2008
Saindo do Sedentarismo
Tem gente que precisa sentir receio de que alguma coisa aconteça com sua saúde para começar a tomar uma atitude pra melhorar seus hábitos de vida. Tem gente que precisa levar susto, mesmo, tipo: ter um infarto ou passar por uma experiência de quase morrer. Eu faço parte do primeiro grupo: se eu perceber que já cheguei num ponto limite de algum hábito ruim, então vou ensaiando a mudança e logo ponho em prática. Sou sedentária faz muuuito tempo. Não sou uma xiita da malhação nem sigo modismos, mas ando preocupada comigo porque quando aparece rinite alérgica, sinusite e cansaço à toa, tudo ao mesmo tempo, e recorrente, é sinal o suficiente de que algo anda bem errado.
Então, hoje comecei a acordar cedo para pedalar. Nem acredito que consegui realizar tal façanha!
Meu primeiro obstáculo a ser vencido, foi o medo de sair tão cedo e encontrar um ladrão. Sei lá porque cargas d`água ando grilada por qualquer coisa e isso é quase uma síndrome do pânico.
Mas como sei racionalmente que isso é uma paranóia estúpida minha, pois se tiver que acontecer, vai acontecer mesmo, então me enchi de coragem e lá fui eu em direção à ciclovia do Maracanã. Tudo muito tranquilo pelo caminho: eram 6:30 h e haviam poucas pessoas e automóveis na rua. Umas pessoas com pão e jornal embaixo do braço, arrastando preguiçosamente seus chinelos de Domingo. Parecia cidade do interior. Uma delícia! E eu estava meio eufórica por ter vencido o medo de sair tão cedo de bike.
Neurose de sendentário é algo que mereça tratamento urgente mesmo…
Chegando lá na ciclovia, dei uma volta completa experimentando essa coisa de passar marchas e sentindo a ciclovia e os declives e tal. Sentia também a parte posterior das coxas “arderem” um pouco depois de 10 minutos de pedaladas. Eu sabia que isso ia acontecer e não liguei. Apenas diminuí o ritmo.
Na segunda volta, me senti com o rosto meio gelado e estava mesmo. Suava um pouco também e reparei que, ao parar um pouco, é que aumentava o calor e a sensação de esforço. No início da terceira volta, dei uma parada porque vi aberto um quiosque de água de coco. Aproveitei a parada no pit-stop. Eu não troquei o pneu da bike, mas se pudesse, trocaria por pernas novinhas Firestone. Num segundo pit-stop, trocaria de bumbum também, porque o dito cujo também doía consideravelmente. Eu perguntei pro moço do quiosque se era seguro se exercitar todos os dias de manhã ali (tem a ciclovia e mais um espacinho para alongamento também) e ele disse que sim…um casal que bebia água de coco me disse que eles fazem caminhada ali todos os dias da semana e é tranquilo. E minha paranóia foi pro espaço total. Fiquei feliz comigo por ter tido a iniciativa de superá-la.
Voltei para a pista e já haviam mais bikes e mais “caminhantes” também. Dei mais duas voltas e durante essas voltas, tive que dar umas paradinhas breves porque comecei a sentir dor nos ouvidos – que nem quando se está na beira da praia e o vento entra. Não entendi porque deu essa dor, mas já sei que amanhã vou ter que levar um MP3 player ou colocar algodão e espero que adiante.
Caracoles !! – pensei - melhor trocar tudo em mim! Nascer de novo é uma possibilidade a não ser descartada.
Então, resolvi voltar pra casa, mas no meio do caminho resolvi dar uma volta ao redor do bairro, afinal, não tinha nada urgente pra fazer em pleno Domingo, às 8:30 h.
É incrível como percebi coisas que nunca havia percebido antes, andando a pé pelo bairro! Por exemplo: em cada esquina tem um declivezinho para cadeiras de rodas! isso mesmo! que coisa civilizada! fiquei feliz poque, normalmente, não se respeita os direitos das pessoa com necessidades especiais. Então, lembrei que aqui no bairro tem uma senhora de idade que de vez em quando vejo andar com uma espécie de “velocípede motorizado para adultos”. Não sei o nome que se dá àquele veículo, mas sempre achei curioso a senhorinha andando toda faceira naquela engenhoca lenta sobre rodas. Sim, a engenhoca motorizada anda bem devagarzinho, mas deve ser bem útil e confortável. Tem cestinha e tudo!
Aqui, as calçadas são razoavelmente largas, mas são de pedras portuguesas e deve ser difícil para quem usa bengalas ou apoios. Vai ver que foi por isso que a senhora comprou a engenhoca móvel.
Mas enfim, adorei meu primeiro dia de “moça-saudável-de bem-com-a vida-feito-comercial-de leite-light” e espero que seja sempre assim tranquilo, só que sem tanto “ai ai ui ui”. Eu chego lá!


