909 Noites Insones

Abril 28, 2008

Blogagem Coletiva “Abre Aspas”

Arquivado em: Sem categoria — Norma Spagnuolo @ 11:06 am

Do Desejo – VII
Autora: Hilda Hilst*

Lembra-te que há um querer doloroso
e de fastio a que chamam de amor.
E outro de tulipas e de espelhos,
licencioso, indigno, a que chamam de desejo.
Não caminhar um descaminho, um arrastar-se
em direção aos ventos, aos açoites
E um extraordinário turbilhão.
Por que me queres sempre nos espelhos,
naquele descaminhar, no pó dos impossíveis,
se só me quero viva nas tuas veias?

Hilda de Almeida Prado Hilst – Em 1948, entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), formando-se em 1952.
Foi na universidade que conheceu sua melhor amiga, a  escritora, Lygia Fagundes Telles. Em 1966, mudou-se para a Casa do Sol, uma chácara próxima a Campinas, onde hospedou diversos escritores e artistas por vários anos. Ali dedicou todo seu tempo à criação literária.
É reconhecida, quase pela unanimidade da crítica brasileira, como uma das nossas principais autoras, sendo consideradas uma das mais importantes vozes da Língua Portuguesa do século XX. Segundo o crítico Anatol Rosenfeld, “Hilda pertence ao raro grupo de artistas que conseguiu qualidade excepcional em todos os gêneros literários que se propôs – poesia, teatro e ficção”.
Distinguida por vários de nossos mais significativos prêmios literários, presente em numerosas antologias de poesia e ficção, tanto nacionais como estrangeiras, há muito seu nome está incluído nos dicionários de autores brasileiros contemporâneos.
De temperamento transgressor, prezando a liberdade, dona de uma rara beleza e coragem, culta e poeta, Hilda teve uma personalidade marcante e sedutora que ia de encontro aos costumes tradicionais vigentes nos anos 50, criando-se um folclore ao seu redor que, segundo alguns críticos, até chegou a ofuscar a importância de sua obra. 
Falecida a 4 de fevereiro de 2004.
Para saber mais sobre Hilda Hilst: http://www.hildahilst.com.br/

 
 
 

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