909 Noites Insones

Abril 12, 2008

Trailer de Barbarella (1968)

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 2:30 pm

O Retorno De Barbarella

Arquivado em: Filminhos — Norma Spagnuolo @ 2:24 pm

Fiquei sabendo que haverá um remake do filme Barbarella, estrelado por Jane Fonda em 1968 ( o tal ano que nunca terminou, segundo Zuenir Ventura). Sou de 1964, portanto, não tinha como acompanhar e entender (entender? rss) os filmes daquela época e que tanto passei a gostar assim que passei a me entender por gente.
Nos anos 60 e até uns pinguinhos dos anos iniciais da década de 70 iam surgindo por aqui as produções do cinema americano, francês, italiano, etc…Digo que “iam surgindo” porque logo veio a ditadura, AI-5, proibições para várias manifestações culturais, políticas & afins. assim, os filmes chegavam com atraso, segundo me disseram parentes mais velhos.
Mas voltando ao Barbarella, esse filme contava a estória de uma defensora dos fracos e oprimidos que também era a “gostosona” nonfomaníaca.Ela andava num disco voador. De uma certa maneira, tem muito a ver com a maneira Jane Fonda de ser, ou de projetar no mundo, onde – ao mesmo tempo que quer cuidar de sua aparência e cultivar suas “peruices” – também havia a preocupação em não ser apenas isso, mas também uma perua engajada em causas nobres, politicamente ativa e não burra apesar de loiríssima e sexy (aliás, deve vir de muito tempo essa coisas de “loira burra”, né?).
Lembro que a estética visual do filme tinha tudo a ver com um clima power flower, só que estilizado, não “ripongo” de torcer arame na praça pública. Cores vibrantes, uso de elementos de plástico e maquiagem over, com cílios postiços enooorrrrmes ajudam a compor o visual total do filme.
Tempos atrás vi o filme e achei hilário !
Em algum lugar, eu li que Barbarella seria uma espécie contra-ponto feminino & feminista &  futurista do James Bond, que surgiu na mesma década. Não concordo sobre ser o contra-ponto. O filme Modesty Blaise, de 1966, tão esteticamente psicodélico quando o Barbarella, foi estrelado pela italiana Monica Vitti,  e percebe-se mais essa intenção. Modesty blaise era uma agente secreta, poderosa, gostosona e perigosa. Independente. O filme tentou fazer mais sentido que Barbarella, ter mais roteiro. algo coerentel, mas se perde doidamente dando a impressão de o que o roteirista ou o diretor (ou ambos)  haviam fumado toda a plantação de maconha da Jamaica. Lá se foi a coerência séria pro saco.
Mas que bacana que era o clima e as cores em technicolor daqueles filmes ! Sempre que vejo, me passa uma sensação tipo: “a vida é boa apesar de “. Claro que haviam os filmes sérios, mas a maioria dos filmes que lembro daquela época são mais para esse clima de “Se Meu Fusca Falasse” e ” Felizes Para sempre” (com Sophia Loren e Omar Shariff, deliciosamente romântico, divertido e em Technicolor, de 1967).
Logo depois, veio a bad-trip dos anos 70, e os filmes eram meio canlhas, deprimidos como se espelhasse uma ressaca moral dos excessos cometidos nos 60. Clima barra pesada, mesmo…
Não acredito muito em remakes porque tira o filme do contexto de sua época, como “Alfie”, que nos anos 60 foi estrelado pelo genial Michael Caine e nos dias atuais foi estrelado pelo Jude Law.
Oras, lá pelos 60 havia aquela novidade do movimento feminista e os homens invejados até então eram do tipo “pegador insensível de mulheres lindas, românticas e submissas”. Vide o Bond daquela época: viril, frio, meio sonso, porém charmossíssimo, refinado como o coelho símbolo da playboy – com gravatinha borboleta e tudo.  O “Alfie” daquela época percebe a si mesmo refletindo que depois de ser pegador à beça, fica sozinho e vazio e que aquilo era muito “nada”. Ele estava oco emocionalmente. Isso é que deve ter sido o grande responsável pelo impacto do filme na época.
Hoje em dia ainda tem resquício daquele machismo sem reflexões (que acho prejudicial e careta até para os próprios homens de hoje em dia que insistem em bater nessa tecla). Mas naquela época, era sim uma quebra forte de paradigma.
Como situar Barbarella nos dias de hoje quando 60% das mulheres frequentam as universidades ? que não se casam mais por pressão social e conveniências, como uma pensão vitalícia garantida ? (embora ainda haja resquícios dessa mulher também).
Eu acho moderníssimo para os dias de hoje “Tirésia”, obscura produção Franco/canadense de 2003; esse sim, poderia quebrar paradigmas, mas qual mega diretor e de mega produção teria peito de rodar, lançar e distribuir nos cinemões comerciais pelo mundo ?
Nos anos 60, havia mais coragem em tudo nas artes e por isso acho que até hoje se fala tanto daquela época.  Havia coragem tanto para divertir o público com nonsenses quanto para colocar o dedo na ferida social sem perder o apurado senso estético.
Mas enfim…que venha a nova Barbarella.

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