909 Noites Insones

Abril 23, 2008

Noite Preta

Arquivado em: Ilustrações — Norma Spagnuolo @ 2:49 am

 

Para Meu Xerifão Mick Com Muito Amor

Arquivado em: Papinho — Norma Spagnuolo @ 1:56 am

Numa tarde de 1996, fui a uma delegacia tirar a segunda-via da carteira de identidade. Chegando lá, a fila estava meio comprida e eu pus-me a esperar chegar a minha vez de ser atendida. Já naquela época, odiava filas e burocracias e meu estado de espírito não estava muito bom porque eu havia perdido no mês anterior um cachorro amigo muito querido chamado Plenty, que me fez companhia e me divertiu e distraiu por 18 anos. Viveu bastante, o meu Plenty.

Então, eis que num determinado momento, ao virar o rosto para o lado, na fila da delegacia, avistei uma coinha dormindo num cantinho da prédio. Cheguei perto pra ver e qual não foi minha surpresa ao ver que se tratava de um cachorrinho. Ele devia ter um ou dois meses de vida, se tanto. Chamou a minha atenção, o fato de seu corpinho estar virado pra um lado e a carinha meio inclinada pra o outro lado. será que tá morto? – pensei. Cheguei perto e vi que não. Eu sabia que aquilo não ia dar certo. Se eu ficasse ali, ia pegá-lo e levá-lo pra casa e minha mãe ia dizer para nós dois ir-mos morar na rua, pois ela também estava ressentida com a perda do plenty.
Voltei pra fila e fui atendida. E o cachorrinho lá na rua e na minha cabeça, me assombrando. Saí do lugar e resolvi dar uma outra olhadinha no cachorrinho, que por sinal, apesar de pequenino e inspirar pena, era bem feinho. Lá estava ele. Então resolvi sair de lá correndo e fazer um lanche para esquecer o assunto.  Você esqueceu? Pois é…eu também não e lá voltei para dar uma última espiadinha no cachorrinho feio. Desta vez, uns policiais estavam tentando dar algo para ele se alimentar. Ele não comia. As pessoas diziam: “tadinho”, “que pequenininho”, essas coisas e meu coração foi derretendo e meu medo de ser colocada para fora de casa junto com um cachorro novo foi sumindo na mesma proporção. Quer saber? pensei: Vou levar. Peguei o bichinho e levei na clinica veterinária mais próxima.  Enquanto ele ficava lá, sendo lavado, fui comprar ração, sabonete de cachorro, toalhinha, e tudo o mais que seria necessário ter em casa.
Por fim, ele ficou limpinho, vemifugado, tratado e tentei entrar em casa e , é claro, que não pude. Minha mãe teria me deserdado se  ela fosse rica !! Então, sem opção, fiquei uns 4 dias fora, dormindo com o cachorrinho na casa de uma amiga.
Depois de árduas negociações por telefone, pudemos ir para casa. Minha mãe disse: Cruz credo, que cachorro feio que vc foi arrumar!!  e não deu muita bola, já que uma cláusula no “contrato”, constava que eu deveria ser a responsável única pelo bem estar do animal, além de me encarregar da limpeza da casa. Uma única “cáca” ou “micro pingos de xixi” dentro de casa, lá iríamos eu e o cachorrinho pro olho da rua de novo. Minha sorte é que eu morava numa grande casa térrea, com bastante espaço externo e isso ajudava a manter uma casa limpa.
Dei o nome de Mick para o cachorrinho feio. Seria Mick porque, uns três dias antes, eu havia assistido ao show dos Rolling Stones, no Maracanã.

E assim foi…
No mesmo ano de 1996, ano em que estava tudo certo para eu ir morar num sítio, no interior (e eu fui, de fato), também acabei pegando uma gatinha que se chama Pedrita e ganhei de uma criancinha um cachorrinho que , segundo ela, iam jogar num valão no bairro de Oswaldo Cruz . Não Pode!!! e lá fui eu aparecer em casa com mais um cachorrinho, ao qual batizei de Pepe.
O Mick, por ser o “mais velho”, curiosamente, sempre cuidava dos outros. Sempre que havia um movimento estranho deles, ele avisava. Corria até mim e depois voltava correndo até onde estava acontecendo algo com algum dos outros dois. Mick era meio “paizão”…. meio “xerifão”. Mas ele também adorava brincar em alguns momentos. Normalmente, ele era sério e sempre com olhar muito expressivo.
Minha mãe, que a ele resistiu tanto no início, afeiçoou-se a ele de tal maneira, que nem parecia aquela pessoa que ia nos pôr para fora de casa. O Mick tornou-se “o predileto” dela porque ela viu que o “feioso” era o animal mais bondoso da casa.

Hoje, 22/04/2008, nosso “xerifão Mick” se foi. Morreu de insuficiência renal na clínica veterinária em que estava há três dias. Eram 18:30 h e eu estava indo lá visitá-lo.

Vai pro céu dos cachorrinhos, meu querido e lindo amigo. Que lá você encontre muito espaço e outros cachorrinhos para cuidar como vc fazia (e gostava de fazer) com as outras “crianças-bichinhos” daqui de casa.
Todos vamos sentir saudades de você.
Que São Francisco de Assis te acolha nos braços depois de dias tão frios e dolorosos.
Com muito amor
Norma, Mummy Leda, Pedrita e Pepe

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