Através de uma querida amiga de São Paulo, tomei conhecimento da funcionalidade do SESC em São Paulo. Na unidade de Pinheiros, almocei e vi as pessoas praticando exercícios. Sei que existem projetos de fomento à cultura que são realizados com zelo e profissionalismo.
Agora, lá vem projeto do Governo Federal para esculachar uma das poucas coisas que funcionam bem em relação à cultura e ao bom exercício democrático de cidadania neste país.
Não fui ainda numa unidade do SESC aqui no Rio para saber se funciona tão bem e tão democraticamente quanto funciona lá. Eu espero que sim, pois no Rio, lamentavelmente a situação da cultura, não anda lá muito bem das pernas e atribuo isso aos 8 anos de (des) governo do casal miserável que andou esquentando lugar na prefeitura e governo do Rio de janeiro, que já foi a muitos anos considerado a capital cultural do país. Enfim, isso é outra estória, para outro post.
Que o SESC SP continue motivo de inspiração e referência para qualquer SESC de outro Estado e para qualquer instituição que se proponha a ser um local de cultura, criatividade, esporte e lazer democrático e bem gerido.
O que importa a mim, como brasileira, é apoiar aonde quer que seja, boas iniciativas e qualquer gestão de cultura que funcione com competência neste país.
Abaixo, publico uma carta pública do Diretor Regional do SESC São Paulo, Danilo Santos de Miranda.
Caros amigos e parceiros do SESC:
Gostaria de compartilhar com todos vocês o risco a que o SESC está exposto neste momento. Talvez já tenham tomado conhecimento pela imprensa: o governo federal lançou medidas para melhoria da formação técnica dos jovens brasileiros que, do modo como estão sendo propostas, por mais bem intencionadas que sejam, constituem ameaça de uma intervenção do Estado em uma entidade privada.
O projeto, em resumo, pretende rever a distribuição dos recursos do impropriamente chamado Sistema S. Determina que boa parte da arrecadação dessas entidades seja remanejada para um novo Fundo destinado à formação técnica. O fato, porém, é que as entidades do chamado Sistema S são em si resultado de Fundos já criados, lá nos anos 40, em parte, com a mesma finalidade.
O remanejamento dos recursos desses Fundos para outro novo Fundo, no entanto, implicará na restrição drástica da diversidade e do alcance da reconhecida ação do SESC, em prejuízo da educação permanente promovida diariamente a seus milhares de freqüentadores assíduos. Diante desse quadro, sinto que é meu dever dirigir-me uma vez mais a vocês, sobretudo porque estou seguro do valor desta instituição. A melhor maneira de conferir o significado de sua ação é vivenciar o dia-a-dia nas unidades (atualmente são 31, somente no Estado de São Paulo); ouvir o relato dos freqüentadores sobre a importância do SESC em suas vidas e para suas famílias; estar e usar os equipamentos e instalações de primeira qualidade, abertos a todos os estratos sociais, e participar das inúmeras atividades que abrangem um amplo arco de interesses e necessidades, reunindo um público extremamente diversificado.
Acredito que todos vocês já tiveram essa oportunidade. São, portanto, testemunhas da natureza beneficamente eficaz, engajadamente eficiente e profundamente educativa do trabalho que o SESC desenvolve há mais de 61 anos. Esse patrimônio não pode ser sacrificado no altar de prioridades transitórias, em nome das quais se engendra um prejuízo incalculável ao país. Tornar a Educação meramente técnica, burocrática e pragmática, dissociando-a do universo simbólico, subjetivo, crítico e criativo, cerne da Ação Cultural, é um evidente retrocesso, fruto de visão flagrantemente obscurantista.
Certo de que compreenderão a gravidade dessa perspectiva, escrevo a vocês, formadores de opinião, representantes de classes, artistas, pensadores, amigos e parceiros do SESC para que se manifestem, pelos meios ao seu alcance, em prol da continuidade de nosso trabalho. Um projeto que, afinal, construímos juntos.
Danilo Santos de Miranda
Diretor Regional do SESC SÃO PAULO






